Lista de Poemas

El cuerpo canta

El cuerpo canta

El cuerpo canta;

la sangre aúlla;

la tierra charla;

la mar murmura;

el cielo calla

y el hombre escucha.

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O pior mecenas é o público

 

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Eu morreria de nojo e de vergonha em um país onde só se falasse de dinheiro

 

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É inútil querer discutir e tirar de alguém as suas ideias; as pessoas não querem deixar-se convencer; o melhor é deixá-las.

 

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Que me importa aquilo que Cervantes tinha ou não intenção de pôr nele [ Dom Quixote ], e o que de fato pôs lá? O que está vivo nele é o que eu próprio descobri nele, tenha ou não Cervantes posto lá, aquilo que eu mesmo pus dentro, abaixo e sobre ele, aquilo que todos pomos nele. Eu queria encontrar a nossa filosofia nele.

 

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“O homem é um ser perecível. É possível que assim seja; mas resistamos ao nosso perecimento e, se for mesmo o nada que nos aguarda, não nos permitamos agir como se esse fosse um destino justo” [Sénancour]. Altere a sentença da forma negativa para a positiva — “e, se for mesmo o nada que nos aguarda, ajamos de modo que esse seja um destino injusto” —, e você obterá a mais firme base de ação para o homem que não pode ou não deseja ser um dogmático.

 

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Falo de mim porque sou a pessoa que tenho mais perto

 

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A erudição é, em muitos casos, uma forma maldisfarçada de preguiça intelectual, ou um ópio para adormecer as inquietações íntimas do espírito

 

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Identificação e contexto básico

Miguel de Unamuno y Jugo, conhecido simplesmente como Miguel de Unamuno, foi um dos mais importantes escritores, filósofos e ensaístas espanhóis do final do século XIX e início do século XX, sendo uma figura proeminente da chamada Geração de 98. Nasceu em Bilbao, Espanha, a 29 de setembro de 1864, e faleceu em Salamanca, Espanha, a 31 de dezembro de 1936. A sua obra abrange poesia, teatro, romance e ensaio, sempre com um forte cariz filosófico e existencial. A sua nacionalidade era espanhola e a língua de escrita predominante foi o castelhano. Viveu num período de profundas transformações sociais, políticas e culturais em Espanha, marcado pela perda das últimas colónias em 1898, um evento que teve um impacto significativo no pensamento da sua geração.

Infância e formação

Filho de Félix de Unamuno e do seu segundo casamento com Salomé Jugo, Miguel de Unamuno teve uma infância marcada pela perda precoce da mãe e por um ambiente familiar que, apesar de não ser rico, proporcionava-lhe acesso à educação. Demonstrando precocemente uma inteligência viva e um interesse profundo pelos livros, Unamuno destacou-se nos seus estudos. Formou-se em Filosofia e Letras na Universidade Central de Madrid, onde se doutorou em 1883 com uma tese sobre o basco e a sua integração linguística. A sua juventude foi atravessada pela absorção de correntes filosóficas e literárias diversas, desde o krausismo espanhol até influências do pensamento alemão e de autores como Schopenhauer e Kierkegaard, que moldariam a sua visão crítica e existencial.

Percurso literário

O percurso literário de Unamuno iniciou-se cedo, com publicações de artigos e ensaios que já revelavam a sua vocação para a reflexão crítica. A sua obra poética começou a ganhar destaque mais tarde, mas foi no romance e no ensaio que Unamuno consolidou a sua reputação. Escreveu romances como "San Manuel Bueno, mártir", "Niebla" (Neblina) e "Abel Sánchez", que exploram a condição humana com grande profundidade. Participou ativamente na vida intelectual do seu tempo, colaborando em diversas publicações e revistas, e sendo um crítico mordaz e influente. A sua atividade como professor de Filologia Grega e depois como reitor da Universidade de Salamanca foi também um palco para a disseminação das suas ideias.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Unamuno é vasta e multifacetada. Os seus romances, muitas vezes definidos por ele como "nivolas", desafiam as convenções narrativas, focando-se na exploração psicológica e existencial dos personagens. Temas como a imortalidade, a fé, a dúvida, a tragédia da existência e o desejo de transcendência são recorrentes. A sua poesia, embora menos prolífica que a prosa, reflete a mesma intensidade existencial e a busca pela identidade. O estilo de Unamuno é marcado pela clareza, pela força argumentativa e por uma linguagem direta, por vezes áspera, mas sempre carregada de emoção e de um profundo questionamento. A sua escrita é profundamente pessoal, mas apela a questões universais, explorando a fragmentação do eu e a angústia da condição humana. Influenciado pelo existencialismo e pela tradição literária espanhola, Unamuno inovou ao fundir os géneros literários e ao dar primazia à reflexão filosófica.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Unamuno viveu num período turbulento da história espanhola, a "crise de 1898", após a perda das colónias ultramarinas, que gerou um profundo sentimento de desilusão nacional e uma necessidade de repensar a identidade e o futuro do país. A Geração de 98, à qual Unamuno pertencia, reagiu a esta crise com uma crítica contundente à realidade espanhola, buscando um "enriquecimento da Espanha" através da regeneração moral e intelectual. Unamuno dialogou intensamente com outros intelectuais da sua época, como Azorín e Baroja, e manteve posições políticas e filosóficas que, por vezes, o colocaram em conflito com o poder estabelecido, culminando no seu exílio durante a ditadura de Primo de Rivera. A sua obra reflete a tensão entre a tradição e a modernidade, entre a fé e a razão, num contexto de secularização crescente e de incertezas políticas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Unamuno foi marcada por uma intensa busca interior e por crises existenciais. As suas relações familiares, embora importantes, foram frequentemente ofuscadas pela sua dedicação ao pensamento e à escrita. Era conhecido pela sua personalidade forte e, por vezes, irascível, mas também por uma profunda empatia com o sofrimento humano. A sua fé foi sempre atormentada pela dúvida, um tema central na sua obra, que ele viveu de forma visceral. Embora tenha sido professor e reitor universitário, a sua maior fonte de rendimento e ocupação foi a sua produção intelectual. As suas posições políticas, embora nem sempre lineares, refletiam uma preocupação com a justiça social e a liberdade de pensamento.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Miguel de Unamuno obteve um reconhecimento considerável em vida, tanto em Espanha como internacionalmente, sendo considerado um dos intelectuais mais importantes do seu tempo. Foi membro da Real Academia Española e ocupou o cargo de reitor da Universidade de Salamanca. A sua obra foi amplamente discutida e elogiada pela crítica, que reconheceu a sua originalidade e a profundidade do seu pensamento. No entanto, a sua figura também gerou controvérsia devido às suas posições críticas e à sua ousadia intelectual. O seu legado perdura, com a sua obra a ser estudada e a ser considerada fundamental para a compreensão do pensamento existencial e da literatura espanhola do século XX.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Unamuno foi influenciado por uma vasta gama de pensadores e escritores, incluindo pensadores alemães como Schopenhauer e Nietzsche, e filósofos existencialistas como Kierkegaard. Na literatura espanhola, bebeu da tradição clássica e de autores como Cervantes. O seu legado é imenso, tendo influenciado gerações de escritores e filósofos, não só em Espanha, mas também em todo o mundo. A sua abordagem única à exploração da condição humana, a sua capacidade de questionar as certezas e a sua escrita apaixonada continuam a ressoar com os leitores contemporâneos. Unamuno é uma figura incontornável no cânone literário e filosófico de língua espanhola.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Unamuno tem sido objeto de inúmeras interpretações críticas, que destacam a sua profunda meditação sobre a mortalidade, a busca pela fé num mundo cético e a angústia da existência. As suas "nivolas" são vistas como um espelho das suas próprias inquietações e como um convite ao leitor para confrontar as suas próprias dúvidas existenciais. A dualidade entre a razão e a fé, entre o desejo de imortalidade e a certeza da morte, são temas centrais que continuam a gerar debate e reflexão. A sua crítica à sociedade e à religião, muitas vezes paradoxal, convida a uma análise profunda das contradições humanas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto menos conhecido de Unamuno é a sua profunda angústia em relação à morte e à possibilidade de não haver vida após ela, um tema que ele viveu de forma tão intensa que chegou a ser visto como um "ateu que desejava acreditar". A sua relação com a escrita era marcada por uma urgência quase febril, e ele dedicava-se à criação intelectual com uma paixão que por vezes o consumia. A sua expulsão da Universidade de Salamanca e o subsequente exílio durante a ditadura de Primo de Rivera são episódios que demonstram a sua coragem cívica e a sua recusa em silenciar as suas convicções. Era conhecido por escrever em cadernos que trazia sempre consigo, anotando ideias e reflexões que mais tarde seriam incorporadas nas suas obras.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Miguel de Unamuno faleceu em Salamanca, a 31 de dezembro de 1936, em sua casa, poucos meses após o início da Guerra Civil Espanhola. A sua morte ocorreu num contexto de grande tensão política e social. Apesar da sua figura ter sido objeto de controvérsias durante o regime franquista, a sua obra e o seu pensamento nunca deixaram de ser estudados e reconhecidos como um pilar da literatura e da filosofia espanhola. Publicações póstumas e a reedição contínua das suas obras garantem a sua memória e a sua relevância para as novas gerações de leitores e pensadores.