Lista de Poemas
SÓROR FELICIDADE
Uma rosa de Deus lentamente fenece
e se estorce de dor e agoniza na cela…
Lusco-fusco. Tristeza. O sol morre. Anoitece…
Tem quinze anos somente! é tão moça! é tão bela!
Com seus lábios sem cor balbucia uma prece.
Atira o último olhar através da janela:
vê a Vida lá fora e a lua que aparece.
Eis meus olhos ciriais velando-lhe a agonia,
Lentamente fenece e, assim, lívida e calma,
é uma santa do céu! Santa Melancolia!
Mas, súbito, na cela, um frêmito de ânsia corre,
E, no Claustro da Dor Imensa de Minh’alma,
Sóror Felicidade abre os braços e morre.
Se ela viesse
e me encontrasse triste, a pensar nela…
E si quebrasse, com o rumor dum beijo,
o silêncio claustral de minha cela…
Se ela viesse ouvir tudo o que eu digo
neste momento de saudade e dor…
E se ficasse a conversar comigo
e me lançasse o olhar cheio de amor…
Se ela viesse…
Ai! se ela pudesse
Sorver o pranto que minh’alma chora…
Eu não sei que faria! Até parece
que nem a amava tanto como agora!…
A divina mentira
“Quando ela partir eu hei de chorar tanto…
Serei a imagem da melancolia
toda cheia de pranto…”
No entanto,
uma lágrima, sequer, dos meus olhos caiu…
Eu não senti saudade — a mais leve emoção! —
— Quando ela partiu
levou meu coração!…
VALSINHA DA BANDA DE MÚSICA MUNICIPAL
Banda Euterpina
Juvenil de
Nazaré da Mata
tocando ao
luar de prata.
(O seresteiro
achando a rima
da serenata.)
Música pelo
Natal; na festa
da padroeira.
(A procissão,
Nossa Senhora
da Conceição.)
Música nos bailes
de carnaval
e em funeral.
Seu Miguel ensaiava de noite, na Rua
da Palha, para as tocatas coletivas.
Nunca mais deixei de ouvir
as suas noturnas melodias na janela.
Sinto que ele acorda e volta de longe nesta madrugada.
Limpa a farda de tempo e areia,
vem do cemitério de São Sebastião,
vem com a sua valsa de antigamente,
vem com o seu clarinete na mão.
Natal
imutável. Feliz
noite branca sem hora
no pátio da Matriz.
Natal: os mesmos sinos
de repiques iguais.
Brinquedos e meninos,
Natal de outros natais.
A Banda, vozes, passos
da multidão fiel.
Tudo nos seus espaços,
o mundo e o carrossel.
Tudo, menos o andejo
homem que se conclui.
Olho-me, e não me vejo,
não sei para onde fui.
O ROMANCE BANAL DE COLOMBINA E PIERRÔ
Entre seda, confeti e serpentina,
desse mundo no imenso carnaval,
tu surjiste, ─ visão de Colombina! ─
para a alma de Pierrô sentimental…
Ante a musica, ante o éter que alucina,
nós tecemos do amor o madrigal…
A essa luz dos teus olhos de menina
Pierrô sonhou um sonho emocional!…
O que foste afinal em minha vida?!
Dize! retira a mascara divina!
─ Quarta-feira de cinzas dolorida!
Mas somente depois que ela passou,
pude ver a chorar que Colombina
era a Felicidade de Pierrô!
MINHA N. S. DA ESPERANÇA
numa manhã sem sol, de cerração,
e ela entrou, como o brilho duma estrela
do céu, para alumiar meu coração.
Tornou-se muito minha amiga então,
Era tão linda! ai quem me dera tê-la
junto a mim! mas já foi, já partiu pela
tarde do meu jardim — rosa em botão! —
É debalde, minh’alma, que lhe gritas.
Neste mundo não há quem a defina
com seu vestido branco e verdes fitas.
Teu brado, na distância, não a alcança.
Pois fiquei a pensar que essa menina
era Nossa Senhora da Esperança…
Miragem
A vida é um lago cristalino…
Ele guarda consigo
o segredo eternal do teu destino!
Vês? É uma noite de prata!
E, lá no fundo do lago,
a lua se retrata…
Numa atitude de cegonha,
sonhador, como quem sonha
um sonho vago,
contempla aquela imagem lá no fundo
do lago…
Ela é a felicidade deste mundo!
No entanto,
si a buscasses tocando a superfície quieta,
a água se turvaria! morreria o teu canto
de poeta…
É que, por culpa tua,
desvendando o segredo do destino,
jamais verias, no lago cristalino,
a imagem da lua! a imagem da lua!
CHUVA DE VENTO
chega essa chuva
de asas, tangida
pela ventania?
Vem de que tempo?
Noturna agora
a chuva morta
bate na porta.
(As biqueiras da infância, as lavadeiras
correm, tiram as roupas do varal,
relinchos do cavalo na campina,
tangerinas e banhos no quintal,
potes gorgolejando, tanajuras,
os gansos, a lagoa, o milharal.)
De onde vem essa
chuva trazida
na ventania?
Que rosas fez abrir?
Que cabelos molhou?
Estendo-lhe a mão: a chuva fria.
INSTANTÂNEO
depois da missa cantada e da comunhão,
Dona Santinha, em perfeito estado de graça,
com o véu, o livro e o terço na mão,
murmurava a um grupinho que Padre João
estava, na sacristia, se derretendo
para a filha mais nova do sacristão.
Comentários (0)
NoComments
Composições de Mauro motta
Mauro Motta | Produtor Musical | Papo com Clê
Mauro Cotta - Não Demore Tanto
“O RAUL SEIXAS NÃO COMPUNHA NADA” | Mauro Motta | Recortes do Clê
Na Sintonia da Emoção - A História de Mauro Motta | EP01 | Onde Tens Andado?
Na Sintonia da Emoção - A História de Mauro Motta | EP03 | As Emoções Estão Nessa Estrada
Mauro Cotta - As melhores
Poeta, Poetíssimo, Mauro Mota
Na Sintonia da Emoção - A História de Mauro Motta | EP02 | Coisas Que Não Se Esquece
Banda de Percussão Sinfônica Poeta Mauro Mota - III Concurso de Bandas do Jordão 2023
Mauro Motta sobre Raul Seixas @fabiomagelademelo
Mauro Mota - Circuito da Poesia do Recife
Na Sintonia da Emoção - A História de Mauro Motta | EP04 | Superfantasticamente
Fim de Tarde
harlem shake poeta mauro mota
BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA 2021 NA II ETAPA DA XIII COPA PERNAMBUCANA DE BANDAS E FANFARRAS 2021
Pray For Wind (spoiler)
Regresso
Mauro Cotta Minha Amiga
BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA 2021 - SEMIFINAL 2021 DA XIII COPA PERNAMBUCANA DE BANDAS E FANFARRAS
Banda Marcial Poeta Mauro Mota - Etapa Final da Copa Recife 2021
CAJUEIRO NORDESTINO - Mauro Mota
Banda Marcial Poeta Mauro Mota - III Etapa da Copa Recife 2021
Zome People Stories - Mauro Mota
ENTRADA DA BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA NA SEMIFINAL DA XI COPA PERNAMBUCANA DE BANDAS E FANFARRAS
BANDA MARCIAL JUV. POETA MAURO MOTA NA ETAPA FINAL DA COPA RECIFE DE BANDAS ESCOLARES 2021
PEÇA DA BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA NA SEMIFINAL DA XI COPA PERNAMBUCANA DE BANDAS E FANFARRAS
BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA NA SEMIFINAL DA COPA PERNAMBUCANA DE BANDAS E FANFARRAS 2020
Banda Musical Poeta Mauro Mota - XII Copa Pernambucana de Bandas 2020
BANDA MAR JUVENIL POETA MAURO MOTA NA II ETAPA DA I COPA RECIFE DE BANDAS ESCOLARES
“Eu e ela” - Robson Jorge/Mauro Motta/Lincoln Olivetti
Monday Jam #4 ft. Mauro Mota
A Mesa (MAURO MOTA)
APT N CHANTERENE MAURO MOTA
Poetas pernambucanos: Mauro Mota - poema "Jogo noturno"
BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA 2019 NA 6ª ETAPA DA XI COPA PERNAMBUCANA DE BANDAS E FANFARRAS
BANDA DE PERCUSSÃO POETA MAURO MOTA 2023 NO III CONCURSO DE BANDAS E FANFARRAS DO JORDÃO 2023
CORPO COREOGRÁFICO BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA NA 2ª ETAPA DA XIII COPA PE DE BANDAS
BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA SEMIFINAL XI COPA PE DE BANDAS E FANFARRAS
"Fim de Tarde" (Robson Jorge e Mauro Motta) Cláudia Telles
BANDA MARCIAL JUVENIL E POETA MAURO MOTA 1 ETAPA COPA RECIFE DE BANDAS ESCOLARES 2021
BANDA MAR JUV POETA MAURO MOTA NA SEMIFINAL DA XIII COPA PE DE BANDAS E FANFARRAS
Mauro Mota - We are the word
BANDA MARCIAL JUVENIL E POETA MAURO MOTA NA III ETAPA DA COPA RECIFE DE BANDAS ESCOLARES
BANDA MARCIAL POETA MAURO MOTA 2021 NA ETAPA FINAL 2021 DA I COPA RECIFE DE BANDAS ESCOLARES 2021
Rondó Suburbano - Mauro Mota.wmv
Minha Paixão
Banda Marcial Poeta Mauro Mota - II Etapa da Copa Recife 2021
Ciranda Linda Flor (NAZARÉ DA MATA- PE se apresentando no Mauro Mota 21/08/2023
Ciranda Linda Flor (NAZARÉ DA MATA- PE) se apresentando no Mauro Mota 21/08/2023
Português
English
Español