Escritas

Lista de Poemas

VI, 8 - A SEVERO

Pretores dois, e mais tribunos quatro,
Advogados sete, e poetas dez,
Todos à mão da filha se fizeram
De certo velho. E ele ao pregoeiro
Eulogo foi que a mão da jovem deu.
Não foi, Severo, sábia a decisão?

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IV, 71 - A SOFRÓNIO RUFO

Busco, Sofrónio Rufo, há muito, na cidade,
Menina que se negue. Mas nenhuma nega.
Como se pelos deuses, pela lei, negar-se
Não fora permitido, nenhuma se nega.
- Casta não é nenhuma? - Mil o são. - Que fazem
Pois elas? - Não se dão, mas também não se negam.

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V, 45 - A BASSA

Te dizes bela, dizes que ainda, Bassa, és virgem.
Isso, quem não é já dizer, Bassa, costuma.

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IV, 42-A FLACO

Se os votos exalçados poderão ser meus,
Ouve que amante, Flaco, eu desejara ter.
Do Nilo, antes de mais, tenha nascido às margens
(Nenhuma terra ensina uma volúpla igual).
Mais branco do que a neve (pois que em Mareótida
Mais belo entre morenos quanto a alvura é rara.)
Olhos rivais dos astros, e moles flagelem
As comas o pescoço (caracóis não amo).
A fronte breve, e um pouco o nariz aquilino.
De Pestum os rubros lábios envergonhem rosas.
Que meus caprichos negue e aos seus me curve, às vezes.
Mais livre saiba ser, às vezes, que seu amo.
Rapazes tema, e exclua às vezes as mulheres.
Para todos um homem, para mim efebo.
Ah não te enganas, não, quanto meu juízo é vero:
Tal era, tu bem sabes, aquele que eu perdi.

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III, 68--A UMA MATRONA PUDIBUNDA

Só até aqui, matrona, é para ti o livro.
O mais interno dele. para quem? Pra mim.
Ginásio, estádio, termas, deste lado: foge.
Aqui nos desnudamos. Homens nus não vejas.
Despojando entre rosas, ébria já, o pudor,
Terpsícore não cuida que palavras diz.
Sem véus e sem rodeios, dá seu nome àquele
Que Vénus em Agosto em si recebe impante,
Que como de espantalho o lavrador coloca
Em meio do seu horto. E que as virgens só olham
Por entre os dedos castos. Se bem te conheço,
ias pousar meu livro. Ah, ah... vais lê-lo agora...

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I, 47 - A HÉDILO

Quando, Hédilo, me dizes: Venho-me depressa,
Despacha-te - venérea a rigidez eu perco.
Pois que, se me demoro, mais a tempo chego.
E se te logo vens, que não me apresse pede.

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EPIGRAMAS

I, 24 - A COTA

Com quem te não banhaste, não convidas nunca,
E só nos balneários teus convivas buscas.
A mim me perguntava como nunca o fora:
E agora sei que, nu, não pude encher-te os olhos.

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IV, 82 - ACERCA DE FÁBULA

Porque o epigrama, Fábula, meu lesse,
Em que me queixo que ninguém se nega
Rogada até três vezes repeliu
Do amante as preces. Fábula, promete:
Negar é justo, trinegar não é.

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V, 55 - SOBRE UMA ÁGUIA TRANSPORTANDO JÚPITER

- Diz-me quem tu transportas, ó rainha das aves?
- Transporto o Deus Tonante. - E como El não detém
Na mão os raios seus? - Apaixonado está.
- Por quem é que o deus arde? - Por uma criança. -
E porque docemente, entreaberto o bico,
Te voltas para EI? - De Ganimedes falo.

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V, 58 - A PÓSTUMO

Viverás amanhã, sempre me dizes, Póstumo.
Esse amanhã, ó Póstumo, quando virá?
Quão longe mora? E aonde está? Onde buscá-lo?
Esse amanhã mais velho é que Nestor ou Príamo.
Esse amanhã tem preço? Qual o preço? Diz-me.
Viverás amanhã. E viver hoje é tarde.
Aquele é sage, ó Póstumo, que ontem viveu.

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