Lista de Poemas
Poema para o namorado
são belos, sensuais e muito caros
certos instantes gostosos, em que te encaro
menos como homem e mais como menina:
quando passas teus cremes para a pele,
ou pões o avental pra cozinhar,
ou quando em mim te esfregas
até gozar os teus gozos sem fim,
ou quando tuas mãos, leves e lésbicas,
desabam como plumas sobre mim.
Poema para os teus seios
e mãos pra não apalpar,
e bocas pra não chupar
teus seios.
Desejo beber teu leite,
azeite de oliva branca,
e provar com minha língua
o macio do teu peito.
E se em inútil trabalho
te afasta a blusa de mim,
eu, por inúmeros meios,
cerro olhos para ver
e bocas para chupar
teus seios.
Janela Tridimensional
mas dependendo do morto
ocorre o mesmo processo:
os poetas que eu mais amo
entram sempre em minha casa
pela porta dos seus versos.
Aos independentes ausentes: Torquato Neto, Henrique do
Valle, Violeta Formiga, Geraldo Alverga, Barrozo Filho,
Paulo Veras, Ana Cristina, Batista Jorge, Tony Pereira,
Touchê, Cleide Veronesi, Cacaso, Leminski, João Carneiro,
Severino do Ramo, Francisco Igreja.
In: MÍCCOLIS, Leila. Em perfeito mau estado. Rio de Janeiro: Achiamé, 1987. p.4
Segredo (Série Infantil)
A empregada reclama do encerado.
Mamãe esconde sempre meus esqueites,
pois se eu caio
dou despesa e atrapalho
Os adultos
— cá pra nós —
só dão trabalho.
Ao Eloy
In: MÍCCOLIS, Leila. Em perfeito mau estado. Rio de Janeiro: Achiamé, 1987. p.6
Poema ao Mais Recente Amor
entre tua densidade,
neste transpirar sob medida
aos teus gemidos.
Estar entre teus trópicos,
entre o teu desejo e o meu prazer,
beber parte dos teus líquens e teus rios,
percorrendo-te da foz até a origem,
e pura a cada amor partir mais virgem.
In: MÍCCOLIS, Leila. SACIEDADE dos poetas vivos. Org. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. Rio de Janeiro: Blocos, 1993. v.4, p.5
De Volta Para o Presente
Hipólita, Antíope ou simples colona,
temíveis perigos, feliz, desafio,
mostrando a potência do meu poderio,
dos campos, senhora, dos píncaros, dona,
pois sou tua eterna e soberba Amazona,
com arco e com flecha, inclusive no cio,
num louco galope, em fatal desvario,
por ínvios caminhos que surgem à tona...
Aquiles, Teseu, o que queres que sejas,
em mim acharás o que tanto desejas:
um misto de gozo, ternura e esplendor,
por ser a Amazona das tuas florestas,
libertas, profundas, reais, manifestas,
sem fim cavalgando os sertões deste amor.
In: MÍCCOLIS, Leila. Só se for a dois. Co-aut. Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon, 1990. p.2
Plano de Vôo
como fraquezas,
cheios de defesas e sigilos,
incomodados e culpados por senti-los,
para que nossos planos emocionais
aflorem em níveis
cada vez mais pessoais
... e transferíveis.
In: MÍCCOLIS, Leila. SACIEDADE dos poetas vivos. Org. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. São Paulo: Edicon, 1991. v.1, p.5
Crescimento (Ciclo Infantil)
e aproveito pra ser terrível,
enquanto posso matar pássaros
ou afogar gatinhos.
Depois vão proibir minhas maldades
e me restringir
aos filmes de guerra.
In: MÍCCOLIS, Leila. O bom filho a casa torra. Seleção de textos Urhacy Faustino. São Paulo: Edicon; Rio de Janeiro: Blocos, 1992. p.2
Arte Marajoara (II)
a morte de seus filhos mais amados
— peixes-bois e namorados,
muçuãs, atuns, baleias —,
o mar em extinção e em permanente vazante
entoa réquiem fúnebre e dissonante:
seu derradeiro canto da sereia.
In: MÍCCOLIS, Leila. SACIEDADE dos poetas vivos. Org. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. Rio de Janeiro: Blocos, 1992. v.2, p.5
Em Órbita
Com você
quero todas as intimidades
de um amor escandalosamente carnudo,
sobretudo imperfeito,
que seja capaz de fazer
eles morderem a boca de despeito
e nós lambermos os beiços de prazer.
Com você
quero um amor que não precisem devassar
porque é claro e transparente;
daí ameaçar a tanta gente
pesada,
que não sabe flutuar
nem libertar-se da seriedade.
Com você
quero um amor tão à vontade
que muito mais leve que o ar
possa desafiar a lei da gravidade...
In: MÍCCOLIS, Leila. SACIEDADE dos poetas vivos. Org. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. São Paulo: Edicon, 1991. v.1, p.4
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