João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa

João Marcio Furtado Costa é um poeta cuja obra se destaca pela sensibilidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a passagem do tempo e a natureza. A sua poesia, muitas vezes marcada por uma linguagem depurada e por uma musicalidade intrínseca, convida à contemplação e à reflexão sobre a experiência humana. Através de uma voz poética que transita entre a intimidade e a universalidade, Furtado Costa constrói versos que tocam a alma do leitor, celebrando a beleza e a fragilidade da existência.

14 741 Visualizações

Cromoterapia

Cromoterapia

(06/96)

Do vermelho, a mensagem: pare!
Puro paradoxo!
Me excita a boca sensual,
e sigo.

Do branco, as vestes da paz.
Pura coerência!
Mistura de todas as cores,
um dia...

Do rosa , fêz-se a Rosa.
Pura beleza!
Da cor, a flor. Minha irmã,
que adoro.

Do preto, diz-se ausência.
Puro preconceito!
Na noite se vive a vida,
marco presença.

Do verde, a essência: natureza.
Pura ecologia!
Matéria prima da preservação: o homem,
maduro.

Do amarelo, pinta-se o pálido.
Puro despeito!
Oriente, tua cabeça é guia,
e força.

Do azul, o céu, a glória.
Puro pleonasmo!
Teu nome reflete as estrelas,
Cruzeiro.

Ler poema completo

Poemas

16

Cromoterapia

Cromoterapia

(06/96)

Do vermelho, a mensagem: pare!
Puro paradoxo!
Me excita a boca sensual,
e sigo.

Do branco, as vestes da paz.
Pura coerência!
Mistura de todas as cores,
um dia...

Do rosa , fêz-se a Rosa.
Pura beleza!
Da cor, a flor. Minha irmã,
que adoro.

Do preto, diz-se ausência.
Puro preconceito!
Na noite se vive a vida,
marco presença.

Do verde, a essência: natureza.
Pura ecologia!
Matéria prima da preservação: o homem,
maduro.

Do amarelo, pinta-se o pálido.
Puro despeito!
Oriente, tua cabeça é guia,
e força.

Do azul, o céu, a glória.
Puro pleonasmo!
Teu nome reflete as estrelas,
Cruzeiro.

889

Utopia e Paixão

Utopia e Paixão

(10/92)
Poderia ser longa a minha espera,
Não estivesses sendo tu, a esperada.
Me encheria, quem sabe, o peito, a ansiedade,
De ser teu sonho e, também, realidade.

Preferia no entanto, por mais efêmera,
Que fosse a tua, igual a minha vontade,
De estares em meu tato e na minha visão,
Na audição, no paladar e no olfato.
Pois em meus sentidos, não serias utopia.
Por mais fugaz que fosse o sentimento,
Certamente seria uma paixão.

849

Num Segundo, O Milênio

Num Segundo, O Milênio

(05/93)

Ao fim daquele segundo, nada se resolveu no mundo.
Por mais importante que fosse, daquele segundo, o fruto,
Seu maior feito, seu intuito, foi de encerrar o minuto.
Mas, também, o minuto, nada mudou de concreto, pois,
Por mais que fosse certo, por mais tempo que desse ao agora,
Nada mais de útil fizera, do que a troca da hora.
E a hora foi embora, radiante de alegria,
Na dicotomia da noite, terminara mais um dia.
Não fora um dia qualquer, aquele 31 de dezembro.
Nem maior, nem menor, nem mais claro ou mais escuro.
Tampouco foi mais puro. Porém, e sem engano,
Ao seu final foi-se o ano, e deu as caras, o futuro.
Foi-se o segundo, o minuto. Foi-se a hora e, junto, o ano,
E o tempo, que é cigano, resolveu baixar o pano,
E encerrar, de vez, o século.
Foste o vigésimo e terminaste. Nada em ti foi respeitado.
Aquele segundo arrogante, agindo qual meliante,
Roubou de ti o legado.
Ficou a melancolia. Alvíssaras ao novo século.
A vida ficou vazia. Alvíssaras ao vinte e um.
De mil passarás e a dois mil não chegarás!
Um por todos e todos por um.
De dois mil passarás e a três mil, quem saberá?
Chegaremos a lugar algum?
O tempo avança: Segundo, hora, milênio...
O mundo cansa: Urânio, ouro, oxigênio...
Elemento ou tempo? Tempo ou elemento?
O que mais importa no momento?
O que poderá nos salvar?

736

Ingenuidade

Ingenuidade

(07/86)
Sei que és como um rio
Que possui águas turvas,
Mas prefiro na estrada
A surpresa das curvas,
À certeza das retas.

Certas coisas são certas,
Assim como os segredos,
Que existem em seus olhos,
E que só dentro deles
É que se pode ver:
Que eu não posso ser tudo,
Muito menos ser nada
Que eu não posso ser sonho,
Nem felicidade,
Que eu não posso ser vida,
Assim sem você.

1 012

Amartemática

Amartemática

(03/96)
Tem-se na adrenalina,
um perfeito combustível,
pra tornar a linha reta,
caminho impossível.

Por que, então, sentir-se,
andando em círculos,
se na verdade, somente,
perdeste os vínculos?

Vê que a sensação,
é de tormento e de frio,
quando a interseção,
é um conjunto vazio.

Se não é quadrado, o cateto,
ou se a hipotenusa é saliente,
pode pintar um triângulo,
de amor resiliente.

Relações de conjuntos,
tendendo a viscerais,
resolvem-se na união,
de soluções integrais.

Se plenas de prazer,
que sejam constantes,
ou frequência baixa,
para fases distantes.

Derivadas do amor,
são riscos incólumes,
dão origem às flores,
e séries de proles.

636

Poema em Linha Torta

Poema em Linha Torta

(05/93)
Que bom que é a vida,
Quando ela é servida,
Com catupiry.
Que bom que é a vida,
Mesmo sofrida,
Se você sabe rir.
E eu gosto de rir.
E eu sei fazer rir.
Serei eu um palhaço?
E o palhaço o que é?
É ladrão de mulher.
Ôba, então que bom
Que eu sou um palhaço!!!
Que bom que eu caço,
Que bom que eu laço,
Que bom que eu traço,
Meu destino e tentação.
E apesar de todo crivo,
Que bom que eu vivo,
Que bom que eu sirvo,
Que bom que eu sou João.
Que bom praticar esporte,
Me cansa, descansa,
Me torna criança,
E ajuda a adiar a morte.
Que bom que é ter sorte,
Ser jovem, ser forte,
E ter muito dinheiro.
Que bom que é ter fogo,
Que bom se tem jogo,
E se vence, o cruzeiro.
Que bom que é o Brasil,
Quando ele é servido,
Ao óleo e ao alho.
Que bom que é o Brasil,
Mesmo sendo sofrido,
Ele é nosso galho.

1 022

O Tempo e a Vida

O Tempo e a Vida

(04/96)

Da vida vivida, a medida é o estado de energia,
e o limite é o próprio tempo: remédio e dimensão.
Passado, presente e futuro, fases da cronologia,
resultante da vivência, da razão e emoção.

Não se vive do passado, o passado, já passou,
não se muda ou se arrepende, se aprende e a bola rola.
Se o presente está errado, se ele é o fardo que restou,
então se muda, se corrige ou se joga a vida fora.

A vida se apresenta e vivo hoje, e vivendo eu faço a hora.
O sonho, eu sonho agora e realizo no amanhã.
O passado foi embora, é uma novela que acabou.

Se o tempo não parou, não sou eu quem vai parar,
comete suicídio, quem vive de passa-tempo,
desperdiçar o momento, é a vida, que se quer matar.

855

Acróstico II

Acróstico II

(01/93)
Gracioso e doce, teu sorriso é a paz que nos encanta,
Acalenta, revigora e também nos faz sonhar,
Beija-flor que se preza, quer de ti aroma e beijos,
Ritual de ternura, simplesmente tens no olhar.
Iluminaste e completaste, ao raiares, nosso mundo,
Extravasando exuberância nas diversas dimensões,
Labaredas coloridas, de um amor mais que profundo,
Ateaste em nossas vidas e em nossos corações.

Carregas dentro em ti tanta luz, tanta alegria,
Retórica sublime sabes significar.
Inebriante, cada vez mais tu te tornas dia a dia,
Sensação de que a nós, sempre estarás a iluminar.
Tivesse eu o direito, de almejar a qualquer graça,
Intransigentemente saberia, sempre o que pedir.
Não seria ouro, ou pedras preciosas minha escolha,
A vida inteira somente, queria te ver sorrir.

813

Acróstico I

Acróstico I

(10/92)
Luz, raiaste, brilhaste intensamente,
Uníssono de louvor ao criador.
Instigante, deslumbrante, enaltecida,
Sangue, coração. Tu és só vida,
Acariciaste com tua presença nosso amor.

Cravo ou rosa? De que cor?
Anunciaste cedo que serias flor.
Retratada em prosa, verso ou aquarela,
Ostentas de maneira sempre bela,
Lindos, negros, olhos e cabelo a emoldurar.
Indescritível intensidade de amor, impossível de sonhar.
Nasceste para ser nossa rainha, nunca estarás sozinha,
Acima de tudo, viveremos pra te amar.

1 122

Soneto da Mulher Azul

Soneto da Mulher Azul

(10/93)
Me inspiro em ti, valor vital, inestimável,
E miro as sombras do teu lado inexplorado.
Mesmo da poesia, sendo inexperiente,
Transformo em versos teu mistério inescrutável.

Te sinto fonte, de prazer, inesgotável,
Mas meu desejo, de tão grande é inexistente,
Pois te alcançar, plenamente, é inexeqüível,
Se tu és, às vezes, tranca inexpugnável.

Não veja em mim um homem inescrupuloso,
Por procurar não explicar teu inexplicável,
E te vestir com essas metáforas inexatas.

Pois o teor das palavras talvez seja inexpressivo,
Diante da magia, que de forma inesperada,
Te esculpiu em minha mente, mulher inesquecível.

859

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.