Lista de Poemas
Predestinos
que, por domá-las, te farás escrava,
chamarás pelo rei que te esperava
como um troféu. E engrandeceu teu pranto.
No dia em que te vier o teu viajante
será pra te seguir na tua estrada.
Te banhará de luz na madrugada
e dormirá contigo como amante.
E no dia de partir o teu amado
Teus pés arrumarás bem a seu lado
com ele irás tecer cada manhã,
ou ele deixará a sua carruagem
e os dois - metades - se unirão na imagem
de um mesmo e doce fruto de maçã.
07.07.96
Poema do Desenlace
com uma dor tão intensa
com um furor tão sem forma
tão sem explicação ...
Como se estivéssemos
estraçalhando a vida
desmoronando tudo
o que nos pôs distantes...
Como se tivéssemos
que destruir universos
pra cumprirmos o que está escrito:
continuarmos cumprindo.
...e foi tanto o desejo
de rasgar os destinos...
Nós que rasgáramos todos os códigos
para nos tornarmos vidro,
assim nós nos rasgamos a nós próprios
sem solução e sem lucidez.
...para cada um permanecer
preso dentro dos olhos do outro
para em cada novo encontro
para sempre perguntarmos
por quê?
por quê?
Afinal... por quê?
21.06.96.
Soneto á Fala
Rota do Sol
Cala-te e partirei. Muda e sem abraço.
E esta distância se fará completa.
Fechamos esta escala de embaraços,
me defino sem ti, na rota certa.
Mas, cala! Que tua voz é como um laço
que me ata o sangue e minha calma afeta.
Se falas, estremeço e me desfaço,
e quedo, penitente, manifesta.
Se falas, eu me arrisco ao precipício,
como fêmea arrastada, como um vício
que avassala em inteira embriaguez.
Se ainda me amas, me poupa o sacrifício
desta distância. Leva-me á difícil
rota do sol. Ou cala de uma vez!
12.07.96
Poema dos Olhos
Carregados de uma busca indefinida
envolvidos em uma dor que me é palpável
tão sutil no olhar
no sentir tão denso.
Pões em mim os teus olhos.
E só há trevas. E a luz se foi.
Estranho essa agonia
que te arrebata e se expõe
mas os lábios não murmuram.
Há um pedido sem voz soluçando em teu silêncio.
Na garganta te travam
a culpa e o remorso
e te espumam no sangue
e em teus olhos te traem.
Amargura de mater dolorosa
sangra no teu olhar num só pedido.
Desço. Não sei se creio.
Vacilo e desço.
Em tua dor ponho afinal meus olhos
e te perdôo.
03.06.96
Conta-se um Tempo
breve tempo
em que para cada emoção se fez um poema.
Como tudo o que é belo é também frágil
conta-se também que esse tempo
foi um breve tempo.
Outrem
e os que atiram flores nos teus braços.
Os que semeiam cardos nos teus passos
e há quem aposte a vida em teu desgosto.
Seja um sorriso o teu único laço.
Saiba Deus se ele expressa bem teu gosto.
Não há limites para o que for posto
pelo silêncio de quem tens nos braços.
Olha pra quem põe luzes no teu rosto...
Descobre quem aposta em teu desgosto...
Teu amigo pode ser teu mal maior.
Que te guardes de crer na humana fala.
Anjos e demos numa mesma igualha
repartem dor e riso a teu redor.
11.07.96
Sonetos das Mãos
Não há de ser da tua mão esguia
que me virão o lanho e a ferida.
Não há de ser a tua, a que esvazia
as emoções guardadas pouco a pouco.
Nem há de ser das tuas mãos em prece
que esperarei as bênçãos de uma vida.
Chega-se ao bem - se um dia se merece -
pelo amor que se deu sem buscar troco.
Se há quem quer para mim o gosto amargo
que não me venha da tua boca o trago
a envenenar a mais meus longos dias.
Que não venha, jamais, punhal daninho
da tua destra! Cuidarás que o espinho
não esteja ele em tuas mãos esguias!
08.07.96
Reencontro
da incerteza encravadas nos espinhos.
Qual pássaro qualquer por sobre casas,
pelos telhados, por desfeitos ninhos.
E pousou frente a mim. Eram lilases
- do tom dos tristes nos seus descaminhos -
suas asas de silêncio. Tantas frases
embrulhadas no medo dos sozinhos.
Foi assim como pássaro ferido
que me buscou. Eram - não sei - de vidro
ou eram de susto os olhos que mostrou .
Pousou uma vez mais no meu vestido.
Trouxe um gorjeio novo a meu ouvido.
Foi assim que o guardei. E ele ficou.
06.07.96
Poema de uma Madrugada Lilás
estão transformadas.
Agora mesmo
um vendaval cavalga a madrugada lá fora.
Vergasta galhos e arrebata folhas
para cá do mar. Lá fora .
Mas entra no meu quarto
e está em mim.
Já não estou neste ermo,
parti para não sei, onde estiveres,
em algum lugar, num livro, num CD,
numa varanda talvez, ou numa sala.
Sei lá, onde estiveres...
Quatro séculos há em mim assassinados
e se rebelam,
e eu tenho que seguir
a me revelar na face de cristal
das tuas reminiscências
onde
ainda ontem grafaste o meu abraço.
E, não sei, não sei,
se do labirinto em que me enredei
ou me enredaste em saliva e carinho,
é possível sair.
Está escrito que eu tenho que seguir.
Mas não entendo
porque não te esperei pra vir contigo.
No entanto eu te amei.
Te reconheço.
Em segredo te amei.
Em silêncio te amei
Te amei em insônias,
e em confissão me amaste.
Talvez ainda...
Chove na madrugada do meu bairro.
Ainda sinto vibrando nos meus braços
a eletricidade do teu gozo
em um tempo que não marco
inscrito em algum tempo.
Nunca mais, nunca mais
terei nos olhos a angústia
ansiosa dos contidos
nem a placidez dos moribundos.
Nunca mais a morte dos que se perderam
sem direção.
Agora esta loucura
de pássaro distante
que conhece o seu rumo e sabe
o seu destino
e em vôo cego, desconhece o espaço.
Agora nos meus olhos
esta loucura
ansiedade de te ter e te guardar
do meu jeito.
Depois de ti nunca mais serei eu.
Serei só madrugada em insônia
e temporal
serei dor e dúvida e busca
e o repouso e a paz do teu encontro
e despedida e ansiedade nova e repetida,
e depois, e depois...
até quando?
Por que amar com lágrimas e esperas?
Por que amar nas noites deste quarto
em silêncio de trevas?
Se sei que a tua luz
bruxuleia no âmago do meu corpo
e se funde com a minha luz,
mas é quase um punhal
me ensinando a morrer.
Por que meu tormento e meu cárcere frio
se estás por aí
e eu te dou o meu colo e o meu beijo
e te abrigo
na febre do meu peito
e nas águas do meu ninho,
como em pia batismal de um só desejo.
Ah...
Não sabes de tempestades...
E se sabes
não entendes da minha tempestade
toda feita de perdão e de pedidos.
Quem tomará teu corpo a acarinhar teu dorso
como quem mata
o meu pedaço amado?
Se eu te protejo qual leoa brava
tomada de ciúmes...
Depois de ti nunca mais outra face de vida
haverá.
Só esta loucura que me faz servida
entre valvas de conchas
a ti
a teu querer
à tua espera.
(madrugada de 18.05.96)
Poema ao Amor Recém-Nascido
quarto de lua crescente.
No universo inteiro
tudo chegou ao tempo de crescer.
Deixa que cresça
deixa que amadureça
como o sol faz crescerem os trigais.
Deixa que nasça o pão
das espigas crescidas
e o alimente qual se nutre um corpo
na bandeja da emoção.
Deixa que cresça indomável.
Seja rebentação nos quebra-mares
das marés de enchente.
Faça-se grande qual só é grande a vida
invencível como só assim a morte.
Que seja um deus nos concedendo a graça
de escrevermos nós, nosso destino.
Deixa que cresça.
Que cresça e se mature
e multiplique qual no ventre térreo
planetário de sementes.
E depois, como chuva,
deixa que se esparrame
no universo
dos universos aonde possa ir,
maravilhado da própria grandeza.
Deixa que cresça e nos cubra.
E nos proteja como anjo-de-guarda
e nos leve pelas mãos
nas mãos da vida
que ele faz ressuscitar.
Deixa em silêncio,
deixa em canto suave,
deixa no toque de ternura nova,
deixa crescer em ti
que não deixaste
perder-se sem razão nossa verdade.
Vê. é crescente.
Quarto de lua crescente!
Doce criança, deixa-o crescer!
Em uma lua crescente de 1996.
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