Lista de Poemas

Sem Você

nenhuma metáfora
traduz a falta
nenhuma imagem
exata

faca encravada
nesse silêncio
dia sem dia
piada sem graça
acordar sem você
me mata


In: BARBOSA, Frederico. Nada feito nada. São Paulo: Perspectiva, 1993. (Signos, 15). Poema integrante da série 1 - Ocasionais
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Rarefacto

otra trilogía del tedio

Traducción de Manuel Ulacia
I

Ninguna voz humana aquí se pronunciallueve un fantasma anárquico, demolidor

extensa nada en el vacío de este desiertose anuncia como ausencia, carne en uña

olor silencioso en el viento escarpacorte de un espectro que se posa en el agua

II

Sentía el fin correr en las venas.Hay prisa: veía.Hubo un momento grave.(La película era mala. El cine, repleto.En la luz neblina, escondido, un cigarro.)Imposible escapar al pánico,prever el vacío probable.De pronto: el estallido.Terminal,la conciencia del cero rodando.Estado, condición, estado.Abre:

III

Avasallado por la piedra, insomne,descolorido, el crimen principiaen la alta hora de la noche vacíagana cuerpo en el transcurrir del día.

Gana cuerpo en el transcurrir del día,avasallado por la piedra insomnedolor de náusea delicada e infamede la alta hora de la noche vacía.

Dolor de náusea delicada, infame,en la alta hora en la noche vacíagana cuerpo en el transcurso, en el díaavasallada por la piedra, insomne.

Gana cuerpo en el transcurrir del día,dolor de náusea delicada e infamedescolorido, el crimen principiase alía al tedio impune y se disipa.

Poema em português
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Noite Branca

insônia sem seu corpo
desejo no vazio
frio e chuvoso

hora tanta larga e lenta
sem sono sem movimento

só um som se inicia nesse suspiro
imagem insidiosa e incendiária
esses "ésses" se insinuando
na memória das suas curvas
no sonho silêncio dos seus seios

1986


In: BARBOSA, Frederico. Rarefato. São Paulo: Iluminuras, 1990. p. 81. Poema integrante da série 4 - Aos Mesmos Sentimento
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Como quem lê

Virar a chave,como quem lê uma página:abrir por dentro,libertar-se sendo.Como quem se envolve na personagem,lento.

Descobrir o além do sonho,o impensado, o certo,o mais que imaginado.O que os olhos buscam cobrirno sonho.

Ver em você, minha cara,minha cara interpretada:metade minha, metade clara.

Poema em espanhol
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Na mira

quartetos
(fragmentos)

I

Em vão jogar dados contaminados:sempre esperando, caso sobre caso,acidente branco em campo minado,uma certa explosão em cada passo.

Apostar em conta-gotas viciado:certeza de fratura exposta em aço,circulo só rabisco nos quadrados,isca disfarçada em frágil acaso.

V

Escapo por pura sorte.O criminoso se enrola.A noite fere e explode,nenhuma estrela me chora.

Quando acordo pela morte,que falha, cala e consola,vislumbro o lume que foge,perfeita pedra por fora.

Poema em espanhol
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Rarefato

Outra trilogia do tédio

I

Nenhuma voz humana aqui se pronunciachove um fantasma anárquico, demolidor

amplo nada no vazio deste desertoanuncia-se como ausência, carne em unha

odor silencioso no vento escarpacorte de um espectro pousando na água

tudo que escoa em silêncio em tempo ecoa

II

Sentia o término correndo nas veias.Há pressa: via.Houve um momento grave.(O filme era ruim. O cinema, lotado.Na luz neblina, escondido, um cigarro.)Impossível escapar ao pânico,prever o vazio provável.De repente: o estalo.Terminal,a consciência do zero rondando.Estado, condição, estado.Abre:

III

Dominado pela pedra, insone,descolorido, o crime principianas altas horas de noite vaziaganha corpo no decorrer do dia.

Ganha corpo no decorrer do dia,dominado pela pedra insonedor de náusea delicada e infame,das altas horas da noite vazia.

Dor de náusea delicada, infame,nas altas horas na noite vaziaganha corpo no decorrer, no diadominada pela pedra, insone.

Ganha corpo no decorrer do dia,dor de naúsea delicada e infamedescolorido, o crime principiaalia-se ao tédio impune e some.

Poema em espanhol
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Certa Biblioteca Pessoal 1978

I

se é corvo
oh! nevermore!
diz: ovo! e
humpty dumpty
cai o mundo
movendo e
vamos indo
findo finnegan
rindo e... oh!
nevermore!

II

eliot pagando
em pound
a sandice dantes
no inferno:
wall street.

III

centauro cartesiano
cantor careca de
cadeiras, cogumelos
cogumelos?
meudeus! cogumelos!
fede a fresco
seis personagens
à cata do dog god
morcego cego
godot
ditando heitor
três voltas em fuga
... parou.
filhos de príamo
double dublin
moscou

IV

no mais nemirovich
gaivotas no cerejal
como queria tchecov
maiakóvski soprando
gorki lembrando
estudem, estudem!
dostoievski ou tolstoi?
tanto faz
tanto fez que
stanislavski
rouxinol seria cotovia?
mesmo mero, melhor homero
(tolstoi xingando)
morreu romeu e
marlowe comeu
manuscritos
na tumba.


In: BARBOSA, Frederico. Nada feito nada. São Paulo: Perspectiva, 1993. (Signos, 15). Poema integrante da série 4 - Certa Biblioteca Pessoal.

NOTA: Poema composto de 7 parte
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Na Mira: Quartetos, 1989

I

Em vão jogar dados contaminados
sempre esperando, caso sobre caso,
acidente branco em campo minado,
uma certa explosão em cada passo.

Apostar em conta-gotas viciado:
certeza de fratura exposta em aço,
círculo só rabisco nos quadrados,
isca disfarçada em frágil acaso.


In: BARBOSA, Frederico. Rarefato. São Paulo: Iluminuras, 1990. Poema integrante da série 1 - A Consciência do Zero.

NOTA: Poema composto de 10 partes, com 2 quadras cad
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All or Nothing at All

Tudo ou todo nada,
pedra ou furo d'água,
feito cada palavra,
lança, dardo, ferida,
em cheio nada.

De nada em nada,
o se-dizer do tudo,
feito risco na água,
onda, contorno,
reflexo de nada.

Nada feito nada,
no poema
não há termo meio,
meio-amor, meia-palavra.

Do sem
sentido intenso
se faz
um tudo atento,
feito a palavra
em
cantada,
nada
feito
nada.


In: BARBOSA, Frederico. Nada feito nada. São Paulo: Perspectiva, 1993. (Signos, 15). Poema integrante da série 5 - Repertório
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Effort F For Fake, 1981

não sendo muitos, eu
não vejo possibilidade de
escape.
nego.
possibilidade de

escape.
não sendo muitos, eu
nego.
não vejo
possibilidade de
não sendo muitos, eu
escape.
não vejo
nego.


In: BARBOSA, Frederico. Rarefato. São Paulo: Iluminuras, 1990. Poema integrante da série 1 - A Consciência do Zero
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