Lista de Poemas

Idiossincrasia

De tudo
Nada sou
Nada faço
Que não por mim

Egoísmo idiossincrático
Firo meus olhos
Me torno cega
Ao que me apequena
Como humana
E
Humanizada

"Me tirem daqui!"
Minha compaixão
Não cura
Não salva

A utilizo

E unicamente
Para me sentir
Melhor
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Quantas ml tem um amor?

Poema fruto
Do amor
Que desama
Sempre que
Parece amar

Bola de gude
Me fita
Sinto a sina
Da destreza
Em sua mão

Você me faz
Engolir a seco
A poesia
Não sobra nada
Além desses versos
Fra(s)cos
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Por que haveria de ser mais que um dia?

Capturar essa brisa
Que passa entre os dedos
Escolher permanecer
E observar o eriçar dos pelos

Compreender
O que o céu nublado
Tem a dizer

No espaço entre as nuvens
Ouvir um sussurrar
De algo mudo

O dia é um encaixar de 24h
E mais alguns minutos
Dispostos num tempo
Em que um é dia
E outro noite
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Li a placa de perigo e avancei

A perda de algo
que nunca possuí
noticiada em arrepios pelo corpo
vulto contorcido, quente
ereto
como se quisesse esvair
das fronteiras corporais
de onde o toque pungido
sangra a pele

do abandono crepitante
se forma o sofrido gemido
do gozo sentido
esqueço seu nome
volto para casa
em estalos
você é brasa
que não queima
evapora
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Eu preciso do mesmo combustível de um balão

tudo o que vejo pela minha janela
cheira a poesia
do filhote de pardal na torre da igreja
ao balançar de folhas nas copas das árvores

o céu nublado assombra
arrasta melancolia
me desfaço em nós
e prossigo íntegra

nas mãos
poemas de Maya Angelou
busco sentidos
palavras tangíveis
que caibam em mim
provoquem combustão

expandam meu ser polimerizado
como um balão
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Ao pôr do sol a vida é tão sofrida

escrevo quando parece
que tudo
o enorme nada
vai ruir, desmoronar
e me fragmentar em pedacinhos
granulados de mim

passeando pela praça
entre meia dúzia
de árvores da família Fabaceae
reflito

ao pôr do sol
a vida é tão sofrida
tão saturada
mas também tão sexy

num sábado que tudo abala
até quando você insiste
em ser inabalável
quando te atingem
com tapas, tomates e tiros
você diz
"está tudo bem aqui"

você se distrai
assiste, lê, ouve
emudece o barulho
que transcende
a própria fisiologia
o som não se propaga
no vácuo desse espaço

o ambiente amarelo
vestígio do dia quente
faz querer viver
e me lembra que não tenho vida

só existo enquanto escrevo
palavras vazias
e sem sentido
dançam, se conectam
e criam narrativas
fictícias e reais

se enlaçam entre os meu dedos
formando uma sopa de letrinhas
onde se lê "eu-lírico"
engulo tudo
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Menstruação

Traçar as letras que ditam
as banalidades da vida
sobre como sangra
esse meu corpo de mulher
todo mês

Carregar gramas de ferro e hemácias
depositar na calcinha
contorcer-se até pensar
"queria ser homem por um dia"

Minha biologia lamenta
todo dia 9
por aprisionar um órgão
causa de vida
e de certo
da minha morte

banalidades.
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Posso ler as linhas da sua mão

Marco as minhas digitais
Nas folhas de papel
Que irão tocar você
Para que assim
O [nosso] toque
Se faça
No vão das linhas
Dos meu dedos
Que vão de encontro
Aos seus
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Asfixia

Asfixiada por quem disse
Que jamais colocaria as mãos
Em minha garganta
Ela queima, estilhaça
Faz de mim cacos pontiagudos

Com as mãos dilaceradas
Recolho o que sobrou de nós
Cansada de arder
Me deito sobre o chão ensanguentado
A espera da dor coagular
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No meu imaginar a gente existe ou é

Sentada em frente a nossa escrivaninha
Escrevo memórias
De um amor
Que nunca aconteceu

Você me fita contemplativa
Sinto o calor
De um olhar
Que nunca me alcançou

Performo uma imagem
De cores, cheiros e sabores
Os quais nunca sentirei
Acordada
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