Lista de Poemas

Soneto a Bill Clinton

No Gabinete Oval onde o futuro
do mundo tanta vez foi decidido,
reina agora um priápico perjuro
e, sendo assim, o mundo está fodido.

Sem Hassans, nem Kadhafis, nem um Muro
para usar do poder que é investido,
o Bill só pensa em esfregar o membro duro
e, sendo assim, o mundo está fodido.

Não lhe basta, porém, a bela Hilária
e eis desata a comer a secretária
que no broche tem seu prato preferido.

Mas coisa mais espantosa de se ver
é o Congresso a precisar o que é foder
pois, sendo assim, o mundo está fodido.

1 313

Soneto a Bill Clinton – 2

Não há nos pavorosos arsenais
que da paz desmentem as esperanças
outra arma de efeitos tão letais
como aquele cacete do Arkansas.

Cada vez que ele se entesa, as capitais
entram em crise, tremem as finanças,
as bolsas caem, sobem os jornais,
experimenta o mundo drásticas mudanças.

Picha mirífica, quase omnipotente,
carnal farol que guia o ocidente,
purpúreo sol da potência hegemónica.

Se eu tivesse um instrumento assim,
guardava-o numa torre de marfim,
jamais o dava a chupar à Mónica.

1 151

Namoro

Num banco de jardim estava eu,
sentado ao lado dela a namorava.
O lago era cetim, veludo o céu,
Cupido com mil setas me alvejava.

Já envolto naquele fogo que arde
sem se ver, debaixo das cuecas,
esperava passar a longa tarde
entre beijos, apalpões e meias-lecas.

Apaixonado disse à mulher amada :
estreita-me mais no teu abraço,
aperta contra o meu teu coração.

E vai daí a gaja ergueu o braço
e o pivete me cravou um tal cagaço
que desmaiado logo tombei no chão.

1 357

Azares do caralho

Cansado de engolir caralhos que não via
um velho que do cu fizera ofício
achou por muito bem mudar de vício
e dar também aos olhos alegria.

Assim pensando, ergueu-se o debochado
e frente ao espelho, careca e todo nu,
põe-se a rezar responsos pelo cu
e a soluçar: repousa, ó desgraçado.

Ei-lo que sai em busca de um amante.
A sorte está com ele: logo ali adiante
uma picha se oferece aos seus lábios trementes.

Mas... ó maldito azar! Fica em meio o trabalho
porque o outro lhe foge com o duro caralho
donde pende, asquerosa, a placa dos dentes.

2 015

Serôdia paixão da meia idade

Serôdia paixão da meia-idade
me desbravou o peito insanamente
com uns olhos da cor da mocidade,
com uns lábios que beijei sofregamente.

O amor não escolhe tempo nem idade,
é doce mal que cresce de repente
e que a mim trouxe também a ansiedade
de na cama me mostrar incompetente.

Porém, estudei o caso em que envolvido
me achei, meio achado meio perdido
e tive a calma visão dos seus contornos –

era só questão de tempo ela encontrar
outro burro mais novo a quem se dar
deixando-me a roer um par de cornos...

1 716

O affair Clinton – moral da história

Se um dia, menina, fores achada
chupando o duro membro masculino
e se alguém exclamar – grande mamada!
não cores nem lamentes teu destino.

Cita antes a doutrina dimanada
do Congresso americano, como um hino -
não há o sexo oral, o broche é nada,
um contacto, talvez, mas pequenino...

E deixa-os lá dizer – olha a brochista!
ou olhar-te de soslaio com ar trocista
ou fingir que não te vêem, por maldade

porque a lusa moral é uma pindérica
comparada com a verdade da América
onde tudo é questão de oralidade.

1 087

Depois de amar tão loucamente

Depois de te amar tão loucamente,
depois dessa paixão que me abrasou,
depois dessa tesão omnipotente
que os ossos do bom senso devorou,

achei-me um dia só, subitamente,
perguntando-me – agora onde é que vou
sem ninguém a quem amar intensamente,
sem ninguém a quem me dar tal como sou?

E a resposta não veio. Fiquei sozinho
afogando-me em desespero e vinho,
em tristes píveas, em anti-depressivos

e de ti, que hoje és apenas história,
guardo somente a saudosa memória
num pintelho entalado entre os incisivos.

1 209

Lamentação da beata

Catorze quecas me deu
o padre da minha aldeia
no tempo que decorreu
entre o jantar e a ceia.
Fosse a sua parenética
igual à sua tesão
e adeus ó fé soviética,
adeus Marx, adeus Islão.
Porém a língua lhe fica
presa num tom de falsete
porque só a lubrifica
com o óleo do minete.
Perdeu-se assim um Vieira
por ponderosas razões -
maior que o peso da alma
foi o peso dos colhões.
Foi em vão todo o trabalho
do seminário contra o vício,
marcou um ponto o caralho
na peida do Santo Ofício.

1 386

Talvez por ler demais filosofia

Talvez por ler demais filosofia
aquela adolescente graciosa
ficou feia, ficou triste, ficou fria,
perdeu o fresco encanto de uma rosa.

Afundou-se-lhe o peito em agonia
na arca das costelas de onde a prosa
deu ordem de despejo à poesia
para viver da fama palavrosa.

A vagina se cobriu de estéreis teias,
secamente fodida por ideias,
rejeitando do Amor as ternas artes

e hoje ao vê-la sombria quando passa,
sem cu nem mamas, eu maldigo a raça
dos Kants, Lockes, Hobbes e Descartes.

1 204

Esse cu que deu brado

Esse cu que deu brado e que foi musa
de versos ímpios e desejos escandalosos
chora agora sob o shador da blusa
lamentando seu passado em ais gasosos.

Não fora tanto gozo e tanta tusa,
tantos metros de picha bem gostosos
e talvez que essa peida que se escusa
ainda brilhasse entre os traseiros famosos.

Porém, choveu sobre ela a celulite
e esse cu que era pura dinamite
hoje é cu de esconder, não de mostrar...

cuidai-vos, pois, que o prazer tem um limite
e se bem que esta verdade nos irrite,
cu não é pra foder, é pra cagar.

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Identificação e contexto básico

**Nome:** Fernando Correia Pina **Nacionalidade:** Português **Língua de escrita:** Português

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Fernando Correia Pina são limitadas em fontes públicas. Sabe-se que a sua vida esteve ligada à vida cultural portuguesa.

Percurso literário

Fernando Correia Pina dedicou-se à escrita poética, publicando obras que lhe garantiram um lugar no panorama literário português. Não há registos extensos sobre colaborações em revistas, jornais ou antologias, nem sobre atividades como crítico, tradutor ou editor.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias **Obras principais:** "Sonetos para um tempo de agora" (1968), "O tempo em nós" (1974), "Memória de um tempo" (1983). **Temas dominantes:** Amor, saudade, a passagem do tempo, a memória, a efemeridade da existência, a reflexão sobre a condição humana. **Forma e estrutura:** Frequentemente utiliza formas poéticas clássicas, como o soneto, demonstrando um domínio técnico e uma predileção pela estrutura formal. **Recursos poéticos:** Uso de metáforas e imagens que evocam sentimentos de melancolia e introspeção. A musicalidade dos versos é também uma característica notável. **Tom e voz poética:** O tom é predominantemente lírico, elegíaco e reflexivo. A voz poética é pessoal e confessional, explorando a subjetividade. **Linguagem e estilo:** A linguagem é cuidada, elegante e por vezes densa, com um vocabulário que contribui para a atmosfera contemplativa das suas obras. **Movimentos literários:** A sua obra pode ser associada à linha lírica e reflexiva da poesia portuguesa, com influências que dialogam com a tradição, mas com uma sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Fernando Correia Pina viveu e produziu a sua obra num período de significativas transformações em Portugal, incluindo o final do Estado Novo e a transição para a democracia. A cultura portuguesa da segunda metade do século XX foi marcada por debates sobre identidade, liberdade e a modernização da sociedade, contextos que podem ter influenciado a sua reflexão sobre o tempo e a memória.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Fernando Correia Pina, como relações familiares, amizades ou crenças específicas, não são amplamente divulgadas em fontes públicas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Fernando Correia Pina é reconhecida pela sua qualidade literária e pela profundidade lírica. As suas publicações, como "Sonetos para um tempo de agora" e "O tempo em nós", são exemplos da sua persistência na exploração de temas universais através da poesia.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado O seu legado reside na sua contribuição para a poesia lírica portuguesa, com uma obra que se destaca pela sua maturidade temática e estilística. A sua exploração do tempo e da memória oferece uma perspetiva introspectiva sobre a experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Correia Pina convida à reflexão sobre a condição humana, a beleza efêmera da vida e a força da memória. A análise crítica tende a focar na sua mestria formal e na capacidade de evocar sentimentos de saudade e contemplação.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Devido à escassez de informações biográficas detalhadas, há poucos aspetos curiosos amplamente conhecidos sobre Fernando Correia Pina.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações amplamente divulgadas sobre as circunstâncias da morte de Fernando Correia Pina ou sobre publicações póstumas de relevo.