Escritas

Lista de Poemas

Namoro

Num banco de jardim estava eu,
sentado ao lado dela a namorava.
O lago era cetim, veludo o céu,
Cupido com mil setas me alvejava.

Já envolto naquele fogo que arde
sem se ver, debaixo das cuecas,
esperava passar a longa tarde
entre beijos, apalpões e meias-lecas.

Apaixonado disse à mulher amada :
estreita-me mais no teu abraço,
aperta contra o meu teu coração.

E vai daí a gaja ergueu o braço
e o pivete me cravou um tal cagaço
que desmaiado logo tombei no chão.

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Soneto a Bill Clinton – 2

Não há nos pavorosos arsenais
que da paz desmentem as esperanças
outra arma de efeitos tão letais
como aquele cacete do Arkansas.

Cada vez que ele se entesa, as capitais
entram em crise, tremem as finanças,
as bolsas caem, sobem os jornais,
experimenta o mundo drásticas mudanças.

Picha mirífica, quase omnipotente,
carnal farol que guia o ocidente,
purpúreo sol da potência hegemónica.

Se eu tivesse um instrumento assim,
guardava-o numa torre de marfim,
jamais o dava a chupar à Mónica.

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Soneto a Bill Clinton

No Gabinete Oval onde o futuro
do mundo tanta vez foi decidido,
reina agora um priápico perjuro
e, sendo assim, o mundo está fodido.

Sem Hassans, nem Kadhafis, nem um Muro
para usar do poder que é investido,
o Bill só pensa em esfregar o membro duro
e, sendo assim, o mundo está fodido.

Não lhe basta, porém, a bela Hilária
e eis desata a comer a secretária
que no broche tem seu prato preferido.

Mas coisa mais espantosa de se ver
é o Congresso a precisar o que é foder
pois, sendo assim, o mundo está fodido.

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Azares do caralho

Cansado de engolir caralhos que não via
um velho que do cu fizera ofício
achou por muito bem mudar de vício
e dar também aos olhos alegria.

Assim pensando, ergueu-se o debochado
e frente ao espelho, careca e todo nu,
põe-se a rezar responsos pelo cu
e a soluçar: repousa, ó desgraçado.

Ei-lo que sai em busca de um amante.
A sorte está com ele: logo ali adiante
uma picha se oferece aos seus lábios trementes.

Mas... ó maldito azar! Fica em meio o trabalho
porque o outro lhe foge com o duro caralho
donde pende, asquerosa, a placa dos dentes.

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Depois de amar tão loucamente

Depois de te amar tão loucamente,
depois dessa paixão que me abrasou,
depois dessa tesão omnipotente
que os ossos do bom senso devorou,

achei-me um dia só, subitamente,
perguntando-me – agora onde é que vou
sem ninguém a quem amar intensamente,
sem ninguém a quem me dar tal como sou?

E a resposta não veio. Fiquei sozinho
afogando-me em desespero e vinho,
em tristes píveas, em anti-depressivos

e de ti, que hoje és apenas história,
guardo somente a saudosa memória
num pintelho entalado entre os incisivos.

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Serôdia paixão da meia idade

Serôdia paixão da meia-idade
me desbravou o peito insanamente
com uns olhos da cor da mocidade,
com uns lábios que beijei sofregamente.

O amor não escolhe tempo nem idade,
é doce mal que cresce de repente
e que a mim trouxe também a ansiedade
de na cama me mostrar incompetente.

Porém, estudei o caso em que envolvido
me achei, meio achado meio perdido
e tive a calma visão dos seus contornos –

era só questão de tempo ela encontrar
outro burro mais novo a quem se dar
deixando-me a roer um par de cornos...

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O affair Clinton – moral da história

Se um dia, menina, fores achada
chupando o duro membro masculino
e se alguém exclamar – grande mamada!
não cores nem lamentes teu destino.

Cita antes a doutrina dimanada
do Congresso americano, como um hino -
não há o sexo oral, o broche é nada,
um contacto, talvez, mas pequenino...

E deixa-os lá dizer – olha a brochista!
ou olhar-te de soslaio com ar trocista
ou fingir que não te vêem, por maldade

porque a lusa moral é uma pindérica
comparada com a verdade da América
onde tudo é questão de oralidade.

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Lamentação da beata

Catorze quecas me deu
o padre da minha aldeia
no tempo que decorreu
entre o jantar e a ceia.
Fosse a sua parenética
igual à sua tesão
e adeus ó fé soviética,
adeus Marx, adeus Islão.
Porém a língua lhe fica
presa num tom de falsete
porque só a lubrifica
com o óleo do minete.
Perdeu-se assim um Vieira
por ponderosas razões -
maior que o peso da alma
foi o peso dos colhões.
Foi em vão todo o trabalho
do seminário contra o vício,
marcou um ponto o caralho
na peida do Santo Ofício.

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Talvez por ler demais filosofia

Talvez por ler demais filosofia
aquela adolescente graciosa
ficou feia, ficou triste, ficou fria,
perdeu o fresco encanto de uma rosa.

Afundou-se-lhe o peito em agonia
na arca das costelas de onde a prosa
deu ordem de despejo à poesia
para viver da fama palavrosa.

A vagina se cobriu de estéreis teias,
secamente fodida por ideias,
rejeitando do Amor as ternas artes

e hoje ao vê-la sombria quando passa,
sem cu nem mamas, eu maldigo a raça
dos Kants, Lockes, Hobbes e Descartes.

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Colchão eléctrico

Que noite, Serafim. Que noite memorável!
Vinte vezes me vim e tu sempre prestável,
sempre em cima de mim, o cu a dar a dar
e eu num gozo sem fim, com ganas de gritar.
Que noite, Serafim. Foi assim como um choque
sempre a correr por mim, a cona num bitoque,
a pedir mais chinfrim, gulosa do caralho -
fogoso berbequim em ardente trabalho.
Que noite, Serafim. Electrizante estado
de volúpia atingi até que te vieste
de cabelos em pé, ofegando ao meu lado
dizendo em confissão
com ar triste de fado -
a merda do colchão
estava mal isolado.

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