Cláudio Manuel da Costa

Cláudio Manuel da Costa

1729–1789 · viveu 60 anos BR BR

Cláudio Manuel da Costa foi um poeta brasileiro do período arcádico, conhecido por sua contribuição para o desenvolvimento da poesia em Minas Gerais. Sua obra, marcada pela serenidade, pela busca da harmonia clássica e pela temática bucólica, reflete os ideais estéticos do Arcadismo, ao mesmo tempo em que antecipa elementos que viriam a configurar a identidade literária brasileira.

n. 1729-06-05, Mariana · m. 1789-07-04, Ouro Preto

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Temei, Penhas

Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra meu coração guerra tão rara
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano;

Vós que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei: que Amor tirano
Onde há mais resistência mais se apura.

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Poemas

12

Soneto

Estes os olhos são da minha amada,
Que belos, que gentis e que formosos!
Não são para os mortais tão preciosos
Os doces frutos da estação dourada.

Por eles a alegria derramada
Tornam-se os campos de, prazer gostosos.
Em zéfiros suaves e mimosos
Toda esta região se vê banhada.

Vinde olhos belos, vinde, e enfim trazendo
Do rosto do meu bem as prendas belas,
Dai alívio ao mal que estou gemendo.

Mas ah! delírio meu que me atropelas!
Os olhos que eu cuidei que estava vendo,
Eram (quem crera tal!) duas estrelas.

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LXXI (Sonetos) [Eu cantei, não o nego, eu algum dia

Eu cantei, não o nego, eu algum dia
Cantei do injusto amor o vencimento;
Sem saber, que o veneno mais violento
Nas doces expressões falso encobria.

Que amor era benigno, eu persuadia
A qualquer coração de amor isento;
Inda agora de amor cantara atento,
Se lhe não conhecera a aleivosia.

Ninguém de amor se fie: agora canto
Somente os seus enganos; porque sinto,
Que me tem destinado estrago tanto.

De seu favor hoje as quimeras pinto:
Amor de uma alma é pesaroso encanto;
Amor de um coração é labirinto.


Publicado no livro Obras (1768).

In: COSTA, Cláudio Manuel da. Obras. Introd. cronol. e bibliogr. Antônio Soares Amora. Lisboa: Bertrand, 1959. (Obras primas da língua portuguesa
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Comentários (5)

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Um Zé ninguém
Um Zé ninguém

Pense num homi fei

Jorge
Jorge

Pois é ele é um cara mt bom

Sulamita
Sulamita

Tbm ??

Witoria
Witoria

Acho mt bom os poemas de Cláudio Manuel da Costa.??