Lista de Poemas
A Rua Em Mim
na pirâmide fofa ardente, areia
cobrindo olhos dedos pensamento e tudo.
Rua dos Monjolos, e me desfaço milho
pilado lancinante em água.
Rua do Cascalho, arrastam meus despojos
feridos sempremente. Rua Major Laje,
salvai, parente velho, este menino
desintegrado.
Rua do Matadouro, eu vi que sem remédio.
Rua Marginal, é sempre ao lado ao longe o amor.
Ao longe e sem passagem na Ladeira Estreita.
Rua Tiradentes, aprende e cala a boca.
Travessa da Fonte do Caixão, e tudo acaba?
Rua da Piedade, Rua da Esperança,
Rua da Água Santa, e ao úmido milagre
me purifico, e vida.
A Moça Ferrada
todos juram.
Cada qual conta coisa diferente,
e todas concordantes.
Dizem que à noite, ela. Ela o quê?
E com quem? Com viajantes
que somem sem rastro
gabando no caminho
os espasmos secretos (tão públicos) da moça.
Sobe a moça
a ladeira da igreja
para a reza de todas as tardes.
De branco perfeitíssimo,
alta, superior, inabordável
(luxúria de mil-folhas sob o véu,
murmura alguém).
À noite é que acontecem coisas
no quarto escuro. Ganidos de prazer,
escutados por quem? se ninguém passa
na rua de altas horas-muro?
Pouco importa, a moça está marcada,
marca de rês na anca, ferro em brasa
de língua popular.
Sina
os moços são disputados
para ofício de marido.
Não há rapaz que não tenha
uma, duas, vinte noivas
bordando no pensamento
um enxoval de desejos,
outro enxoval de esperanças.
Depois de muito bordar
e de esperar na janela
maridos de vai-com-o-vento,
as moças, murchando o luar,
já traçam, de mãos paradas,
sobre roxas almofadas,
hirtas grades de convento.
O Melhor Dos Tempos
em nossa belle époque.
Em casa de João Torres
há saraus constantes.
Na de Chico Cândido,
na de Emílio Novais,
na de Zé Carvalho,
a valsa espirala
suas curvas lentas.
Sempre a serenata
prateia o silêncio
dos casarões altivos.
A flauta flautíssima
de Mário Terceiro
faz terremotos líricos.
Vavá, Clínton, Astolfo,
mais Totoque e Lilingue
rogam suavemente
que Stela abra a janela
e abrigue corações
transidos de frio,
desfeitos em música.
Quem ousa, noturno,
furtar jabuticabas
em quintais caninos,
é para deixá-las,
votivas,
no peitoril das deusas
de boa família,
anonimamente.
Já de madrugada
os meigos ladrões
e magos cantores
lá vão degustar
os pastéis de queijo
de João Bicudo,
o licor discutível
de Zé Pereira.
Manhã rósea, passa
o batalhão infantil
(Minervino comanda)
e bate continência
às gentis moçoilas.
Tudo é mimo, graça.
Belle époque é fato
da história mineira.
Primeira Eleição
e Rui Barbosa
lá vêm guerreando
pela montanha.
Olha a trovoada!
A pena, a espada,
qual perde, ganha?
E na sacada
o brado rouco,
o retintim,
a espora, a hora
do boletim.
Toda a cidade
se apaixonando.
Mas das mulheres
o voto, quando?
Menino vota
no faz de conta.
Ruísta, hermista,
sangue na crista!
Somos de Rui
os vexilários.
Já tudo rui
entre os contrários.
O formidando
som da vitória:
ao município
tamanha glória.
Doces projetos,
altos propósitos,
sonhos urbanos,
ideais humanos.
Rui vencedor.
Viva o Brasil
… de Hermes na posse.
Tosse? Bromil.
Noticiário Vivo
longe, sai de casa sem café.
Desce a ladeira, vai parando,
assuntando o que se passa na Rua de Santana
e em toda parte.
Última estação: aqui em casa.
Toma café reforçado, conta
o que há ou não há ou pode haver
sob as telhas escuras da cidade.
Conta naturalmente, sem malícia,
jornal falado das nove horas.
E ao serviço, antes que toque
a sineta irrevogável de Mestre Emílio.
Ficamos sabendo de tudo de todos.
Ficarão sabendo tudo de nós,
amanhã, de manhã,
na Rua de Santana e em qualquer parte?
Abrãozinho
largou a amante sem se despedir.
Foi para o Rio fazer o quê?
Sentar no banco em frente ao Supremo
Tribunal Federal,
estourar a tiro a própria cabeça,
fazendo justiça
a si mesmo, crime
ignorado até de si mesmo.
A carta de suicida
— “Me firmo Abraão Elias” —
nada esclarece.
Aniversário de João Pupini
No silente Caminho Novo,
sete tiros da carabina.
Eu nada escuto do meu quarto.
Ninguém escuta, de tão longe.
Mas adivinho sete tiros
estampados na noite fria.
É João Pupini festejando
seu natalício italiano,
atirando contra as estrelas
o chumbo gaio de estar vivo.
É João Pupini ameaçando
o sono azul do município,
o equilíbrio e a paz do mundo.
Já se eriça, irado, o bigode
marcial de Guilherme 2o.
O czar, o king George, Francisco
José e mais altas potências
protestam contra o despropósito
de João Pupini fazer anos
declarando guerra mundial.
O delegado de polícia,
sentinela internacional,
convoca seu destacamento:
“Eia, sus, ao Caminho Novo,
a prender o guerreiro doido,
que além de ser mau elemento
vota sempre na oposição”.
Sua casa logo arrombada
a coronha, facão e ombro,
João Pupini dá o sumiço
pelos fundos de treva e brejo,
embolado mais a família,
pois lutar contra a Força Pública,
nem o ousara Napoleão.
Mas é preso nos vãos atalhos
em que zaranza atarantado,
e recolhido à enxovia
o formidando atirador.
Nem Deus te salva, João Pupini!
(fico cismando, no sem sono
de carabina, junho e noite.)
Solitário, incomunicável,
Pupini diz: “Vou suplicar
à autoridade justiciosa
o direito de fazer anos
e jovialmente celebrá-lo”.
Mas retrucam-lhe: “Assine e sele
petição na forma da lei”.
Onde papel, no úmido escuro
do xadrez todo enxadrezado
de feros ferros e ferrolhos?
Onde estampilha, Deus do céu,
se só uma barata sela,
no chão da cela, madrugada,
a prova de estar acordada?
Sem requerer, como provar
que, entre mil mortos e feridos
pela arma-fúria de Pupini,
estão todos salvos, tranquilos?
Como explicar ao Presidente,
a Hermes, Pinheiro, Jangote,
que ninguém fez mal a ninguém?
Tiro de noite é novidade
na cidade sem distração
e noite por demais comprida?
O rádio está por inventar,
a televisão, nem se fala.
Quem tem fogo vai despejá-lo
na horta gelada, por que não?
Ainda há dias, rente ao quartel,
no rancho insone do Thiers,
tiros sem alvo pipocaram,
ninguém foi preso, até foi bom
ouvir alguém vencer o tédio
detonando a salva nervosa
que infundia vida ao mar morto.
Mas João Pupini, suspeitado
(suspeita, não: certeza plena)
de sorrir para os perdedores
da eleição presidencial;
João ruísta, João subversivo,
João celebrar seu nascimento
a poder de bala, o bandido?
Lá dorme João no chão sem lã.
Estou sentindo: a poucos passos
da cadeia ali bem em frente,
e dormirá tempos e luas,
se ruístas alvoroçados
não soltarem pelas quebradas
o latino grito: Habeas corpus.
(Que só mais tarde entenderei.
Por enquanto, perto de mim,
algo se passa, impercebido,
como sempre se passam coisas
no deserto Caminho Novo
ou
neste menino peito ansioso.)
Velhaco
no dólmã de brim cáqui.
Vendeu sua terra sem plantação,
sem criação, aguada, benfeitoria,
terra só de ferro, aridez
que o verde não consola.
E não vendeu a qualquer um:
vendeu a Mr. Jones,
distinto representante de Mr. Hays Hammond,
embaixador de Tio Sam em Londres-belle-époque.
Zico Tanajura passou a manta em Suas Excelências.
De alegria,
vai até fazer a barba no domingo.
Ei, Bexiga!
justa, recendem. A hortelã
das balas pincela um frio verdoendo
na boca.
Tudo vem de longe, de São Paulo,
para Seu Foscarini, distribuidor de delícias.
E um homem desses vai morrer de varíola?
A Idade-média enrola a cidade
em cobertor de pânico.
Sete dias se fecham as portas
se acendem velas
sem leite sem pão sem saúde pública
joelhos em terra exortam a sagrada ira
a poupar os que não são italianos e fundaram
este chão de Deus sem bexigas.
Pereça, coitado, Seu Foscarini,
mas as velhas famílias se salvem.
Levam Seu Foscarini para o lazareto,
que não é lazareto, é um casebre desbeiçado
no campo onde a cobra pasta
vírgulas de tédio.
Nunca mais chocolates, licorinos
caramelos, magia de São Paulo?
Rezo por Seu Foscarini,
que milagrosamente se salva
e fecha a confeitaria.
Comentários (12)
Sembouquempisons
Sembouquempisons
Um pouco mais Drummond na vida.
Conheci este poema aos 12 anos e ele me tocou profundamente. Na época pensava sobre Hiroshima, mas sua sagacidade abriu minha consciência para o horror do poder e da perversidade humana. Viva Drumond!
O eterno poeta... o maior , o mias belo... o imortal encantador.
Alguma Poesia
1930
Brejo Das Almas
1934
Sentimento do Mundo
1940
José
1942
A rosa do povo
1945
Novos Poemas
1948
Claro Enigma
1951
Fazendeiro do Ar
1954
A falta que ama
1957
Versiprosa
1967
Versiprosa II
1967
A vida passada a limpo
1973
As impurezas do branco
1973
O amor natural
1978
Antologia poética
1978
Discurso de primavera e algumas sombras
1978
A paixão medida
1980
Corpo
1984
Amar se aprende amando
1985
Boitempo
1986
Farewell
1996
Daqui Estou Vendo o Amor
2013
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Drummondiando #3 - "Morte do leiteiro", de Carlos Drummond de Andrade
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Verdade | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
[FUVEST | UNICAMP #6] Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade) + áudio Sentimento do Mundo
Igor Guimarães | Verbo Ser | Carlos Drummond de Andrade
Filipe de Gaspari | Tarde de Maio | Carlos Drummond de Andrade
Não Se Mate - Carlos Drummond de Andrade
#450 Presépio - Carlos Drummond de Andrade - Conto um Conto
Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro [Itabira] MG, 1902 - Rio de Janeiro RJ, 1987) formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista.
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã.
Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996).
Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia. 1902 Nasce Carlos Drummond de Andrade, em 31 de outubro, na cidade de Itabira do Mato Dentro (mg), nono filho de Carlos de Paula Andrade, fazendeiro, e Julieta Augusta Drummond de Andrade.
1910 Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito.
1916 É matriculado como aluno interno no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte. Conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco. Interrompe os estudos por motivo de saúde.
1917 De volta a Itabira, toma aulas particulares com o professor Emílio Magalhães.
1918 Aluno interno do Colégio Anchieta da Companhia de Jesus, em Nova Friburgo, colabora na Aurora Colegial. No único exemplar do jornalzinho Maio…, de Itabira, o irmão Altivo publica o seu poema em prosa “Onda”.
1919 É expulso do colégio em consequência de incidente com o professor de português. Motivo: “insubordinação mental”.
1920 Acompanha sua família em mudança para Belo Horizonte.
1921 Publica seus primeiros trabalhos no Diário de Minas. Frequenta a vida literária de Belo Horizonte. Amizade com Milton Campos, Abgar Renault, Emílio Moura, Alberto Campos, Mário Casassanta, João Alphonsus, Batista Santiago, Aníbal Machado, Pedro Nava, Gabriel Passos, Heitor de Sousa e João Pinheiro Filho, habitués da Livraria Alves e do Café Estrela.
1922 Seu conto “Joaquim do Telhado” vence o concurso da Novela Mineira. Trava contato com Álvaro Moreyra, diretor de Para Todos… e Ilustração Brasileira, no Rio de Janeiro, que publica seus trabalhos.
1923 Ingressa na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte.
1924 Conhece, no Grande Hotel de Belo Horizonte, Blaise Cendrars, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que regressam de excursão às cidades históricas de Minas Gerais.
1925 Casa-se com Dolores Dutra de Morais. Participa — juntamente com Martins de Almeida, Emílio Moura e Gregoriano Canedo — do lançamento de A Revista.
1926 Sem interesse pela profissão de farmacêutico, cujo curso concluíra no ano anterior, e não se adaptando à vida rural, passa a lecionar geografia e português em Itabira. Volta a Belo Horizonte e, por iniciativa de Alberto Campos, ocupa o posto de redator e depois redator-chefe do Diário de Minas. Villa-Lobos compõe uma seresta sobre o poema “Cantiga de viúvo” (que iria integrar Alguma poesia, seu livro de estreia).
1927 Nasce em 22 de março seu filho, Carlos Flávio, que morre meia hora depois de vir ao mundo.
1928 Nascimento de sua filha, Maria Julieta. Publica “No meio do caminho” na Revista de Antropofagia, de São Paulo, dando início à carreira escandalosa do poema. Torna-se auxiliar na redação da Revista do Ensino, da Secretaria de Educação.
1929 Deixa o Diário de Minas e passa a trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do estado, como auxiliar de redação e, pouco depois, redator.
1930 Alguma poesia, seu livro de estreia, sai com quinhentos exemplares sob o selo imaginário de Edições Pindorama, de Eduardo Frieiro. Assume o cargo de auxiliar de gabinete de Cristiano Machado, secretário do Interior. Passa a oficial de gabinete quando seu amigo Gustavo Capanema assume o cargo.
1931 Morre seu pai.
1933 Redator de A Tribuna. Acompanha Gustavo Capanema durante os três meses em que este foi interventor federal em Minas.
1934 Volta às redações: Minas Gerais, Estado de Minas, Diário da Tarde, simultaneamente. Publica Brejo das almas (duzentos exemplares) pela cooperativa Os Amigos do Livro. Transfere-se para o Rio de Janeiro como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, novo ministro da Educação e Saúde Pública.
1935 Responde pelo expediente da Diretoria-Geral de Educação e é membro da Comissão de Eficiência do Ministério da Educação.
1937 Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.
1940 Publica Sentimento do mundo, distribuindo entre amigos e escritores os 150 exemplares da tiragem.
1941 Mantém na revista Euclides, de Simões dos Reis, a seção “Conversa de Livraria”, assinada por “O Observador Literário”. Colabora no suplemento literário de A Manhã.
1942 Publica Poesias, na prestigiosa Editora José Olympio.
1943 Sua tradução de Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, vem a lume sob o título Uma gota de veneno.
1944 Publica Confissões de Minas.
1945 Publica A rosa do povo e O gerente. Colabora no suplemento literário do Correio da Manhã e na Folha Carioca. Deixa a chefia do gabinete de Capanema e, a convite de Luís Carlos Prestes, figura como codiretor do diário comunista Tribuna Popular. Afasta-se meses depois por discordar da orientação do jornal. Trabalha na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (dphan), onde mais tarde se tornará chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamento.
1946 Recebe o Prêmio de Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d’Oliveira.
1947 É publicada a sua tradução de Les liaisons dangereuses, de Laclos.
1948 Publica Poesia até agora. Colabora em Política e Letras. Acompanha o enterro de sua mãe, em Itabira. Na mesma hora, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é executado o “Poema de Itabira”, de Villa-Lobos, a partir do seu poema “Viagem na família”.
1949 Volta a escrever no Minas Gerais. Sua filha, Maria Julieta, casa-se com o escritor e advogado argentino Manuel Graña Etcheverry e vai morar em Buenos Aires. Participa do movimento pela escolha de uma diretoria apolítica na Associação Brasileira de Escritores. Contudo, juntamente com outros companheiros, desliga-se da sociedade por causa de atritos com o grupo esquerdista.
1950 Viaja a Buenos Aires para acompanhar o nascimento do primeiro neto, Carlos Manuel.
1951 Publica Claro enigma, Contos de aprendiz e A mesa. O volume Poemas é publicado em Madri.
1952 Publica Passeios na ilha e Viola de bolso.
1953 Exonera-se do cargo de redator do Minas Gerais ao ser estabilizada sua situação de funcionário da dphan. Vai a Buenos Aires para o nascimento do seu neto Luis Mauricio. Na capital argentina aparece o volume Dos poemas.
1954 Publica Fazendeiro do ar & Poesia até agora. É publicada sua tradução de Les paysans, de Balzac. A série de palestras “Quase memórias”, em diálogo com Lia Cavalcanti, é veiculada pela Rádio Ministério da Educação. Dá início à série de crônicas “Imagens”, no Correio da Manhã, mantida até 1969.
1955 Publica Viola de bolso novamente encordoada. O livreiro Carlos Ribeiro publica edição fora de comércio do Soneto da buquinagem.
1956 Publica Cinquenta poemas escolhidos pelo autor. Sai sua tradução de Albertine disparue, ou La fugitive, de Marcel Proust.
1957 Publica Fala, amendoeira e Ciclo.
1958 Uma pequena seleção de seus poemas é publicada na Argentina.
1959 Publica Poemas. Ganha os palcos a sua tradução de Dona Rosita la Soltera, de García Lorca, pela qual recebe o Prêmio Padre Ventura.
1960 É publicada a sua tradução de Oiseaux-Mouches Ornithorynques du Brésil, de Descourtilz. Colabora em Mundo Ilustrado. Nasce em Buenos Aires seu neto Pedro Augusto.
1961 Colabora no programa Quadrante, da Rádio Ministério da Educação. Morre seu irmão Altivo.
1962 Publica Lição de coisas, Antologia poética e A bolsa & a vida. Aparecem as traduções de L’oiseau bleu, de Maeterlinck, e Les fourberies de Scapin, de Molière, recebendo por esta novamente o Prêmio Padre Ventura. Aposenta-se como chefe de seção da dphan, após 35 anos de serviço público.
1963 Aparece a sua tradução de Sult (Fome), de Knut Hamsun. Recebe, pelo livro Lição de coisas, os prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, e Luísa Cláudio de Sousa, do pen Clube do Brasil. Inicia o programa Cadeira de Balanço, na Rádio Ministério da Educação.
1964 Publicação da Obra completa, pela Aguilar. Início das visitas, aos sábados, à biblioteca de Plínio Doyle, evento mais tarde batizado de “Sabadoyle”.
1965 Publicação de Antologia poética (Portugal); In the middle of the road (Estados Unidos); Poesie (Alemanha). Com Manuel Bandeira, edita Rio de Janeiro em prosa & verso. Colabora em Pulso.
1966 Publicação de Cadeira de balanço e de Natten och Rosen (Suécia).
1967 Publica Versiprosa, José & outros, Uma pedra no meio do caminho, Minas Gerais (Brasil, terra e alma), Mundo, vasto mundo (Buenos Aires) e Fyzika Strachu (Praga).
1968 Publica Boitempo & A falta que ama.
1969 Passa a colaborar no Jornal do Brasil. Publica Reunião (dez livros de poesia).
1970 Publica Caminhos de João Brandão.
1971 Publica Seleta em prosa e verso. Sai em Cuba a edição de Poemas.
1972 Publica O poder ultrajovem. Suas sete décadas de vida são celebradas em suplementos pelos maiores jornais brasileiros.
1973 Publica As impurezas do branco, Menino antigo, La bolsa y la vida (Buenos Aires) e Réunion (Paris).
1974 Recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.
1975 Publica Amor, amores. Recebe o Prêmio Nacional Walmap de Literatura. Recusa por motivo de consciência o Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal.
1977 Publica A visita, Discurso de primavera e Os dias lindos. É publicada na Bulgária uma antologia intitulada Sentimento do mundo. Grava 42 poemas em dois lps lançados pela PolyGram.
1978 A Editora José Olympio publica a segunda edição (corrigida e aumentada) de Discurso de primavera e algumas sombras. Publica O marginal Clorindo Gato e 70 historinhas, reunião de pequenas histórias selecionadas em seus livros de crônicas. Amar-Amargo e El poder ultrajoven saem na Argentina.
1979 Publica Poesia e prosa, revista e atualizada, pela Editora Nova Aguilar. Sai também seu livro Esquecer para lembrar.
1980 Recebe os prêmios Estácio de Sá, de jornalismo, e Morgado Mateus (Portugal), de poesia. Publicação de A paixão medida, En Rost at Folket (Suécia), The minus sign (eua), Poemas (Holanda) e Fleur, téléphone et jeune fille… (França).
1981 Publica, em edição fora de comércio, Contos plausíveis. Com Ziraldo, lança O pipoqueiro da esquina. Sai a edição inglesa de The minus sign.
1982 Aniversário de oitenta anos. A Biblioteca Nacional e a Casa de Rui Barbosa promovem exposições comemorativas. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publica A lição do amigo. Sai no México a edição de Poemas.
1983 Declina do Troféu Juca Pato. Publica Nova reunião e o infantil O elefante.
1984 Publica Boca de luar e Corpo. Encerra sua carreira de cronista regular após 64 anos dedicados ao jornalismo.
1985 Publica Amar se aprende amando, O observador no escritório, História de dois amores (infantil) e Amor, sinal estranho (edição de arte). Lançamento comercial de Contos plausíveis. Publicação de Fran Oxen Tid (Suécia).
1986 Publica Tempo, vida, poesia. Sofrendo de insuficiência cardíaca, passa catorze dias hospitalizado. Edição inglesa de Travelling in the family.
1987 É homenageado com o samba-enredo “O reino das palavras”, pela Estação Primeira de Mangueira, que se sagra campeã do Carnaval. No dia 5 de agosto morre sua filha, Maria Julieta, vítima de câncer. Muito abalado, morre em 17 de agosto.
Português
English
Español
Drummond, sempre Drummond!
simplesmente o melhor e maior poeta brasileiro! Itabirano de ferro!!
....quase uma quadrilha à moda portuguesa. A quadrilha daquela assembleia que nenhuma História quer ver entrar, de tanto entrarem e saírem dos bancos levam a população a crer que estamos a saque
.....sobre o que não se conhecia e, ébrio por conhecer vem porque o admira. Ele é muito reconhecido em Portugal e muito lido por uma vasta comunidade académica
Poeta completo.
Admiro muito este poeta e contista. Sua poesia mais contundente para mim e, Os ombros suportam o Mundo e a Rosa do Povo.
Adoro, fico extasiada quando leio os seus poemas