Lista de Poemas
Os 27 Filmes de Greta Garbo
Para mim são 24. Lembra-me bem.
Conto um por um, de 1926
a 1941, de vida contínua.
De minha vida. De The Torrent a Two-faced woman.
Entre os dois, um abismo
onde aprisionei, para meu gozo, Greta Garbo.
Ou ela me aprisionou?
Será que não houve nada disso?
Alucinação, apenas?
O tempo é imperscrutável. São tudo visões.
Greta Garbo, somente uma visão, e eu sou outra.
Neste sentido nos confundimos,
realizamos a unidade da miragem.
É assim que ela perdura
no passado irretratável e continua no presente,
esfinge andrógina que ri
e não se deixa decifrar.
Contei-os todos: 24 filmes americanos. Meus.
Não me interessam diretores.
Monta Bell, Fred Niblo, Clarence Brown,
nem penso em Edmund Goulding, para mim não existem
Victor Seastrom, Sidney Franklin, John S. Robertson.
Esqueço Jacques Feyder, esqueço Robert Z. Leonard,
de que me serve George Fitzmaurice, não careço
de Rouben Mamoulian e Richard Boleslawski,
para o inferno com George Cukor,
e com ele Lubitsch!
Dela quiseram fazer uma ninfa obediente,
autômato de impulsos programados.
Foram vencidos.
E que farei de seus galãs? Tenho pena
de meros circunstantes entulhando
a rota de alva solidão.
Não vou sequer nomeá-los. Sombras-sombras
que um dia tremularam... se apagando.
Todo o espaço é ocupado por Greta Garbo.
Na mínima tela dos olhos, na imensa
perspectiva do jovem de 24 anos, e de 24 filmes
a desfilarem até o espectador beirando 40 anos,
que já tem suas razões de descrer e deslembrar
e não deslembra. Sempre a seu lado Greta Garbo.
Caminhamos juntos. Não nos falamos. Não é importante.
Súdito da Rainha Cristina, atento à voz de contralto
de Ana Christie, espião da espiã Mata Hari,
disfarço-me de groom no Grande Hotel
para conferi-la na intimidade sem véus de bailarina.
Não julgo seus adultérios burgueses
nem me revolta sua morte espatifada contra a árvore
ou sob as rodas da locomotiva.
Sou seu espelho, seu destino.
Faço-me o que ela deseja. As you desire me.
E aprofundo a lição de Pirandello
na ambiguidade do cinema. Que é um filme?
Que é a realidade do real
ou da ficção?
Que é personagem de uma história
mostrada no escuro, sempre variável,
sempre hipótese,
na caleidoscópica identidade da intérprete?
Como posso acreditar em Greta Garbo,
nas peles que elegeu
sem nunca se oferecer de todo para mim,
para ninguém?
Enganou-me todo o tempo. Não era mito
como eu pedia. Escorregando entre os dedos
que tentavam fixá-la,
Marguerite Gauthier, Lillie Sterling,
Susan Lenox, Rita Cavallini,
Arden Stuart,
Marie Walewska, água, água, múrmura água
deslizante,
máscaras tapando a grande máscara
para sempre invisível.
A vera Greta Garbo não fez os filmes
que lhe atribui minha saudade.
Tudo se passou em pensamento.
Mentem os livros, mentem os arquivos
da ex-poderosa Metro Goldwin Mayer.
Agora estou sozinho com a memória
de que um dia, não importa em sonho,
imaginei, maquinei, vesti, amei Greta Garbo.
E esse dia durou 15 anos.
E nada se passou além do sonho
diante do qual, em torno ao qual, silencioso,
fatalizado,
fui apenas voyeur.
Retrolâmpago de Amor Visual
tenho mais de cem:
Barbara La Marr
e Louise Fazenda,
tenho Theda Bara
e Olive Borden,
Bessie Barriscale
e Virginia Valli.
Tenho Marion Davies,
tenho Clara Bow,
tenho Alice Calhoun,
tenho Betty Compson,
tenho Nancy Carroll,
e Norma Talmadge
e Anita Stewart,
e Mildred Harris
e Lya de Putti,
que se suicidou,
como Lupe Velez.
Tenho Nazimova,
Mae Murray, Mae Marsch
e ainda Mae Busch
e Edna Purviance,
Ruth Roland, Ruth
Chatterton, Julia Faye,
tenho Ethel Clayton,
tenho Kathlyn Williams,
tenho Gladys Brockwell,
morta num desastre.
Eis Anna May Wong
com Alice Joyce
e Constance Bennett.
Tenho Agnes Ayres
e Elissa Landi,
tenho Mary Bryan
e Dorothy Gish
e Alice Brady
e Renée Adorée.
Guardo bem o nome
de Marie Prévost
e de Phyllis Haver,
o de Mabel Normand,
o de Fanny Ward,
o de Helen Costello,
o de Pearl White.
E de Alma Rubens
nunca mais me esqueço.
Lembro Nita Naldi,
Pauline Frederick,
Geraldine Farrar,
Clara Kimball Young,
lembro Elsie Ferguson
distantes, distantes.
E lembro Ann Sheridan
e Kay Francis lembro
e Carole Lombard
morta no avião
como Linda Darnell
morta no incêndio.
Tenho namoradas
que outros não namoram,
como Zasu Pitts,
Maria Ouspenskaya
e Marie Dressler.
Namoradas mortas?
Tenho mais de mil.
E das sem notícias
tenho outras tantas.
Onde se esconderam
Aileen Pringle, Viola
Dana, Louise Brooks?
Não sei onde foram
nem Pauline Starke
nem Blanche Sweet
nem Madge Bellamy
nem Gloria Stuart.
Ainda sinto falta
de Corinne Griffith,
de Louise Glaum
e de Anita Page,
de Olga Petrova
e de Mary Philbin,
de Virginia Pearson,
e Mary Miles Minter,
de Claudette Colbert
e Karen Morley,
de Irene Castle
e de Billie Dove.
Que é de Irene Rich,
onde vai Kay Johnson?
Ah, Dorothy Dalton
e Leatrice Joy!
May Mac Avoy
e Dorothy Mackaill,
Eleonor Boardman
e Alice Terry,
Margaret Livingstone
e Claire Windsor,
a todas recordo
e sumiram todas.
Sumiu Lila Lee,
sumiu Lois Wilson.
Florence Vidor
nunca mais voltou.
Sumiu Colleen Moore.
Nunca mais voltou
Madlaine Traverse.
Nunca mais voltaram
Madleine Carrol
e Bebé Daniels
e Evelyn Brent.
Quem dará notícia
de Carmel Myers?
De June Caprice
e de Estelle Taylor?
de Betty Blytte,
de Priscilla Dean?
Onde, Shirley Mason?
Ann Dvorak, onde?
Onde Pola Negri
e Laura La Plante?
Quem viu Esther Ralston,
Arlette Marchal,
também Vilma Banky?
Ai, namoradas
desaparecidas
tenho não sei quantas.
Obrigado, Alex
Viany, escusa
de contar-me certo
o fim que levaram.
Melhor não saber,
ou fazer que não.
Em frente da tela
branca para os outros,
para mim repleta
de signos e signos
tão indestrutíveis
que nem meu cansaço
de velho olhador
logra dissipá-los,
sem timbre nostálgico,
atual e sempre,
mantenho a leitura
deste sentimento
de amor visual.
Invocação Irada
nas fibras da carne
na saliva,
no ouro da mina ficou o nome.
Ó nome desleal que me escavacas
qual se fosses punhal ou fero abutre,
que te fiz para assim permaneceres
dentro de meu ser, se fora dele
não existes nem notícia te preserva?
Foge, foge de mim para tão longe
quanto alcance a mente humana delirante.
Suplico-te que deixes
um vácuo sem esperança de lotar,
amplo, soturno espaço irremediável,
mas deixa-me, larga-me, evapora-te
de toda a vida minha e meu pensar.
Sei que não me escutas,
és indiferente a todo apelo
nem dependes de teu próprio querer.
Gás flutuante,
perversa essência eterna torturante,
vai-te embora, vai,
anel satânico de vogais e consoantes
que esta boca repete sem querer.
E Aconteceu a Primavera
Que alguém te cante e te descante,
ficou urgente, Primavera,
para que ao menos em cantiga,
neste papel aberto às gentes,
a flor antiga se restaure.
Te cantarei em Pernambuco,
onde és cidade, e no Pará,
onde mulheres plantam malva
sob o título municipal,
e em Rondônia cantarei
a corredeira Primavera,
pois nesses nomes de lugares
e num acidente geográfico
tu pousaste como um pássaro,
modesto pássaro cinzento
de asas pretas e cauda preta,
só a lembrar, no papo branco,
extintas primaveridades.
Primavera que tanto habitas
a bráctea rósea da buganvília
(em que jardins à vista ocultos
sob a fumaça que é nosso azul
residual?),
como habitavas, parnasiana,
o soneto crônico e clássico
dos poetas consumidores
de velhos tópicos europeus,
é forçoso que alguém celebre
o ímpeto juvenil da Terra
mesmo poluída, desossada,
Terra assim mesmo, seiva nossa.
E te ofereço, Primavera,
a arvorezinha de brinquedo
em pátio escolar plantada,
enquanto lá fora se ensina
como derrubar, como queimar,
como secar fontes de vida
para erigir a nova ordem
do Homem Artificial.
Ah, Primavera, me desculpa
se corto em meio uma floresta
latifoliada, pois tenho pressa
de correr na estrada de Santos.
Não te zangues se já não vês
em teu perene séquito lírico
aquele sininho-flor, descoberto
em longes tempos por George Gardner
e que soava só no Brasil:
foi preciso (teria sido?)
matar o verde, substituí-lo
pela neutra cor uniforme
que é uniforme do Progresso.
Primavera, primula veris,
em palavra quedas intacta,
em palavra pois te deponho
a minha culpa coletiva,
o meu citadino remorso,
minha saudade de água, bicho,
terra encharcada de promessas,
e visões e asas e vozes
primitivas e eternas, como
eterno (e amoroso) é o homem
ligado ao quadro natural.
Primavera, fiz um discurso?
Primavera, tu me perdoas?…
II
— 22 de setembro, mina minha.
Vamos curtir a primavera
em compact cassete tape, meu morango?
Bota aí o Botticelli
estereoutransfigurado em Debussy
e vê (primeiro fecha os olhos) Simonetta
Vespucci toda flor
florentil florindamente
(bulcão?) entre corolas e resinas
da flora da Tijuca…
— Não. Prefiro o Sacré du Printemps
que transa a primavera mais primeva.
Assim, no sala-e-escuro
dos sala-e-quarto conjugados
os dois ficamos respeitando
um princípio de seiva e de nenúfar,
enquanto a chuva — plic — tamborina
seu samba de uma nota só
na área de serviço.
É primavera, broto-brinco:
saiu no jornal,
a TV anunciou,
o Governo consentiu,
o Congresso aplaudiu
o comércio vendeu
arranjos de ikebana
e em algum lugar florescem três-marias
que são muitas marias, muitos nomes.
Vamos também curtir os nomes
(são presentes do povo à gente-bem):
riso-do-prado
(cadê o prado?),
amor-de-estudante
(pobre! no cursinho
que vira cursão
e invade o Brasil),
unha-de-gato
(envenenado
no Passeio Público?),
sempre-viçosa…
isto! A esperança
pousa na balança
o seu peso-pluma.
— Você tá esquecido
da maria-branca,
da pombinha-das-almas
e da noivinha…
Asas-pseudônimos
de primavera.
(Ah, vero barato
esse de brincar
de estação das flores
de concreto-objeto!)
— Oi, depressa, vamos
semear canteiros,
preparar estacas
e mergulhões,
plantar tubérculos
de cromo-gladíolos,
túberas de dálias
e tinhorões,
repicar sementeiras,
controlar lagartas,
ácaros e trips,
dizimar pulgões.
(Ui, primavera é fogo
se levada a sério!)
— Vamos pintar de verde
as áreas crestadas,
pôr na parede
a árvore genealógica,
comprar um sabiá
mecânico,
sortear
o beija-flor de beijar cimento?
É primavera, escuta o Burle Marx:
diz que havia jardins
em torno das casas,
havia matas
a cavaleiro das cidades,
florestas
onde o jacarandá e o mogno conversavam
a conversa de séculos.
(Fecharam o bico,
chegado o eucalipto.)
Broto gentil, a primavera
será um sonho de sonhar-se
na fumaça
no grito
no sem azul deserto
das cidades mortas que se julgam vivas?
Ceia Em Casa de Simão (Evangelho de Lucas, Vii, 36-50)
I
Ai que jantares monótonos,
em casa de fariseus!
São tudo regras e ritos…
Mas louvado seja Deus.
Simão recebia Cristo,
medindo cada palavra.
Era uma ceia? Um ardil?
Jesus comia e calava.
A porta abriu-se. Que forma
perturbadora vem lá?
Em casa tão pura, a impura
mulher que a todos se dá.
Se Cafarnaú inteira
lhe censura a vida obscena,
de quem partira o convite
a Maria Madalena?
Maria, porém, não veio
sentar-se à mesa. Hesitante,
feito cachorro batido,
erra na sala um instante.
E divisando de Cristo
o magro vulto sentado,
a seus pés se joga, súbito,
no pranto mais desatado.
E o pranto, molhando as plantas
de Cristo, não se exauria.
Era um fogo, eram um tormento
que nele se dissolvia.
O pé esquerdo e o direito
já se lavam nesse orvalho,
enquanto a mulher semelha
pomba pedindo agasalho.
Agora os beija. E, ao beijá-los,
neles vai depositando,
por força de suas lágrimas,
um peso que se faz brando.
Eis que Madalena enxuga,
entre piedosos desvelos,
os pés de Cristo nas tranças
de seus noturnos cabelos.
Bálsamo tira de um vaso,
para lentamente ungi-los.
Só quando o aroma se espalha,
seus membros quedam tranquilos.
II
Mas Simão pensa consigo:
“Se o Profeta vive ciente
do que dorme no futuro,
por que não sabe o presente?
Não percebe, não vislumbra,
sob a face enganadora
de quem o toca, de rastros,
uma extrema pecadora?”
Então, sentindo-lhe n’alma
essa equívoca pergunta,
diz-lhe Cristo, com doçura
a que firmeza se junta:
“Simão, escuta. Um homem
tinha dois devedores.
Um devia quinhentos, outro apenas
cinquenta dinheiros. Entretanto
nenhum dos dois podia resgatar
sua dívida.
O credor lhes perdoa, a um e outro.
Responde:
qual dos dois devedores lhe dará
mais amor?”
“Mestre, penso eu, aquele
a quem mais foi perdoado.”
“Disseste bem. Pois vês esta mulher?
Eu vim à tua casa e não me deste
um pouco d’água para lavar os pés.
Ela, porém, com seu choro os banhou,
com sua cabeleira os enxugou.
Simão, não me beijaste. Ela, ao contrário,
desde o primeiro instante até agora,
cobre-me os pés de beijos repetidos.
Com que perfume ungiste meus cabelos?
Ela derrama bálsamo a meus pés.
E por isso te digo: seus pecados,
pelo seu muito amor, sejam perdoados.
Mas aquele a quem menos se perdoa,
menos amor, em troca, esse nos doa.
Estás limpa, Maria, de pecado.”
III
Pasmo, susto, irreprimida
surpresa nos convidados:
quem é o homem estranho
que até perdoa pecados?
E enquanto entre si, confusos,
doidamente discutiam,
do corpo de Madalena
sete demônios fugiam,
como fumaças no campo,
ao sol moreno de agosto,
e na boca arrependida
ficava um divino gosto.
“Tua fé te salvou, Maria. Vai em paz.”
IV
Esses jantares monótonos,
em casa de fariseus!
A festa acabou. Cansaço.
Mas uma ceia mais bela,
de criatura e de criador,
se desenrola no espaço,
pela graça e amor de Deus.
Som
vou curtir um som
dissonante dos sonidos
som
ressonante de sibildos
som
sonotinto de sonalhas
nem sonoro nem sonouro
vou curtir um som
mui sonso, mui insolúvel
som não sonoterápico
bem insondável, som
de raspante derrapante
rouco reco ronco rato
som superenrolado
como se sona hoje em noite
vou curtir, vou curtir um som
ausente de qualquer música
e rico de curtição.
Dois Sonhos
Sonha (?) tigres enviesados a chamá-lo
para a fraternidade no jardim.
Gato sonhando, talvez sonho de homem?
Continua dormindo, enquanto ignoro
a natureza e o limite do seu sonho
e por minha vez
também me sonho (inveja) gato no jardim.
Queda
numa antecipação de morte sem dor.
Em um desvão do corpo bruxuleia a chama
que o dia claro alimentava, ardência.
Cai a tarde... Como foi? tarde
é um cair na faixa sigilosa
do ser imóvel em que nos transformamos
e essa hora de exploração do dia,
fria.
Não importa o sol regresse com o prestígio
de reinventar a vida albente.
A tarde, a triste tarde caiu. Caímos
imorredouramente.
O Peso de Uma Casa
merecia de mim um soneto ou uma ode.
Eu não soube entendê-la e não soube trová-la.
Só resta, exígua estampa, o frescor de uma sala.
Aquela egrégia escada, aquela austera mesa
sumiram para sempre em lances de incerteza.
Caem móveis em pó, e ondulantes cortinas
deixaram de esvoaçar no silêncio de Minas.
Ouço o tlintlim de um copo, o espocar de uma rolha,
sonidos hoje iguais ao virar de uma folha.
Cada tábua estalando em insônia sussurra
a longa tradição da família casmurra.
E os passos dos antigos, a grita das crianças
migram do longe-longe em parábolas mansas.
Perco-me a visitar a clausura dos quartos
e neles eis entrevejo, no escorrer de lagartos,
formas acidentais de uma angústia infantil
a estruturar-se logo em castelo febril.
Sou eu só a portar o peso dessa casa,
que afinal não é mais que sepultura rasa.
Arte Em Exposição
O amor te escolheu
por seres a mais casta
entre virgens ideais.
A união é do ar
e da água e do pão
em migalhas.
AUTORRETRATO (Soutine)
Sou eu ou não sou eu?
Sou eu ou sou você?
Sou eu ou sou ninguém,
e ninguém me retrata?
MÚSICOS CEGOS (Velázquez)
Violino e guitarra são videntes,
olham pelos olhos dos cantantes.
RETRATO DE MADAME HÉBUTERNE (Modigliani)
Plantada na torre do pescoço,
a cabeça, na altura,
mal percebe nossas inquietações de planície.
O GRITO (Munch)
A natureza grita, apavorante.
Doem os ouvidos, dói o quadro.
LEDA (Da Vinci)
Já gozaste demais, diz Leda ao cisne.
Que venha logo Jove cataclismo.
GENTIL HOMEM BÊBADO (Carrà)
De Baudelaire o conselho:
É preciso estar sempre bêbado.
Além do imaginário e do real
é preciso estar sempre sóbrio
para pintar a bebedeira.
ODALISCA VERMELHA (Matisse)
A indolência da odalisca em rosa rubra
respira paz de lânguido fervor.
A sensualidade se dilui:
pura cor.
A CADEIRA (Van Gogh)
Ninguém está sentado,
mas adivinha-se o homem angustiado.
A CIGANA ADORMECIDA (Henri Rousseau)
Para te acordar
do sono profundo
disfarço-me: leão
que ao te roçar
esquece a missão.
A PONTE DE MANTES (Corot)
Assim quisera eu ser:
ponte árvore canoa água serena
ignorante de tudo mais bem longe.
A ANUNCIAÇÃO (Fra Angelico)
O anjo desprende-se da arquitetura
para dar a notícia
precisamente conforme a traça
de sublime arquiteto.
ALMOÇO SOBRE A RELVA (Manet)
Conversamos placidamente
junto da nudez
que pela primeira vez
não nos alucina.
VÊNUS E O ORGANISTA (Ticiano)
O som envolve a nudez
e chega ao cachorrinho.
O músico esquece a partitura.
As pulseiras de Vênus não escutam.
TIRADENTES (Portinari)
Fez-se a burocrática justiça.
O trono dorme invencível vingado.
Postas de carne do sonhador
referem o caminho das minas.
CAFÉ NOTURNO (Van Gogh)
Alucinação de mesas
que se comportam como fantasmas
reunidos
solitários
glaciais.
TRANSVERBERAÇÃO DE SANTA TERESA (Bernini)
Visão celestial, doce delírio.
Da cabeça aos pés nus
êxtase (orgasmo?) relampeia.
RETRATO DO CASAL ARNOLFINI (Jan van Eyck)
A imagem reproduz-se até o sem-fim.
O casal sem filhos
gera continuamente nos espelhos
a imagem de perpétuo casamento.
SALOMÉ (Giorgione)
Que instinto maternal, que suavidade
embala esta cabeça decepada?
VÊNUS ADORMECIDA (Giorgione)
Acalenta no sono
o púbis acordado.
JARDIM DO MANICÔMIO (Van Gogh)
O jardim onde passeia a ausência de razão
é todo ele ordem natural.
A terra acolhe o desvario
que assimila a verdura e a leveza do ar.
VOLTAIRE (Houdon)
O mundo não merece gargalhada. Basta-lhe
sorriso de descrença e zombaria.
SAPATOS (Van Gogh)
Cansaram-se de caminhar
ou o caminho se cansou?
AUTORRETRATO COM COPO DE VINHO (Chagall)
Seja celebrada a alegria nas alturas
por cima dócil das mulheres.
A cavalo melhor se chega ao céu.
QUADRO I (Mondrian)
Universo passado a limpo.
Linhas tortas ou sensuais desaparecem.
A cor, fruto de álgebra, perdura.
CARNAVAL DE ARLEQUIM (Miró)
Descobri que a vida é bailarina
e que nenhum ponto inerte
anula o viravoltear das coisas.
FUZILAMENTO NA MONCLOA (Goya)
Balé de tiros gritos corpos derrubados.
A lanterna tranquila
acena para a esperança da Ressurreição.
AS TRÊS GRAÇAS (Rubens)
Curvilíneos volumes se consultam
e concluem:
Beleza é redundância.
PIETÀ (Miguel Ângelo)
Dor é incomunicável.
O mármore comunica-se,
acusa-nos a todos.
A DUQUESA DE ALBA (Goya)
Ser o cachorrinho da Duquesa
é de certo modo
ser uma partícula da Duquesa.
GIOCONDA (Da Vinci)
O ardiloso sorriso
alonga-se em silêncio
para contemporâneos e pósteros,
ansiosos, em vão, por decifrá-lo.
Não há decifração. Há o sorriso.
RETRATO DE ERASMO DE ROTTERDAM
(Quentin Metsys)
Santidade de escrever,
insanidade de escrever
equivalem-se. O sábio
equilibra-se no caos.
Comentários (12)
Sembouquempisons
Sembouquempisons
Um pouco mais Drummond na vida.
Conheci este poema aos 12 anos e ele me tocou profundamente. Na época pensava sobre Hiroshima, mas sua sagacidade abriu minha consciência para o horror do poder e da perversidade humana. Viva Drumond!
O eterno poeta... o maior , o mias belo... o imortal encantador.
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Brejo Das Almas
1934
Sentimento do Mundo
1940
José
1942
A rosa do povo
1945
Novos Poemas
1948
Claro Enigma
1951
Fazendeiro do Ar
1954
A falta que ama
1957
Versiprosa
1967
Versiprosa II
1967
A vida passada a limpo
1973
As impurezas do branco
1973
O amor natural
1978
Antologia poética
1978
Discurso de primavera e algumas sombras
1978
A paixão medida
1980
Corpo
1984
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Boitempo
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1996
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#450 Presépio - Carlos Drummond de Andrade - Conto um Conto
Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro [Itabira] MG, 1902 - Rio de Janeiro RJ, 1987) formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista.
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã.
Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996).
Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia. 1902 Nasce Carlos Drummond de Andrade, em 31 de outubro, na cidade de Itabira do Mato Dentro (mg), nono filho de Carlos de Paula Andrade, fazendeiro, e Julieta Augusta Drummond de Andrade.
1910 Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito.
1916 É matriculado como aluno interno no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte. Conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco. Interrompe os estudos por motivo de saúde.
1917 De volta a Itabira, toma aulas particulares com o professor Emílio Magalhães.
1918 Aluno interno do Colégio Anchieta da Companhia de Jesus, em Nova Friburgo, colabora na Aurora Colegial. No único exemplar do jornalzinho Maio…, de Itabira, o irmão Altivo publica o seu poema em prosa “Onda”.
1919 É expulso do colégio em consequência de incidente com o professor de português. Motivo: “insubordinação mental”.
1920 Acompanha sua família em mudança para Belo Horizonte.
1921 Publica seus primeiros trabalhos no Diário de Minas. Frequenta a vida literária de Belo Horizonte. Amizade com Milton Campos, Abgar Renault, Emílio Moura, Alberto Campos, Mário Casassanta, João Alphonsus, Batista Santiago, Aníbal Machado, Pedro Nava, Gabriel Passos, Heitor de Sousa e João Pinheiro Filho, habitués da Livraria Alves e do Café Estrela.
1922 Seu conto “Joaquim do Telhado” vence o concurso da Novela Mineira. Trava contato com Álvaro Moreyra, diretor de Para Todos… e Ilustração Brasileira, no Rio de Janeiro, que publica seus trabalhos.
1923 Ingressa na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte.
1924 Conhece, no Grande Hotel de Belo Horizonte, Blaise Cendrars, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que regressam de excursão às cidades históricas de Minas Gerais.
1925 Casa-se com Dolores Dutra de Morais. Participa — juntamente com Martins de Almeida, Emílio Moura e Gregoriano Canedo — do lançamento de A Revista.
1926 Sem interesse pela profissão de farmacêutico, cujo curso concluíra no ano anterior, e não se adaptando à vida rural, passa a lecionar geografia e português em Itabira. Volta a Belo Horizonte e, por iniciativa de Alberto Campos, ocupa o posto de redator e depois redator-chefe do Diário de Minas. Villa-Lobos compõe uma seresta sobre o poema “Cantiga de viúvo” (que iria integrar Alguma poesia, seu livro de estreia).
1927 Nasce em 22 de março seu filho, Carlos Flávio, que morre meia hora depois de vir ao mundo.
1928 Nascimento de sua filha, Maria Julieta. Publica “No meio do caminho” na Revista de Antropofagia, de São Paulo, dando início à carreira escandalosa do poema. Torna-se auxiliar na redação da Revista do Ensino, da Secretaria de Educação.
1929 Deixa o Diário de Minas e passa a trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do estado, como auxiliar de redação e, pouco depois, redator.
1930 Alguma poesia, seu livro de estreia, sai com quinhentos exemplares sob o selo imaginário de Edições Pindorama, de Eduardo Frieiro. Assume o cargo de auxiliar de gabinete de Cristiano Machado, secretário do Interior. Passa a oficial de gabinete quando seu amigo Gustavo Capanema assume o cargo.
1931 Morre seu pai.
1933 Redator de A Tribuna. Acompanha Gustavo Capanema durante os três meses em que este foi interventor federal em Minas.
1934 Volta às redações: Minas Gerais, Estado de Minas, Diário da Tarde, simultaneamente. Publica Brejo das almas (duzentos exemplares) pela cooperativa Os Amigos do Livro. Transfere-se para o Rio de Janeiro como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, novo ministro da Educação e Saúde Pública.
1935 Responde pelo expediente da Diretoria-Geral de Educação e é membro da Comissão de Eficiência do Ministério da Educação.
1937 Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.
1940 Publica Sentimento do mundo, distribuindo entre amigos e escritores os 150 exemplares da tiragem.
1941 Mantém na revista Euclides, de Simões dos Reis, a seção “Conversa de Livraria”, assinada por “O Observador Literário”. Colabora no suplemento literário de A Manhã.
1942 Publica Poesias, na prestigiosa Editora José Olympio.
1943 Sua tradução de Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, vem a lume sob o título Uma gota de veneno.
1944 Publica Confissões de Minas.
1945 Publica A rosa do povo e O gerente. Colabora no suplemento literário do Correio da Manhã e na Folha Carioca. Deixa a chefia do gabinete de Capanema e, a convite de Luís Carlos Prestes, figura como codiretor do diário comunista Tribuna Popular. Afasta-se meses depois por discordar da orientação do jornal. Trabalha na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (dphan), onde mais tarde se tornará chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamento.
1946 Recebe o Prêmio de Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d’Oliveira.
1947 É publicada a sua tradução de Les liaisons dangereuses, de Laclos.
1948 Publica Poesia até agora. Colabora em Política e Letras. Acompanha o enterro de sua mãe, em Itabira. Na mesma hora, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é executado o “Poema de Itabira”, de Villa-Lobos, a partir do seu poema “Viagem na família”.
1949 Volta a escrever no Minas Gerais. Sua filha, Maria Julieta, casa-se com o escritor e advogado argentino Manuel Graña Etcheverry e vai morar em Buenos Aires. Participa do movimento pela escolha de uma diretoria apolítica na Associação Brasileira de Escritores. Contudo, juntamente com outros companheiros, desliga-se da sociedade por causa de atritos com o grupo esquerdista.
1950 Viaja a Buenos Aires para acompanhar o nascimento do primeiro neto, Carlos Manuel.
1951 Publica Claro enigma, Contos de aprendiz e A mesa. O volume Poemas é publicado em Madri.
1952 Publica Passeios na ilha e Viola de bolso.
1953 Exonera-se do cargo de redator do Minas Gerais ao ser estabilizada sua situação de funcionário da dphan. Vai a Buenos Aires para o nascimento do seu neto Luis Mauricio. Na capital argentina aparece o volume Dos poemas.
1954 Publica Fazendeiro do ar & Poesia até agora. É publicada sua tradução de Les paysans, de Balzac. A série de palestras “Quase memórias”, em diálogo com Lia Cavalcanti, é veiculada pela Rádio Ministério da Educação. Dá início à série de crônicas “Imagens”, no Correio da Manhã, mantida até 1969.
1955 Publica Viola de bolso novamente encordoada. O livreiro Carlos Ribeiro publica edição fora de comércio do Soneto da buquinagem.
1956 Publica Cinquenta poemas escolhidos pelo autor. Sai sua tradução de Albertine disparue, ou La fugitive, de Marcel Proust.
1957 Publica Fala, amendoeira e Ciclo.
1958 Uma pequena seleção de seus poemas é publicada na Argentina.
1959 Publica Poemas. Ganha os palcos a sua tradução de Dona Rosita la Soltera, de García Lorca, pela qual recebe o Prêmio Padre Ventura.
1960 É publicada a sua tradução de Oiseaux-Mouches Ornithorynques du Brésil, de Descourtilz. Colabora em Mundo Ilustrado. Nasce em Buenos Aires seu neto Pedro Augusto.
1961 Colabora no programa Quadrante, da Rádio Ministério da Educação. Morre seu irmão Altivo.
1962 Publica Lição de coisas, Antologia poética e A bolsa & a vida. Aparecem as traduções de L’oiseau bleu, de Maeterlinck, e Les fourberies de Scapin, de Molière, recebendo por esta novamente o Prêmio Padre Ventura. Aposenta-se como chefe de seção da dphan, após 35 anos de serviço público.
1963 Aparece a sua tradução de Sult (Fome), de Knut Hamsun. Recebe, pelo livro Lição de coisas, os prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, e Luísa Cláudio de Sousa, do pen Clube do Brasil. Inicia o programa Cadeira de Balanço, na Rádio Ministério da Educação.
1964 Publicação da Obra completa, pela Aguilar. Início das visitas, aos sábados, à biblioteca de Plínio Doyle, evento mais tarde batizado de “Sabadoyle”.
1965 Publicação de Antologia poética (Portugal); In the middle of the road (Estados Unidos); Poesie (Alemanha). Com Manuel Bandeira, edita Rio de Janeiro em prosa & verso. Colabora em Pulso.
1966 Publicação de Cadeira de balanço e de Natten och Rosen (Suécia).
1967 Publica Versiprosa, José & outros, Uma pedra no meio do caminho, Minas Gerais (Brasil, terra e alma), Mundo, vasto mundo (Buenos Aires) e Fyzika Strachu (Praga).
1968 Publica Boitempo & A falta que ama.
1969 Passa a colaborar no Jornal do Brasil. Publica Reunião (dez livros de poesia).
1970 Publica Caminhos de João Brandão.
1971 Publica Seleta em prosa e verso. Sai em Cuba a edição de Poemas.
1972 Publica O poder ultrajovem. Suas sete décadas de vida são celebradas em suplementos pelos maiores jornais brasileiros.
1973 Publica As impurezas do branco, Menino antigo, La bolsa y la vida (Buenos Aires) e Réunion (Paris).
1974 Recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.
1975 Publica Amor, amores. Recebe o Prêmio Nacional Walmap de Literatura. Recusa por motivo de consciência o Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal.
1977 Publica A visita, Discurso de primavera e Os dias lindos. É publicada na Bulgária uma antologia intitulada Sentimento do mundo. Grava 42 poemas em dois lps lançados pela PolyGram.
1978 A Editora José Olympio publica a segunda edição (corrigida e aumentada) de Discurso de primavera e algumas sombras. Publica O marginal Clorindo Gato e 70 historinhas, reunião de pequenas histórias selecionadas em seus livros de crônicas. Amar-Amargo e El poder ultrajoven saem na Argentina.
1979 Publica Poesia e prosa, revista e atualizada, pela Editora Nova Aguilar. Sai também seu livro Esquecer para lembrar.
1980 Recebe os prêmios Estácio de Sá, de jornalismo, e Morgado Mateus (Portugal), de poesia. Publicação de A paixão medida, En Rost at Folket (Suécia), The minus sign (eua), Poemas (Holanda) e Fleur, téléphone et jeune fille… (França).
1981 Publica, em edição fora de comércio, Contos plausíveis. Com Ziraldo, lança O pipoqueiro da esquina. Sai a edição inglesa de The minus sign.
1982 Aniversário de oitenta anos. A Biblioteca Nacional e a Casa de Rui Barbosa promovem exposições comemorativas. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publica A lição do amigo. Sai no México a edição de Poemas.
1983 Declina do Troféu Juca Pato. Publica Nova reunião e o infantil O elefante.
1984 Publica Boca de luar e Corpo. Encerra sua carreira de cronista regular após 64 anos dedicados ao jornalismo.
1985 Publica Amar se aprende amando, O observador no escritório, História de dois amores (infantil) e Amor, sinal estranho (edição de arte). Lançamento comercial de Contos plausíveis. Publicação de Fran Oxen Tid (Suécia).
1986 Publica Tempo, vida, poesia. Sofrendo de insuficiência cardíaca, passa catorze dias hospitalizado. Edição inglesa de Travelling in the family.
1987 É homenageado com o samba-enredo “O reino das palavras”, pela Estação Primeira de Mangueira, que se sagra campeã do Carnaval. No dia 5 de agosto morre sua filha, Maria Julieta, vítima de câncer. Muito abalado, morre em 17 de agosto.
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Drummond, sempre Drummond!
simplesmente o melhor e maior poeta brasileiro! Itabirano de ferro!!
....quase uma quadrilha à moda portuguesa. A quadrilha daquela assembleia que nenhuma História quer ver entrar, de tanto entrarem e saírem dos bancos levam a população a crer que estamos a saque
.....sobre o que não se conhecia e, ébrio por conhecer vem porque o admira. Ele é muito reconhecido em Portugal e muito lido por uma vasta comunidade académica
Poeta completo.
Admiro muito este poeta e contista. Sua poesia mais contundente para mim e, Os ombros suportam o Mundo e a Rosa do Povo.
Adoro, fico extasiada quando leio os seus poemas