Lista de Poemas
Brinde No Banquete Das Musas
poesia, canção suicida,
poesia, que recomeças
de outro mundo, noutra vida.
Deixaste-nos mais famintos,
poesia, comida estranha,
se nenhum pão te eqüivale:
a mosca deglute a aranha.
Poesia, sobre os princípios
e os vagos dons do universo :
em teu regaço incestuoso,
o belo câncer do verso.
Azul, em chama, o telúrio
reintegra a essência do poeta,
e o que é perdido se salva...
Poesia, morte secreta.
Circulação do Poeta
passei, caro Facó, por tua casa.
Inda estavas dormindo (ou já dormias)
o sono mais perfeito, mas vagavas
na safira em que os seres se deliam,
entre pardais bicando luz, e pombas,
nesse contentamento vaporoso
que a vida exala quando já cumprida.
Senti tua presença maliciosa,
transfundida na côr, no espaço livre,
nos corpos nus que a praia convidava.
Não sabiam de ti, que eras um deles,
e levavam consigo, dom secreto,
uma negrinha em flor, um verso hermético.
Rua do Olhar
que passam no mundo,
a Rua do Olhar,
em Paris, me toca.
Imagino um olho
calmo, solitário,
a fitar os homens
que voltam cansados.
Olhar de perdão
para os desvarios,
de lento conselho
e cumplicidade.
Rua do Olhar:
as casas não contam,
nem contam as pedras,
caladas no chão.
Só conta esse olho
triste, na tarde,
percorrendo o corpo,
devassando a roupa...
A luz que se acende
não te ilumina.
O brilho sem brilho,
a vaga pestana
desse olho imóvel
oscilam nas coisas
(são apenas coisas
mas também respiram).
Pela noite abaixo
uma vida surda
embebe o silêncio,
como frio no ar.
Sinto que o drama
já não interessa.
Quem ama, quem luta,
quem bebe veneno?
Quem chora no escuro,
quem que se diverte
ou apenas fuma
ou apenas corre?
Uma rua — um olho
aberto em Paris
olha sobre o mar.
Na praia estou eu.
Vem, farol tímido,
dizer-nos que o mundo
de fato é restrito,
cabe num olhar.
Olhar de uma rua
a quem quer que passe.
Compreensão, amor
perdidos na bruma.
Que funda esperança
perfura o desgosto,
abre um longo túnel
e sorri na boca!
E sorri nas mãos,
no queixo, na rosa,
no menor dos bens
de ti, meu irmão!
A Distribuição do Tempo
e depois tudo acaba. E toda crença
em ossos já se esvai. Só resta a mansa
decisão entre morte e indiferença.
Um minuto, não mais, que o tempo cansa,
e sofisma de amor não há que vença
este espinho, esta agulha, fina lança
a nos escavacar na praia imensa.
Mais um minuto só, e chega tarde.
Mais um pouco de ti, que não te dobras,
e que eu me empurre a mim, que sou covarde.
Um minuto, e acabou. Relógio solto,
indistinta visão em céu revolto,
um minuto me baste, e a minhas obras.
Morte de Neco Andrade
Neco Andrade, não pude sentir bastante emoção porque tinha de representar no teatrinho de amadores, e essa responsabilidade comprimia tudo.
A faca relumiou no campo — assim a vislumbrei, ao circular a notícia — e Neco, retorcendo-se, tombou do cavalo, e o assassino se curva para verificar a morte, e a tarde se enovela em vapores escuros, e
desce a umidade.
Caminhei para o palco temeroso de não lembrar a frase longa e difícil que me cabia proferir. O mau amador vive roído de dúvidas. Receava a desa-
provação do auditório, e sua prévia reflexão em mim já frustrava o gesto, já tolhia a produção do mais autêntico.
O CAVALO
erra alguns instantes na planície, dedicação sem alvo. O assassino pondera o entardecer. E vela os despojos, enquanto mede as possibilidades
de fuga. Evêm aí os soldados, atraídos pelo vento, pelo grito final do Andrade, pela secreta abdicação do criminoso, que, na medula, se sabe perdido. Não podemos matar nosso patrão; de ventre vasado, êle se vinga.
O cadáver de Neco atravessa canhestramente o segundo ato, da esquerda para a direita, volta, hesita, sai, instala-se nos bastidores em baixo da escada. As deixas perdem-se, o diálogo atropela-se, Neco está
se esvaindo em silêncio e eu, seu primo, não sei socorrê-lo.
OASSASSINO
chega preso, a multidão açode à cadeia, todos o contemplam a um metro, nem isso, de distância. Joana roça-lhe a manga do paletó, sujo de terra. Está sentado, mudo. Na casa de Neco. em frente à ponte, luzes se armam em velório, e a escada é toda sonora de botas e botinas rinchando.
Agora o palco ficou vazio para caber a forma baia e ondulante que progride, esmagando palavras. Da montaria de Neco pendem as caçambas de Neco. Vai pisar em mim. Afastou-se, no trote deserto.
SERIA REMORSO
por me consagrar ao espetáculo quando já o sabia morto? Não, que o espetáculo é grande, e seduzia para além da ordem moral. E nossos ramos de família nem se davam. Pena de perdê-lo, nutrida de alguma velha lembrança particular, que floresce mesmo entre clãs adversários? Pena comum, que toda morte violenta faz germinar? Nem isso. Mas o ventre vasado, como se fosse eu que o vasasse, eu menino, desarmado. Intestinos de Neco, emaranhados, insolentes, à vista de estranhos. Vede o interior de um homem, a sede da cólera; aqui os prazeres criaram raiz, e o que é obscuro em nosso olhar, encontra explicação.
E TUDO
se desvenda: sou responsável pela morte de Neco e pelo crime de Augusto, pelo cavalo que foge e pelo coro de viúvas pranteando. Não posso
representar mais; por todo o sempre e antes do nunca sou responsável, responsável, responsável, responsável. Como as pedras são responsáveis, e os anjos, principalmente os anjos, são responsáveis.
Estâncias
onde: talvez entre grades solenes, num
calcinado e pungitivo lugar que regamos de fúria,
êxtase, adoração, temor. Talvez no mínimo
território acuado entre a espuma e o gneiss, onde respira,
— mas que assustada! uma criança apenas. E que presságios
de seus cabelos se desenrolam! Sim, ouvi de amor, em hora
infinda, se bem que sepultada na mais rangente areia
que os pés pisam, pisam, e por sua vez — é lei — desaparecem.
E ouvi de amar, como de um dom a poucos ofertado; ou de um crime.
De novo essas vozes, peço-te. Escande-as em tom sóbrio,
ou senão, grita-as à face dos homens; desata os petrificados; aturde
os caules no ato de crescer; repete: amor, amar.
O ar se crispa.. de ouvi-las; e para além do tempo ressoam, remos
de ouro batendo a água transfigurada; correntes
tombam. Em nós ressurge o antigo; o novo; o que de nada
extrai forma de vida; e não de confiança, de desassossego se nutre.
Eis que a posse abolida na de hoje se reflete, e confundem-se,
e quantos desse mal um dia (estão mortos) soluçaram,
habitam nosso corpo reunido e soluçam conosco.
Habilitação Para a Noite
ou a terra perde o lume?
Dos cem prismas de uma jóia,
quantos há que não presumo.
Entre perfumes rastreio
esse bafo de cozinha.
Outra noite vem descendo
com seu bico de rapina.
E não quero ser dobrado
nem por astros nem por deuses,
polícia estrita do nada.
Quero de mim a sentença
como, até o fim, o desgaste
de suportar o meu rosto.
Estrambote Melancólico
dade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor ê triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela d'alva
penetra longamente seu espinho
(e cinco espinhos são) na minha mão.
A Língua Girava No Céu da Boca
O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu.
Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós.
A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.
Noturno Oprimido
com uma dor! A casa não dorme, estupefata.
Os móveis continuam prisioneiros
de sua matéria pobre, mas a água parte-se,
a água protesta. Ela molha toda a noite
com sua queixa feroz, seu alarido.
E sobre nossos corpos se avoluma
o lago negro de não sei que infusão.
Mas não é o medo da morte do afogado,
o horror da água batendo nos espelhos,
indo até os cofres, os livros, as gargantas.
É o sentimento de uma coisa selvagem,
sinistra, irreparável, lamentosa.
Oh vamos nos precipitar no rio espesso
que derrubou a última parede
entre os sapatos, as cruzes e os peixes cegos do tempo.
Comentários (12)
Sembouquempisons
Sembouquempisons
Um pouco mais Drummond na vida.
Conheci este poema aos 12 anos e ele me tocou profundamente. Na época pensava sobre Hiroshima, mas sua sagacidade abriu minha consciência para o horror do poder e da perversidade humana. Viva Drumond!
O eterno poeta... o maior , o mias belo... o imortal encantador.
Alguma Poesia
1930
Brejo Das Almas
1934
Sentimento do Mundo
1940
José
1942
A rosa do povo
1945
Novos Poemas
1948
Claro Enigma
1951
Fazendeiro do Ar
1954
A falta que ama
1957
Versiprosa
1967
Versiprosa II
1967
A vida passada a limpo
1973
As impurezas do branco
1973
O amor natural
1978
Antologia poética
1978
Discurso de primavera e algumas sombras
1978
A paixão medida
1980
Corpo
1984
Amar se aprende amando
1985
Boitempo
1986
Farewell
1996
Daqui Estou Vendo o Amor
2013
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Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de Andrade
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Verdade | Poema de Carlos Drummond de Andrade com narração de Mundo Dos Poemas
[FUVEST | UNICAMP #6] Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade) + áudio Sentimento do Mundo
Igor Guimarães | Verbo Ser | Carlos Drummond de Andrade
Filipe de Gaspari | Tarde de Maio | Carlos Drummond de Andrade
Não Se Mate - Carlos Drummond de Andrade
#450 Presépio - Carlos Drummond de Andrade - Conto um Conto
Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro [Itabira] MG, 1902 - Rio de Janeiro RJ, 1987) formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista.
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã.
Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996).
Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia. 1902 Nasce Carlos Drummond de Andrade, em 31 de outubro, na cidade de Itabira do Mato Dentro (mg), nono filho de Carlos de Paula Andrade, fazendeiro, e Julieta Augusta Drummond de Andrade.
1910 Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito.
1916 É matriculado como aluno interno no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte. Conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco. Interrompe os estudos por motivo de saúde.
1917 De volta a Itabira, toma aulas particulares com o professor Emílio Magalhães.
1918 Aluno interno do Colégio Anchieta da Companhia de Jesus, em Nova Friburgo, colabora na Aurora Colegial. No único exemplar do jornalzinho Maio…, de Itabira, o irmão Altivo publica o seu poema em prosa “Onda”.
1919 É expulso do colégio em consequência de incidente com o professor de português. Motivo: “insubordinação mental”.
1920 Acompanha sua família em mudança para Belo Horizonte.
1921 Publica seus primeiros trabalhos no Diário de Minas. Frequenta a vida literária de Belo Horizonte. Amizade com Milton Campos, Abgar Renault, Emílio Moura, Alberto Campos, Mário Casassanta, João Alphonsus, Batista Santiago, Aníbal Machado, Pedro Nava, Gabriel Passos, Heitor de Sousa e João Pinheiro Filho, habitués da Livraria Alves e do Café Estrela.
1922 Seu conto “Joaquim do Telhado” vence o concurso da Novela Mineira. Trava contato com Álvaro Moreyra, diretor de Para Todos… e Ilustração Brasileira, no Rio de Janeiro, que publica seus trabalhos.
1923 Ingressa na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte.
1924 Conhece, no Grande Hotel de Belo Horizonte, Blaise Cendrars, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que regressam de excursão às cidades históricas de Minas Gerais.
1925 Casa-se com Dolores Dutra de Morais. Participa — juntamente com Martins de Almeida, Emílio Moura e Gregoriano Canedo — do lançamento de A Revista.
1926 Sem interesse pela profissão de farmacêutico, cujo curso concluíra no ano anterior, e não se adaptando à vida rural, passa a lecionar geografia e português em Itabira. Volta a Belo Horizonte e, por iniciativa de Alberto Campos, ocupa o posto de redator e depois redator-chefe do Diário de Minas. Villa-Lobos compõe uma seresta sobre o poema “Cantiga de viúvo” (que iria integrar Alguma poesia, seu livro de estreia).
1927 Nasce em 22 de março seu filho, Carlos Flávio, que morre meia hora depois de vir ao mundo.
1928 Nascimento de sua filha, Maria Julieta. Publica “No meio do caminho” na Revista de Antropofagia, de São Paulo, dando início à carreira escandalosa do poema. Torna-se auxiliar na redação da Revista do Ensino, da Secretaria de Educação.
1929 Deixa o Diário de Minas e passa a trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do estado, como auxiliar de redação e, pouco depois, redator.
1930 Alguma poesia, seu livro de estreia, sai com quinhentos exemplares sob o selo imaginário de Edições Pindorama, de Eduardo Frieiro. Assume o cargo de auxiliar de gabinete de Cristiano Machado, secretário do Interior. Passa a oficial de gabinete quando seu amigo Gustavo Capanema assume o cargo.
1931 Morre seu pai.
1933 Redator de A Tribuna. Acompanha Gustavo Capanema durante os três meses em que este foi interventor federal em Minas.
1934 Volta às redações: Minas Gerais, Estado de Minas, Diário da Tarde, simultaneamente. Publica Brejo das almas (duzentos exemplares) pela cooperativa Os Amigos do Livro. Transfere-se para o Rio de Janeiro como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, novo ministro da Educação e Saúde Pública.
1935 Responde pelo expediente da Diretoria-Geral de Educação e é membro da Comissão de Eficiência do Ministério da Educação.
1937 Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.
1940 Publica Sentimento do mundo, distribuindo entre amigos e escritores os 150 exemplares da tiragem.
1941 Mantém na revista Euclides, de Simões dos Reis, a seção “Conversa de Livraria”, assinada por “O Observador Literário”. Colabora no suplemento literário de A Manhã.
1942 Publica Poesias, na prestigiosa Editora José Olympio.
1943 Sua tradução de Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, vem a lume sob o título Uma gota de veneno.
1944 Publica Confissões de Minas.
1945 Publica A rosa do povo e O gerente. Colabora no suplemento literário do Correio da Manhã e na Folha Carioca. Deixa a chefia do gabinete de Capanema e, a convite de Luís Carlos Prestes, figura como codiretor do diário comunista Tribuna Popular. Afasta-se meses depois por discordar da orientação do jornal. Trabalha na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (dphan), onde mais tarde se tornará chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamento.
1946 Recebe o Prêmio de Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d’Oliveira.
1947 É publicada a sua tradução de Les liaisons dangereuses, de Laclos.
1948 Publica Poesia até agora. Colabora em Política e Letras. Acompanha o enterro de sua mãe, em Itabira. Na mesma hora, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é executado o “Poema de Itabira”, de Villa-Lobos, a partir do seu poema “Viagem na família”.
1949 Volta a escrever no Minas Gerais. Sua filha, Maria Julieta, casa-se com o escritor e advogado argentino Manuel Graña Etcheverry e vai morar em Buenos Aires. Participa do movimento pela escolha de uma diretoria apolítica na Associação Brasileira de Escritores. Contudo, juntamente com outros companheiros, desliga-se da sociedade por causa de atritos com o grupo esquerdista.
1950 Viaja a Buenos Aires para acompanhar o nascimento do primeiro neto, Carlos Manuel.
1951 Publica Claro enigma, Contos de aprendiz e A mesa. O volume Poemas é publicado em Madri.
1952 Publica Passeios na ilha e Viola de bolso.
1953 Exonera-se do cargo de redator do Minas Gerais ao ser estabilizada sua situação de funcionário da dphan. Vai a Buenos Aires para o nascimento do seu neto Luis Mauricio. Na capital argentina aparece o volume Dos poemas.
1954 Publica Fazendeiro do ar & Poesia até agora. É publicada sua tradução de Les paysans, de Balzac. A série de palestras “Quase memórias”, em diálogo com Lia Cavalcanti, é veiculada pela Rádio Ministério da Educação. Dá início à série de crônicas “Imagens”, no Correio da Manhã, mantida até 1969.
1955 Publica Viola de bolso novamente encordoada. O livreiro Carlos Ribeiro publica edição fora de comércio do Soneto da buquinagem.
1956 Publica Cinquenta poemas escolhidos pelo autor. Sai sua tradução de Albertine disparue, ou La fugitive, de Marcel Proust.
1957 Publica Fala, amendoeira e Ciclo.
1958 Uma pequena seleção de seus poemas é publicada na Argentina.
1959 Publica Poemas. Ganha os palcos a sua tradução de Dona Rosita la Soltera, de García Lorca, pela qual recebe o Prêmio Padre Ventura.
1960 É publicada a sua tradução de Oiseaux-Mouches Ornithorynques du Brésil, de Descourtilz. Colabora em Mundo Ilustrado. Nasce em Buenos Aires seu neto Pedro Augusto.
1961 Colabora no programa Quadrante, da Rádio Ministério da Educação. Morre seu irmão Altivo.
1962 Publica Lição de coisas, Antologia poética e A bolsa & a vida. Aparecem as traduções de L’oiseau bleu, de Maeterlinck, e Les fourberies de Scapin, de Molière, recebendo por esta novamente o Prêmio Padre Ventura. Aposenta-se como chefe de seção da dphan, após 35 anos de serviço público.
1963 Aparece a sua tradução de Sult (Fome), de Knut Hamsun. Recebe, pelo livro Lição de coisas, os prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, e Luísa Cláudio de Sousa, do pen Clube do Brasil. Inicia o programa Cadeira de Balanço, na Rádio Ministério da Educação.
1964 Publicação da Obra completa, pela Aguilar. Início das visitas, aos sábados, à biblioteca de Plínio Doyle, evento mais tarde batizado de “Sabadoyle”.
1965 Publicação de Antologia poética (Portugal); In the middle of the road (Estados Unidos); Poesie (Alemanha). Com Manuel Bandeira, edita Rio de Janeiro em prosa & verso. Colabora em Pulso.
1966 Publicação de Cadeira de balanço e de Natten och Rosen (Suécia).
1967 Publica Versiprosa, José & outros, Uma pedra no meio do caminho, Minas Gerais (Brasil, terra e alma), Mundo, vasto mundo (Buenos Aires) e Fyzika Strachu (Praga).
1968 Publica Boitempo & A falta que ama.
1969 Passa a colaborar no Jornal do Brasil. Publica Reunião (dez livros de poesia).
1970 Publica Caminhos de João Brandão.
1971 Publica Seleta em prosa e verso. Sai em Cuba a edição de Poemas.
1972 Publica O poder ultrajovem. Suas sete décadas de vida são celebradas em suplementos pelos maiores jornais brasileiros.
1973 Publica As impurezas do branco, Menino antigo, La bolsa y la vida (Buenos Aires) e Réunion (Paris).
1974 Recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.
1975 Publica Amor, amores. Recebe o Prêmio Nacional Walmap de Literatura. Recusa por motivo de consciência o Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal.
1977 Publica A visita, Discurso de primavera e Os dias lindos. É publicada na Bulgária uma antologia intitulada Sentimento do mundo. Grava 42 poemas em dois lps lançados pela PolyGram.
1978 A Editora José Olympio publica a segunda edição (corrigida e aumentada) de Discurso de primavera e algumas sombras. Publica O marginal Clorindo Gato e 70 historinhas, reunião de pequenas histórias selecionadas em seus livros de crônicas. Amar-Amargo e El poder ultrajoven saem na Argentina.
1979 Publica Poesia e prosa, revista e atualizada, pela Editora Nova Aguilar. Sai também seu livro Esquecer para lembrar.
1980 Recebe os prêmios Estácio de Sá, de jornalismo, e Morgado Mateus (Portugal), de poesia. Publicação de A paixão medida, En Rost at Folket (Suécia), The minus sign (eua), Poemas (Holanda) e Fleur, téléphone et jeune fille… (França).
1981 Publica, em edição fora de comércio, Contos plausíveis. Com Ziraldo, lança O pipoqueiro da esquina. Sai a edição inglesa de The minus sign.
1982 Aniversário de oitenta anos. A Biblioteca Nacional e a Casa de Rui Barbosa promovem exposições comemorativas. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publica A lição do amigo. Sai no México a edição de Poemas.
1983 Declina do Troféu Juca Pato. Publica Nova reunião e o infantil O elefante.
1984 Publica Boca de luar e Corpo. Encerra sua carreira de cronista regular após 64 anos dedicados ao jornalismo.
1985 Publica Amar se aprende amando, O observador no escritório, História de dois amores (infantil) e Amor, sinal estranho (edição de arte). Lançamento comercial de Contos plausíveis. Publicação de Fran Oxen Tid (Suécia).
1986 Publica Tempo, vida, poesia. Sofrendo de insuficiência cardíaca, passa catorze dias hospitalizado. Edição inglesa de Travelling in the family.
1987 É homenageado com o samba-enredo “O reino das palavras”, pela Estação Primeira de Mangueira, que se sagra campeã do Carnaval. No dia 5 de agosto morre sua filha, Maria Julieta, vítima de câncer. Muito abalado, morre em 17 de agosto.
Português
English
Español
Drummond, sempre Drummond!
simplesmente o melhor e maior poeta brasileiro! Itabirano de ferro!!
....quase uma quadrilha à moda portuguesa. A quadrilha daquela assembleia que nenhuma História quer ver entrar, de tanto entrarem e saírem dos bancos levam a população a crer que estamos a saque
.....sobre o que não se conhecia e, ébrio por conhecer vem porque o admira. Ele é muito reconhecido em Portugal e muito lido por uma vasta comunidade académica
Poeta completo.
Admiro muito este poeta e contista. Sua poesia mais contundente para mim e, Os ombros suportam o Mundo e a Rosa do Povo.
Adoro, fico extasiada quando leio os seus poemas