Lista de Poemas
insólito
gesto que sai do corpo como um salto de gato
suave rude ardil ou busca de gozo
rei dos sentidos empós do amor ou do afeto
sondagem de quem sonhou e argui de fato
a empáfia escondida entre haustos do só
não temer o impacto da astúcia
colher a rosa no ramo propício enquanto é vermelha
e saborear o odor a cor o íntimo calor
é tarde é breve mas intensa de brilho
signo de infinito clamor
que não calou no estamento do tempo
e rói fundo o apetite que resta
via possível na corrosão do palor
e usá-la a furto oculto
imponderada lapela
fim ou princípio
sorte lançada
defasado cupido
Apartação
de clareira e frondes
rompe o latifúndio
com seus horizontes
— Com suas savanas
de relva e flagelo
demanda os retiros
com seus céus de inverno
— Com sua aventura
de surpresa e faina
deslumbra as nascentes
com seus sais de lama
— Com suas ciladas
de febre e malogro
caminha as vazantes
com seus bebedouros
— Com sua forragem
de perda e silêncio
remorde a distância
com seus nós de tempo.
Cantiga de Nossa Senhora da Modéstia
em cada conto te conto
V Internacional
jovens dentre eles um negro e um barbado
O poeta é visto todos os sábados no bar com um grupo de
jovens negros e barbados
O poeta é visto todos os sábados no bar com um grupo de
jovens barbados
O poeta é visto no bar com um grupo de jovens barbados
O poeta é visto no bar com um grupo de barbados
O poeta é visto com um grupo de barbados
O poeta é visto com uns barbados estranhos
O poeta é visto com uns barbados suspeitos
O poeta é visto com uns suspeitos
O poeta é um suspeito
O poeta é suspeito
O POETA É UM TERRORISTA
In: ÁVILA, Affonso. Discurso de difamação do poeta: antologia. São Paulo: Summus, 1978. (Palavra poética, 1)
Por Leila Diniz
diniz
dispa-se e
disparar
disposto
Publicado no livro Masturbações (1980).
In: ÁVILA, Affonso. O visto e o imaginado. Ilustrações de Maria do Carmo Secco. São Paulo: Perspectiva: Edusp, 1990. p. 138. (Signos, 12
Ponte de Xavier
à talha de antôniofrancisco
.& do texto de xavierdasilva
ao texto de cláudiomanuel
.& da tortura de xavierotiradentes
à tortura do torturadodesconhecido
.&
Publicado no livro Cantaria barroca (1975).
In: ÁVILA, Affonso. Discurso da difamação do poeta: antologia. São Paulo: Summus, 1978. p. 71. (Palavra poética, 1
Anti-Sonetos Ouropretanos
da vila rica de ouro preto o ouro
do preito o ouro do pilar o ouro
do pórtico o ouro do púlpito o ouro
do paramento o ouro do pálio o ouro
do panteão o ouro do pacto o ouro
do percalço o ouro do perjúrio o ouro
do patíbulo o ouro do proscrito o ouro
do prêmio o ouro do palimpsesto o ouro
do pedágio o ouro do pecado o ouro
do pulha o ouro do podre o ouro
do polvo o ouro do puro o ouro
do pobre o ouro do povo o ouro
do poeta o ouro do peito o ouro
da rima rica de outro preto o ouro
II
a cidade da hera e de idade
a antiguidade de édito e de idade
a posteridade de efígie e de idade
a eternidade de essência e de idade
a majestade de espírito e de idade
a gravidade de espectro e de idade
a dignidade de ênfase e de idade
a imobilidade de enlevo e de idade
a obliquidade de eflúvio e de idade
a soledade de exílio e de idade
a fatalidade de exaustão e de idade
a castidade de espera e de idade
a carnalidade de efêmero e de idade
a cidade de eros e de idade
(...)
In: ÁVILA, Affonso. Código de Minas & Poesia anterior. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. p. 93-95. (Poesia hoje, 17. Série poetas brasileiros). Poema integrante da série Código de Minas
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SÍSIFO DESCE A MONTANHA // AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA // POESIA
Affonso Ávila (Belo Horizonte MG, 1928) publicou seu primeiro livro de poesia, O Açude. Sonetos da Descoberta, em 1953. Na época, trabalhava como auxiliar de gabinete do então governador Juscelino Kubitschek e como colaborador dos periódicos Diário de Minas, Tendência e Estado de Minas. Nos anos seguintes, participaria da campanha de JK para presidente e se aproximaria dos poetas concretistas de São Paulo. Em 1961, saiu seu livro Carta do Solo; em 1963, era a vez de Frases-feitas. Em 1967, tornou-se colaborador da revista Invenção, do grupo concretista. Sua identificação com a poesia de vanguarda o levaria a retirar sua participação na I Bienal Nestlé de Literatura, em protesto aos ataques às vanguardas dos anos 60. Em 1991 recebeu o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro O Visto e o Imaginado (1990). Sua poesia, bastante influenciada pelo concretismo, caracteriza-se pela experimentação linguística e pela forte presença temática do erotismo e do engajamento ideológico.
Affonso Ávila nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1928. Estreou com o livro O Açude, em 1953. Em 1961, lançou Carta do Solo, e, em 1963, Frases-feitas. Na década de 60, colaborou com a revista Invenção, do grupo Noigandres.
Foi um dos fundadores da revista Tendências, com poetas e intelectuais como Rui Mourão, Fábio Lucas, Laís Corrêa de Araújo, Fritz Teixeira de Sales e Heitor Martins. Publicou ainda O lúdico e as projeções do mundo barroco (197), Código de Minas (1969), Código Nacional de Trânsito (1972), Cantaria barroca (1975), Discurso da difamação do poeta (1976), Barroco mineiro: glossário de arquitetura e ornamentação (1979), Masturbações (1980), Barrocolagens (1981), Delírio dos cinqüent'anos (1984), O belo e o velho (1987), O visto e o imaginado (1990), A lógica do erro (2002) e Poeta Poente (2010).
Teve sua obra reunida, em 2008, no volume Homem ao Termo: Poesia Reunida (1949-2005), e sua publicação mais recente foi Égloga da maçã (São Paulo: Ateliê Editorial, 2012). Sua poesia satírica, ao lado da de Sebastião Nunes, talvez seja insuperável no pós-guerra.
O poeta morreu a 27 de setembro de 2012. O Brasil perde um dos mais consistentes e importantes poetas e críticos dos últimos 60 anos, um dos poucos e raros a fazer do Barroco histórico uma herança legítima e frutífera, herdeiro e contemporâneo tanto do Murilo Mendes de Contemplação de Ouro Preto (1954), como do de Convergências (1966).
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