Lista de Poemas
Frases-Feitas
antes que o povo a faça
antes que o povo à praça
antes que o povo a massa
antes que o povo na raça
antes que o povo: A FARSA
o senso grave da ordem
o censo grávido da ordem
o incenso e o gáudio da ordem
a infensa greve da ordem
a imensa grade DA ORDEM
terra do lume e do pão
terra do lucro e do não
terra do luxo e do não
terra do urso e do não
terra da usura e DO NÃO
mais da lei que dos homens
mais da grei que os come
mais do dê que do tome
mais do rei que do nome
mais da rês que DA FOME
num peito de ferro
é um coração de ouro
é o quorum a ação do ouro
é o coro a ação do ouro
é a cor a ópio-ação do ouro
é a gorda nação DO OURO
(...)
libertas quae sera tamen
liberto é o ser que come
livre terra ao sertanejo
livro aberto será a trama
LIBERTO QUE SERÁ O HOMEM
In: ÁVILA, Affonso. Código de Minas & Poesia anterior. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. p. 17-19. (Poesia hoje, 17. Série poetas brasileiros). Poema integrante da série Código de Mina
Os Negros de Itaverava
irmãos em sangue e aflição,
não dormiam, como os outros,
a noite que é sujeição,
dormiam, sim, as auroras
— as luzes em combustão
dos sonhos que, mesmo estéreis,
sucedem no coração.
Enquanto as almas penadas
nos caminhos pranteavam
o corpo que se perdera
e os cães com elas choravam,
na senzala não se ouviam
os passos que se cuidavam,
as vozes que, a medo e susto,
no paiol confabulavam.
Para quem é jaula o dia,
que seja conspiração
de perfídia e sortilégio,
de roubo e contravenção
a noite cujas estradas
não se sabe aonde dão,
a noite que enlaça o negro
com seus silêncios de irmão.
(...)
In: ÁVILA, Affonso. Código de Minas & Poesia anterior. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. p. 179-183. (Poesia hoje, 17. Série poetas brasileiros). Poema integrante da série Outra Poesia.
patrulha ideológica
desestruturou o discurso e embaralhou as letras
te aleart paeto que o pc te recrimina
barroquizou a linguagem e descurou da doutrina
te alaert peota que o sni te investiga
parodiou o sistema e ironizou a política
te alaret poate que o women´slib te corta o genitálio
glosou o objetou sexual e teve orgasmo solitário
te alerat peato que a puc te escanteia
foi tema de mestrado e não quis compor mesa
te areta petoa que a cb não te reedita
gastou muito papel e ouço sangue na tinta
te alrate petao que a abl te indexa
fez enxertos de inglês e sujou a água léxica
te arealt patoe que a cnbb te exorciza
macarronizou o latim e não aprendeu a nova missa
te alatre potae que o esquadrão te desova
traficou palavrinha e não destruiu a prova
te atrela ptoea que o doicodi te herzoga
suspeito sem suspeição e enforcado sem corda
i must be gone and live or stay and die
de O Belo e o Velho, 1987
Por Tarsila do Amaral
comer o ar
comer a sila
comer o que se o bicho antropófago já
comeu
Publicado no livro Masturbações (1980).
In: ÁVILA, Affonso. O visto e o imaginado. Ilustrações de Maria do Carmo Secco. São Paulo: Perspectiva: Edusp, 1990. p. 135. (Signos, 12
Por Carmen Miranda
brinco de ouro e uma
bolota assim gozo os três
bês de carmen e
bambo na cama decodifico afinal o que é que a
baiana tem
Publicado no livro Masturbações (1980).
In: ÁVILA, Affonso. O visto e o imaginado. Ilustrações de Maria do Carmo Secco. São Paulo: Perspectiva: Edusp, 1990. p. 139. (Signos, 12
Os Insurgentes
(...)
onde o vôo insurgente de Antônio
como poderá ser independente um povo
que não produz toda a roupa de que se veste
onde o vôo insurgente de Artur
é a questão do nosso minério de ferro
é o futuro do Brasil, que se atira criminosamente
pela janela,
como se faz a um traste incômodo e imprestável
onde o vôo insurgente de Aníbal
queria ver como surgiam as novas gerações
todos livres da exploração e do medo
onde o vôo insurgente de Murilo
grandes da terra, tremei nas cadeiras blindadas
que já vem a cólera santa
abrindo narinas de fogo
onde o vôo insurgente de Carlos
o poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e
outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
O LÚCIDO JOGO DO REVÉS
In: ÁVILA, Affonso. Código de Minas & Poesia anterior. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. p. 37-39. (Poesia hoje, 17. Série poetas brasileiros). Poema integrante da série Código de Minas.
NOTA: Citação do poema "Nosso Tempo", do livro A ROSA DO POVO (1945), de Carlos Drummond de Andrad
Apartação
de clareira e frondes
rompe o latifúndio
com seus horizontes
— Com suas savanas
de relva e flagelo
demanda os retiros
com seus céus de inverno
— Com sua aventura
de surpresa e faina
deslumbra as nascentes
com seus sais de lama
— Com suas ciladas
de febre e malogro
caminha as vazantes
com seus bebedouros
— Com sua forragem
de perda e silêncio
remorde a distância
com seus nós de tempo.
Soneto
Castração
máquinas de tédio
aprende o degredo
com seus chãos reversos
— com suas escumas
de vinagre e pasmo
celebra os opróbrios
com seu desamparo
— com suas sezões
de pejo e salsugem
arqueja os verões
com seus gozos rudes
— com suas ilhargas
de fuligem e asco
deslembra as novilhas
com seus curvos favos
— com suas obesas
barbelas de adorno
ostenta a vergonha
com seu grão roncolho
de Carta do solo, 1961
Cantiga de Nossa Senhora da Modéstia
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