
Zarak Krumfort
Zarak Krumfort é escritor independente. Sua escrita percorre o silêncio, a escuta e as margens do humano. Escreve em terceira pessoa, com linguagem direta, explorando conflitos internos, identidade e aquilo que raramente é dito. Publica em português e outros idiomas. Escute o silêncio — ele fala mais alto que as palavras.
A Dor de Estar Vivo
O ser humano só aprende sofrendo. Tudo nesse mundo é dolorido, nascemos causando dor, vivemos cheios de dores, física, psicológicas, espirituais, sociais… essa é a dimensão da dor e ninguém que passe por aqui consegue seguir sem sofrer ou causar sofrimento em alguém. A dor é quase um “pedágio” da existência — ninguém atravessa a vida sem pagar por ele, de um jeito ou de outro. Mas há uma distinção importante: Nem todo sofrimento ensina. Mas todo aprendizado profundo tem uma dose de dor.
Quando algo nos sacode, quando o mundo não responde como esperamos, quando perdemos, falhamos, somos abandonados ou obrigados a recomeçar… é ali que a consciência desperta pro fato de que a dor é a força que: desmonta ilusões, revela limites, obriga mudança, constrói maturidade.
Sem ela, ficaríamos estagnados, presos na primeira versão de nós mesmos.
”Ninguém passa por essa vida sem sofrer ou causar sofrimento”
E isso acontece porque viver significa tocar nas pessoas — e todo toque deixa marca.
Às vezes cura, às vezes fere. Mas o contrário disso seria viver isolado, distante de tudo — o que também dói. Se existe alguma beleza nisso tudo, talvez seja esta: A dor não é a razão da vida. Mas é o que nos empurra para encontrar uma razão.
A dor nos força a buscar o que nos faria bem. Sem ela, nunca descobriremos quem somos — nem quem podemos ser.
Ainda não aprendi se o importante é aprender a sofrer e talvez seja justamente isso que me faz continuar caminhando — a busca pelo que é verdadeiro.
Se um dia tudo ficasse claro, sem dúvida, sem mistério… a vida deixaria de ter movimento. Enquanto existe pergunta, existe caminho. Enquanto existe ferida, existe transformação.
Enquanto existe silêncio que incomoda, existe algo querendo nascer.
Talvez o verdadeiro não seja uma resposta única, definitiva.Talvez seja aquilo que permanece quando tudo o resto muda — o que resiste dentro de nós, mesmo depois da dor, das perdas, dos equívocos ainda continuamos escrevendo esse “verdadeiro” em nós mesmos.
Não importa o quanto tentemos ignorar a passagem do tempo, o quanto fingimos que ainda temos todas as chances do mundo… a morte caminha na mesma estrada que a vida, só alguns passos atrás. Ela não corre, não força a porta, não assusta. Apenas segue.
Ela sabe que um dia a gente cansa de fugir de nós mesmos. Sabe que um dia paramos de inventar desculpas. Sabe que um dia o silêncio pesa mais do que o corpo aguenta. E quando esse dia chega, ela não chega para tirar nada — chega para perguntar: O que você fez com o tempo que te deram? O que aprendeu com o amor que recebeu — e com o que faltou? O que fez com as dores que te ensinaram? A morte não cobra.
Quem está vivo ainda tem escolhas.
A morte não cobra. Ela confere.
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