Lista de Poemas
Sem forma revolucionária não há
A poesia é uma forma
Amar não é aceitar tudo,
MINHA UNIVERSIDADE
Pois, declinai!
Mas sabeis por acasos cantar em dueto com os edifícios?
Entendeis por acaso a linguagem dos bondes?
O pintainho humano mal abandona a cascas atraca-se aos livro e as resmas de cadernos.
Eu aprendi o alfabeto nos letreiros folheando páginas de estanho e ferro.
Os professores tomam a terra e a descarnam e a descascam para afinal ensinar:
"Toda ela não passa dum globinho!"
Eu com os costados aprendi geografia.
Os historiadores levantam a angustiante questão:
- Era ou não roxa a barba de Barba Roxa?
Que me importa! Não costumo remexer o pó dessas velharias.
Mas das ruas de Moscou conheço todas as histórias.
Uma vez instruídos, há os que se propõem a agradar às damas, fazendo soar no crânio suas poucas idéias,como pobres moedas numa caixa de pau.
Eu, somente com os edifícios,conversava.
Somente os canos respondiam.
Os tetos como orelhas espichando suas lucarnas aguardavam as palavras que eu lhes deitaria.
Noite a dentro uns com os outros palravam girando suas línguas de catavento.
TU
A sério, olhaste a estatura, o bramido e simplesmente adivinhaste:
uma criança.
Tomaste, arrancaste-me o coração e simplesmente foste com ele jogar como uma menina com sua bola.
E todas, como se vissem um milagre, senhoras e senhorias exclamaram:
- A esse amá-lo?
Se se atira em cima, derruba a gente!
Ela, com certeza, é domadora! Por certo, saiu duma jaula!
E eu júbilo esqueci o julgo.
Louco de alegria saltava como em casamento de índio, tão leve, tão bem me sentia.
DE V INTERNACIONAL
Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
"A"
este "a"
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se eu falo
"B"
é uma nova bomba na batalha do homem.
BLUSA FÁTUA
Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.
Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!
ESCÁRNIOS
Desatarei a fantasia em cauda de pavão num ciclo de matizes, entregarei a alma ao poder do enxame das rimas imprevistas.
Ânsia de ouvir de novo como me calarão das colunas das revistas esses que sob a árvore nutriz es-
cavam com seus focinhos as raízes.
GAROTO
Mas, quando garoto,
a gente preocupada trabalhava
e eu escapava para as margens do rio Rion
e vagava sem fazer nada.
Aborrecia-se minha mãe:
"Garoto danado!"
Meu pai me ameaçava com o cinturão.
Mas eu, com três rublos falsos,
jogava com os soldados sob os muros.
Sem o peso da camisa,
sem o peso das botas,
de costas ou de barriga no chão,
torrava-me ao sol de Kutaís
até sentir pontadas no coração.
O sol assombrava:
"Daquele tamainho
e com um tal coração!
Vai partir-lhe a espinha!
Como, será que cabem
nesse tico de gente
o rio,
o coração,
eu
e cem quilômetros de montanhas?"
A FLAUTA VÉRTEBRA
A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.
Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.
Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.
Comentários (0)
NoComments
Vladimir Maiakovski - Plosnita | Teatru
Vladimir Mayakovsky "The Poem of the Soviet Passport" [ENG SUBS]
VLADIMIR MAIAKOVSKI 🎭 El TEATRO de un bolchevique
Vladimir Mayakovsky: Lady and the Hooligan (1918)
Russian Futurism - Vladimir Mayakovsky - Velimir Khlebnikov
S02E80: Sobre Isto, de Vladimir Maiakovski
VLADIMIR MAÏAKOVSKI (1893-1930) – Une vie, une œuvre [2006]
O AMOR- Vladimir Mayakovsky
Vladimir Maiakovski (Biografia)
O Amor | Um poema de Vladimir Maiakovski
E Então Que Quereis | Poema de Vladimir Maiakovski com narração de Mundo Dos Poemas
The voice of Vladimir Mayakovsky
Gal Costa - O Amor - (sobre o poema de Vladimir Maiakovski) - 1981
Vladimir Maiakovski
Vladimir MAÏAKOVSKI – Un siècle d'écrivains : 1893-1930 (DOCUMENTAIRE, 1998)
talvez quem sabe ... – 25/10/2011
Vladimir Maiakovski
Poema de Vladimir Mayakovski - El poeta es un obrero
EL POETA ES UN OBRERO. Vladímir Mayakovski.
Vladimir Maiakovski
Le poète est un ouvrier, Vladimir Maïakovski
Vladimir Maïakovski - Un nuage en pantalon (trois poèmes)
O Amor - Vladimir Maiakovski
[RARE] Vladimir MAÏAKOVSKI – Une Vie, une Œuvre : Tragédie (France Culture, 1997)
«Левый Марш». Владимир Маяковский | «The Left March». Vladimir Mayakovsky. (Red Army Choir)
e.Sens - Vladimir Maïakovski
Silvio Rodriguez "Con Maiakovski en Moscú" Canción a Maiakovski (Vladimir Maiakovski)
Vladimir Maïakovski - À Sergueï Essénine (1926)
O Amor (Sobre O Poema De Vladimir Maiakovski)
Vladimir Maiakovski - Lupta
Vladimir Maïakovski : Le tombeau de Maïakovski (1980 / France Culture)
Poema "Então, o que quereis ?" [Vladimir Mayakovsky]
A POESIA DO MUNDO [Ep.2] EU, VLADIMIR MAIAKOVSKI
Sergiu Cioiu — «Scrisoare din Paris... despre esenţa dragostei» (Vladimir Maiakovski, 1928)
Ator lê texto de Maiakóvski sobre papel do poeta na Revolução Russa
Vladimir Maïakovski : Ça va ! Poèmes d'Octobre (Concert fiction / France Culture)
Vladimir Maiakóvski - Poemas - Declamação - Obra integral - Coleção Signos
Похороны Владимира Маяковского 1930 / Funeral of Vladimir Mayakovsky
Vladimir Mayakovsky
Vladímir Mayakovski . Cortesía de Monsieur hannikell
Gal Costa em O AMOR, poema de Vladimir Maiakovski e melodia de Caetano Veloso - 1981
Le Groupe Rosta / Maïakovski / Face A / 1977
Vladimir Maiakovski (Augusto Mariante).wmv
Mad Men - Meditations in an emergency - Mayakovsky - Frank O'Hara - Don Draper
Toti Soler - Vladimir Maiakovski (live)
O MISTÉRIO DE MAIAKÓVSKI
Vladimi Maiakovski - Escuchad
Vladimir Maiakovski
POEMA: E então, o que quereis? Vladimir Maiakovski
🌸 Todo Dia Poesia #20 🌸 Vladimir Maiakovski
Português
English
Español