Escritas

Lista de Poemas

Diz-se que nós, os portugueses,

Diz-se que nós, os portugueses, não somos romancistas ou filósofos. A razão deve ser essa - a de sermos dispersivos, preguiçosos, avulsos. E é por essa razão que somos poetas líricos.
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Guarda o passado, se não

Guarda o passado, se não tens já futuro. Porque se também o perderes, o presente que te restar é o da pia, que não tem tempo algum.
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Ama-se a vitória difícil, porque

Ama-se a vitória difícil, porque a derrota lhe preenchia quase todo o espaço possível. E foi com o que restava que se venceu em todo ele.
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Uma boa frase cria a

Uma boa frase cria a sua verdade. É por isso que os políticos escolhem meticulosamente os seus slogans para criarem a deles.
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O amor acaba quando acaba

O amor acaba quando acaba o que há nele de impossível.
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A razão é um elástico.

A razão é um elástico. Vê se consegues não a esticar muito para não rebentar.
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A mulher escolhe sempre o

A mulher escolhe sempre o homem que a escolhe a ela, como é da sabedoria das nações. A verdade também.
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Ter firmeza de carácter é

Ter firmeza de carácter é ser fiel àquilo em que já se não acredita.
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O difícil em arte é

O difícil em arte é criar-se emoção sem se mostrar que se está emocionado. Ou estar emocionado para antes e depois de se estar. Ou ter a emoção ao lado para nela ir enchendo a caneta.
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Um prazer não está só

Um prazer não está só nele mas ainda e sobretudo em poder interromper-se.
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Comentários (2)

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Jose Manuel Coelho
Jose Manuel Coelho
2024-05-19

Depois de escrever o texto acima, acerca da amizade que uniu o meu pai e VF fui ver a sua biografia e li que ele veio para Lisboa em 1959 para lecionar no Liceu Camões. Como eu nasci em 53 teria seis anos nessa altura e como escrevi antes as memórias das visitas a casa de VF são muito difusas devido à minha tenra idade e, sim foi por essa altura que deixámos de ir visitá-lo. Logo a seguir, dois anos depois, o meu pai foi para Angola, em Março de 61, no primeiro contingente de militares mobilizado para essa guerra sem sentido que deixou marcas profundas naquilo que até hoje sou. Nessa altura não "existia" o stress pós-traumático que deixou marcas profundas no meu pai, não só por integrado a primeira companhia a chegar a Nambuangongo e deparar-se com cabeças espetadas em estacas ao longo das "picadas" e por toda essa zona dos Dembos. Treze anos depois foi a minha vez, por isso desertei do Exército Português e fui-me juntar aos guerrilheiros do MPLA. Sorte a minha foi, passado meia dúzia de meses, acontecido o 25 de Abril.

Jose Manuel Coelho
Jose Manuel Coelho
2024-05-19

Não me atrevo a comentar a obra literária de Virgílio Ferreira porque foi por mero acaso que me deparei com esta página de &Escritas.org e esse acaso recordou-me o homem. Hoje tenho 71 anos e recordei-me de na minha infância, aos cinco, seis anos, ter acompanhado os meus pais a casa de um senhor que disse-me, mais tarde, que aquele senhor era um escritor, uma pessoa muito culta e com quem ele gostava de conversar. Lembro-me por isso de ter ido a casa de VF várias vezes e de outras vezes ele ir à nossa casa jantar e conversar. Morávamos na mesma rua, a Rua da Esperança nas Caldas da Rainha. As nossas casas não eram separadas por mais de cinquenta metros. O meu pai era militar de carreira e esse Senhor, que eu me lembre, era das poucas pessoas que ia lá a casa. O meu pai morreu há dez anos mas o VF morreu muito antes. Foi a minha mãe que um dia me deu a notícia do seu passamento.