Escritas

Lista de Poemas

Toda a cultura assenta na

Toda a cultura assenta na interpretação dos factos. Os factos em si permanecem, sujeitos embora a emendas como factos que são. Mas não a sua leitura.
👁️ 600

A História é feita de

A História é feita de máximos que só o são porque quando o foram não calhou haver outro ou pôde haver outro que os relativizasse.
👁️ 715

O que é difícil não

O que é difícil não é demonstrar que uma obra de arte é excepcional. O que é difícil é ela sê-lo.
👁️ 821

Não te perguntes se és

Não te perguntes se és feliz para não começares logo a não sê-lo.
👁️ 657

Uma história vivida não tem

Uma história vivida não tem tempo de calendário - tem-no só no que se viveu.
👁️ 557

O que as calças no

O que as calças no homem ocultam, nas mulheres revela-o. E é por isso que elas as usam justas.
👁️ 591

A arte não serve para

A arte não serve para nada. A filosofia também não. Excepto como extensão da pessoa que se é, ou seja do homem que se é. O que se segue e importa saber é se o homem serve para alguma coisa.
👁️ 893

Oh, a dedicação, a estima,

Oh, a dedicação, a estima, a generosidade. A razão fundamental por que os cães são estimados é que a sua carne não é boa para comer.
👁️ 254

Da cinta para baixo nenhuma

Da cinta para baixo nenhuma mulher envelhece. É justamente da cinta para baixo que mais envelhece o homem.
👁️ 590

As leis criam-se, como sabemos,

As leis criam-se, como sabemos, segundo aquilo que nos interessa. Mas aquilo que nos interessa, como sabemos também, adianta-se sobre as leis. E então é preciso criar outras.
👁️ 534

Comentários (2)

Iniciar sessão ToPostComment
Jose Manuel Coelho
Jose Manuel Coelho
2024-05-19

Depois de escrever o texto acima, acerca da amizade que uniu o meu pai e VF fui ver a sua biografia e li que ele veio para Lisboa em 1959 para lecionar no Liceu Camões. Como eu nasci em 53 teria seis anos nessa altura e como escrevi antes as memórias das visitas a casa de VF são muito difusas devido à minha tenra idade e, sim foi por essa altura que deixámos de ir visitá-lo. Logo a seguir, dois anos depois, o meu pai foi para Angola, em Março de 61, no primeiro contingente de militares mobilizado para essa guerra sem sentido que deixou marcas profundas naquilo que até hoje sou. Nessa altura não "existia" o stress pós-traumático que deixou marcas profundas no meu pai, não só por integrado a primeira companhia a chegar a Nambuangongo e deparar-se com cabeças espetadas em estacas ao longo das "picadas" e por toda essa zona dos Dembos. Treze anos depois foi a minha vez, por isso desertei do Exército Português e fui-me juntar aos guerrilheiros do MPLA. Sorte a minha foi, passado meia dúzia de meses, acontecido o 25 de Abril.

Jose Manuel Coelho
Jose Manuel Coelho
2024-05-19

Não me atrevo a comentar a obra literária de Virgílio Ferreira porque foi por mero acaso que me deparei com esta página de &Escritas.org e esse acaso recordou-me o homem. Hoje tenho 71 anos e recordei-me de na minha infância, aos cinco, seis anos, ter acompanhado os meus pais a casa de um senhor que disse-me, mais tarde, que aquele senhor era um escritor, uma pessoa muito culta e com quem ele gostava de conversar. Lembro-me por isso de ter ido a casa de VF várias vezes e de outras vezes ele ir à nossa casa jantar e conversar. Morávamos na mesma rua, a Rua da Esperança nas Caldas da Rainha. As nossas casas não eram separadas por mais de cinquenta metros. O meu pai era militar de carreira e esse Senhor, que eu me lembre, era das poucas pessoas que ia lá a casa. O meu pai morreu há dez anos mas o VF morreu muito antes. Foi a minha mãe que um dia me deu a notícia do seu passamento.