Escritas

Lista de Poemas

Trabalhar um livro até à

Trabalhar um livro até à minúcia de uma palavra. E depois um leitor engolir tudo à pressa para saber 'de que se trata'. Vale a pena requintar um vinho para se beber como o carrascão?
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Toda a explicação pressupõe o

Toda a explicação pressupõe o conhecimento do inexplicável, ou seja, do que seria mais interessante explicar.
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A extensão do 'nunca mais'

A extensão do 'nunca mais' com a tua morte vai até à morte do universo. E é sobretudo isso que a torna incompreensível.
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A mulher mais ciumenta é

A mulher mais ciumenta é talvez a que mais facilmente atraiçoa o marido e menos tolera que ele a atraiçoe. Porque o ciúme é a afirmação de um direito de propriedade. E esse direito reforça-se com a traição dela e diminui-se com a dele.
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Se és artista, não fales

Se és artista, não fales em ser maior ou menor, para não confundires a tua obra com uma prova de atletismo.
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Ser forte à custa alheia

Ser forte à custa alheia é ser fraco à custa própria.
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A verdade és tu. O

A verdade és tu. O que mais que se segue já não interessa à conversa. Excepto para demonstrares essa verdade, em movimento de recuo.
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Uma diferença entre uma grande

Uma diferença entre uma grande obra de arte e uma obra medíocre é que a grande obra tende a tornar-se um lugar-comum e a medíocre não o consegue por já o ser.
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Há o que tem limite

Há o que tem limite e o que é sem-limite. A arte é a forma perfeita da consciência destes opostos.
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Vê se uma tua ideia

Vê se uma tua ideia se não torna um lugar-comum para te não dizerem que te serves de um lugar-comum quando por acaso a repetires.
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Comentários (2)

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Jose Manuel Coelho
Jose Manuel Coelho
2024-05-19

Depois de escrever o texto acima, acerca da amizade que uniu o meu pai e VF fui ver a sua biografia e li que ele veio para Lisboa em 1959 para lecionar no Liceu Camões. Como eu nasci em 53 teria seis anos nessa altura e como escrevi antes as memórias das visitas a casa de VF são muito difusas devido à minha tenra idade e, sim foi por essa altura que deixámos de ir visitá-lo. Logo a seguir, dois anos depois, o meu pai foi para Angola, em Março de 61, no primeiro contingente de militares mobilizado para essa guerra sem sentido que deixou marcas profundas naquilo que até hoje sou. Nessa altura não "existia" o stress pós-traumático que deixou marcas profundas no meu pai, não só por integrado a primeira companhia a chegar a Nambuangongo e deparar-se com cabeças espetadas em estacas ao longo das "picadas" e por toda essa zona dos Dembos. Treze anos depois foi a minha vez, por isso desertei do Exército Português e fui-me juntar aos guerrilheiros do MPLA. Sorte a minha foi, passado meia dúzia de meses, acontecido o 25 de Abril.

Jose Manuel Coelho
Jose Manuel Coelho
2024-05-19

Não me atrevo a comentar a obra literária de Virgílio Ferreira porque foi por mero acaso que me deparei com esta página de &Escritas.org e esse acaso recordou-me o homem. Hoje tenho 71 anos e recordei-me de na minha infância, aos cinco, seis anos, ter acompanhado os meus pais a casa de um senhor que disse-me, mais tarde, que aquele senhor era um escritor, uma pessoa muito culta e com quem ele gostava de conversar. Lembro-me por isso de ter ido a casa de VF várias vezes e de outras vezes ele ir à nossa casa jantar e conversar. Morávamos na mesma rua, a Rua da Esperança nas Caldas da Rainha. As nossas casas não eram separadas por mais de cinquenta metros. O meu pai era militar de carreira e esse Senhor, que eu me lembre, era das poucas pessoas que ia lá a casa. O meu pai morreu há dez anos mas o VF morreu muito antes. Foi a minha mãe que um dia me deu a notícia do seu passamento.