Escritas

Lista de Poemas

Motociclistas

Felizes,
sentamo-nos e pedimos ovos.
Pendia um sol vermelho
do rosto do garçom.
Aproveitando a graça esplêndida do crepúsculo,
pedimos também livros, mulheres, vinhos,
Músicas, Júbilos,
Ah! Essências, Éteres, Qüididades,
VIDA ETERNA!!!

De manhãzinha,
acompanhamos com os dedos erguidos
os últimos cometas que se despediam.
- Tchau... Tchau...

👁️ 845

Formalismo

Já cansada de elipses e parábolas,
ela traçou um silêncio retilíneo
onde as nuvens se foram perfilar.

Suspensos às arestas dessa fórmula,
choramos o rigor do formalismo,
felizes, delirantes, ensopados.

👁️ 872

Descuido

Mergulhei por descuido teus olhos
Em outros mares, em outros vinhos:
Perigosas paisagens, proibidas,
Que desfazem seus próprios caminhos.
Hoje, mais nada sabemos, loucos
E bêbados náufragos de um sonho.
Os nossos silêncios estão roucos
De tanto nos ferirmos. Choramos.
Que outros céus acolham nossos corpos.

👁️ 738

Mise au Point

Deixou teu gesto ali
nenhuma rosa,
delicadeza e não ser,
nenhum suspiro,
silêncio e resposta.

E a lua nenhuma
grita a lembrança esquecida
de teu nenhum sorriso.

Frios cristais, no entanto,
que guardam vinhos de sangue,
não são teus olhos, ainda.

👁️ 918

Noturno

Os teus noturnos lábios débeis pedem
Satisfações exangues aos motéis.
Na aurora fogem magros menestréis
Cantando por Sodoma um novo Édem.

O espaço singra, as borboletas medem,
Nos ares cantam teus azuis pincéis,
Estrelas giram como carrosséis
De brinquedos de sol que os Fados cedem.

Os teus verdes-vermelhos lábios bebo
E, atrás, a Lua grávida percebo
A festejar meus ócios estivais.

A Cruz nos fere como agudo açoite
No brilho de funéreos carnavais
Ao vento frio e roxo desta noite.

👁️ 926

Noite de Verão

As horas, uma a uma, tempo adentro,
Percorrem seu trajeto sem retorno.
A noite na cidade, um templo morno,
Refaz o seu girar que não tem centro.

O amor é um clube chic onde não entro:
Anoto mentalmente seu contorno,
Corrompo a portaria com suborno,
Mas tudo é superfície, não há dentro.

Prosseguem as mulheres, sempre lentas,
Seu adejar de carnes opulentas.
São pernas, coxas, seios como frutas

Penetrando a substância de meu gozo.
E a boca das senhoras absolutas
Eu sorvo, num espasmo silencioso.

👁️ 887

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment

NoComments