Escritas

Repreensão a Uma Lâmpada

Armindo Trevisan
O rumor
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul

A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse

Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar

E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.

Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si

E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu

A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento

Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão

e sim um  rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
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