Kremme
Olegário Mariano
Foi um dia de kremesse.
Depois de rezĂĄ trĂȘs prece
Pra que os santo me ajudasse,
Deus quis que nĂłs se encontrasse
Pra que nĂłs dois se queresse,
Pra que nĂłs dois se gostasse.
Inté os sinos dizia
Na matriz da freguezia
Que embora o tempo corresse,
Que embora o tempo passasse,
Que nĂłs sempre se queresse,
Que nĂłs sempre se gostasse.
Um dia, na feira, eu disse
Com a voz cheia de meiguice
Nos teus ouvido, bem doce:
Rosinha si eu te falasse...
Si eu te beijasse na face...
Tu me dĂĄs-se um beijo? â Dou-se.
E toda a vez que nos vemo,
A um sĂł tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancĂȘ:
Quando Ă© que nĂłs se casemo,
NĂłs que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quĂȘ?
VancĂȘ nĂŁo falou comigo
E eu com vancĂȘ, pro castigo,
Deixei de falå também,
Mas, no decorrĂȘ dos dia,
VancĂȘ mais bem me queria
E eu mais te queria bem.
â CabĂŽco, vancĂȘ nĂŁo presta,
VancĂȘ tem ruga na testa,
Veneno no coração.
â Rosinha, vancĂȘ me xinga,
Morde a surucucutinga,
Mas fica o rasto no chĂŁo.
E de uma vez, (bem me lembro!)
Resto de safra... Dezembro...
Os carro afundando o chĂŁo.
Veio um home da cidade
E ao curuné Zé Trindade
Foi pedi a sua mĂŁo.
Peguei no meu cravinote
Dei quatro ou cinco pinote
Burricido como o quĂȘ,
Jurgando, antes nĂŁo jurgasse,
Que tu de mim nĂŁo gostasse,
Quando eu sĂł amo a vancĂȘ.
Esperei outra kremesse
Que o seu vigĂĄrio viesse
Pra que nĂłs dois se casasse.
Mas Deus nĂŁo quis que assim sesse
Pro mais que nĂłs se queresse
Pro mais que nĂłs se gostasse.
Depois de rezĂĄ trĂȘs prece
Pra que os santo me ajudasse,
Deus quis que nĂłs se encontrasse
Pra que nĂłs dois se queresse,
Pra que nĂłs dois se gostasse.
Inté os sinos dizia
Na matriz da freguezia
Que embora o tempo corresse,
Que embora o tempo passasse,
Que nĂłs sempre se queresse,
Que nĂłs sempre se gostasse.
Um dia, na feira, eu disse
Com a voz cheia de meiguice
Nos teus ouvido, bem doce:
Rosinha si eu te falasse...
Si eu te beijasse na face...
Tu me dĂĄs-se um beijo? â Dou-se.
E toda a vez que nos vemo,
A um sĂł tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancĂȘ:
Quando Ă© que nĂłs se casemo,
NĂłs que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quĂȘ?
VancĂȘ nĂŁo falou comigo
E eu com vancĂȘ, pro castigo,
Deixei de falå também,
Mas, no decorrĂȘ dos dia,
VancĂȘ mais bem me queria
E eu mais te queria bem.
â CabĂŽco, vancĂȘ nĂŁo presta,
VancĂȘ tem ruga na testa,
Veneno no coração.
â Rosinha, vancĂȘ me xinga,
Morde a surucucutinga,
Mas fica o rasto no chĂŁo.
E de uma vez, (bem me lembro!)
Resto de safra... Dezembro...
Os carro afundando o chĂŁo.
Veio um home da cidade
E ao curuné Zé Trindade
Foi pedi a sua mĂŁo.
Peguei no meu cravinote
Dei quatro ou cinco pinote
Burricido como o quĂȘ,
Jurgando, antes nĂŁo jurgasse,
Que tu de mim nĂŁo gostasse,
Quando eu sĂł amo a vancĂȘ.
Esperei outra kremesse
Que o seu vigĂĄrio viesse
Pra que nĂłs dois se casasse.
Mas Deus nĂŁo quis que assim sesse
Pro mais que nĂłs se queresse
Pro mais que nĂłs se gostasse.
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