Escritas

Canção da Cabília

Herberto Helder Ano: 20596
Leve, aparece na dança —
e ninguém lhe sabe o nome.
Vai e vem entre os seus peitos
um amuleto de prata.

Mergulha fundo na dança.
Tilintam em seus artelhos
muitas argolas de prata.

— Foi por ela que vendi
um pomar de macieiras.

Ela cai dentro da dança,
e abrem-se ao meio os cabelos.

— Foi por ela que vendi
o meu olival antigo.

Vai até ao centro da dança.
Cintila, vivo, um colar.

— Foi por ela que vendi
o meu campo de figueiras.

E no coração da dança
todo um sorriso a enflora.

Foi por ela que vendi
um milhão de laranjeiras
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