Escritas

A Noite Sabe

Virgílio Martinho Ano: 20566
Preciso da noite para ser poema,
da hora tardia para ser o outro eu,
da palavra emergir dentro de mim,
de estar só como a estátua do jardim.

Tarde comecei, pelo fim dos meus dias,
digo, no termo da viagem, a noite sabe,
o Virgílio branqueou, o guerreiro foi-se,
no túnel a morte é o sinal esperado.

Na noite vejo a maçã encarnada,
polposa na fruteira, cofre de memórias,
saindo uma a uma, visões, imagens
rostos diluídos, são antigas histórias.

Sei, recordar é não ver quem vive
é percorrer gastos empedrados
apostar errado, perder
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