Escritas

Alheio

Ricardo Aleixo
escolho ouvir,
sei muito bem que o risco não é pequeno, meio

adormecido no banco do
ônibus, a não ser que ela voltasse a cabeça, não

pensamos palavras,
mas a cada novo

ângulo descortinado, sempre a ponto
de cair, é

quando o sujeito retorna, escolho
não falar, não

considero prudente
falar, ela insiste,

a imagem fixa na retina,
rastros na areia, chega

um momento em que já não se pode
recuar, um garoto sonha e ri muito

alto, guardar sigilo,
uma página em branco,


o pensamento um corte,
animais de corpos cilíndricos,

imaginar o que há
dentro de uma árvore,

escolho olhar o fogo, ainda ontem, o todo inacabado,
dois seixos na beira do lago, falava alheio,

uma sequência de desvios, ouvia sem entender,
estou só, aqui, escrito
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