Escritas

AUTO-RETRATO

Ademir Assunção Ano: 20549
talvez, uma noite
retorne

cansado das batalhas
e das festas

nada
nas mãos

muito pouco
nos bolsos

os olhos cheios
de imagens

os ouvidos loucos
de sons

shows dos stones
desenhos de escher

a pele tocada
por mulheres chocantes

vagabundo
cruzando estradas

ítacas
revisitadas

exausto das guerras
um dia, talvez

retorne

sem lenço
sem retoques

talhos
no rosto

cicatrizes
na pele da alma

a paisagem
se dissolvendo

velho, arqueado

o sapato
todo furado

e dois versos
na camiseta:

eis a vida
que não vendo
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