XLV Finis eiusque mali principium est futuri

Do fim de qualquer mal, que me persegue,
O principio de outro se me apega,
Porque quando um de mim se desapega,
Outro no mesmo instante se me apegue.

Assi do que se acaba outro se segue,
E àquele, que por vir está, me entrega,
E inda este não se vai, já outro chega,
Sem que para acabar-me nenhum chegue.

E pois, quando um acaba, outro começa,
De um só (se d’ambos não) fico forçado
A que de novo sempre me entristeça.

Já que tão mal me tenho aproveitado,
Que não faltando males, que padeça,
Na minha paciencia haja faltado.
583 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.