Kral Majales

Allen Ginsberg
Allen Ginsberg
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E os Comunistas não têm nada a oferecer a não ser lentes e bochechas gordas e policiais mentirosos
e os Capitalistas proferem Napalm e dinheiro em valises verdes para a Nudez,
e os Comunistas criam indústria pesada mas o coração também é pesado
e os lindos engenheiros estão todos mortos, os técnicos secretos conspiram para seu próprio glamour
no Futuro, no Futuro, mas agora bebem vodka e lamentam as Forças de Segurança,
e os Capitalistas bebem gin e whisky em aeroplanos mas deixam milhões de morenos Indianos famintos
e enquanto as bundas de Comunistas e Capitalistas se embolam o homem Justo é preso ou roubado ou tem a sua cabeça cortada,
mas não como Kabir, e o pigarro do homem Justo sobre as nuvens na luz do sol é uma saudação à saúde do céu azul.
Pois eu fui preso três vezes em Praga, uma por cantar bêbado na rua Narodni,
uma chutado no passeio público da meia-noite por um tira bigodudo que gritava BOUZERANT,
uma por perder minha caderneta com opinões sobre sexo e sonhos políticos não usuais,
e eu fui expulso de Havana num aeroplano por detetives de uniforme verde,
e fui expulso de Praga num aeroplano por detetives de terno tcheco,
Jogadores de baralho saídos de Cézanne, os dois estranhos carneirinhos que entraram na sala de Josef K pela manhã
também entraram na minha, e comeram à minha mesa, e examinaram meus escritos,
e seguiram-me noite e dia da casa dos amantes aos cafés do Centrum –
E eu sou o Rei de Maio, que é o poder da juventude sexualizada,
e eu sou o Rei de Maio, que é indústria e eloqüência e ação em amour,
e eu sou o Rei de Maio, que é os longos cabelos de Adão e a Barba do meu próprio corpo
e eu sou o Rei de Maio, que é Kral Majales na língua da Tchecoslováquia,
e eu sou o Rei de Maio, que é a velha poesia Humana, e 100.000 pessoas procuram por meu nome,
e eu sou o Rei de Maio, e em alguns minutos aterrisarei no Aeroporto de Londres
e eu sou o Rei de Maio, naturalmente, pois sou de origem eslava e um Judeu Budista
que cultua o Sagrado Coração de Cristo o corpo azul de Krishna as costas retas de Ram
as guias de Xangô o nigeriano cantando Shiva Shiva de um jeito inventado por mim,
e o Rei de Maio é uma honraria médio-européia, minha no século XX apesar das naves espaciais e
da Máquina do Tempo, porque eu ouvi a voz de Blake numa visão,
e repito aquela voz. E eu sou o Rei de Maio que dorme com adolescentes sorridentes.
E eu sou o Rei de Maio, que tinha que ser expelido de meu Reino com Honra, como os velhos,
para mostrar a diferença entre o Reino de César e o Reino de Maio do Homem –
e eu sou o Rei de Maio porque eu coloquei o dedo na testa para saudar uma garota pesada e
luminosa que tremia as mãos ao dizer “um momento, Senhor Ginsberg”
antes um gordo garoto à paisana pisou entre nossos corpos –eu estava indo para a Inglaterra –
e eu sou o Rei de Maio, de volta para ver Bunhill Fields e caminhar em Hampstead Heath,
e eu sou o Rei de Maio, num aeroplano gigante que toca o céu de Albion tremendo de medo
enquanto o aeroplano urra para pousar no concreto cinza, balança e expele ar
e rola lentamente para uma parada sob as nuvens com parte do paraíso azul ainda visível.
E no entanto e eu sou o Rei de Maio, os Marxistas me bateram pela rua, me prenderam à noite
inteira na Delegacia de Polícia, seguiram-me pela primavera de Praga, me detiveram em
segredo e deportaram-me de nosso reino num aeroplano.
E por isso escrevi este poema num jato sentado no meio do Paraíso.

 07 de Maio, 1965
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