Escritas

2. a Perda da Pedra Inerte E Pobre

António Ramos Rosa Ano: 5767
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A perda da pedra inerte e pobre
e a exuberância do seio do corpo elástico
contrasta o negro e o rubro do viver a árvore
vermelha e negra musical secreta.

Contraste dos joelhos: no azul: no verde
e é ferida e não imagem que se beija
na selva do corpo em raiva rouca
tronco de beleza no não-instante instante.

Perda brusca descoberta límpida
das pernas em relevo viva água
da boca e dos seus dentes e das unhas

que rasgam os membros da matéria
nunca usada e não virgem e branca
elástico animal exuberante ardente
e grande e belo como o sol no seio.