Escritas

Entre o Fogo E Os Dedos Desligados

António Ramos Rosa Ano: 5758
Entre o fogo e os dedos desligados
entre a cabeça longe na terra ainda vermelha
e a água sem dançar e o corpo sem o verde
enterrado no canal negro
impetuosamente nulo
o nome raso com o odor a fêmea

em que coxas comprimido ou em que boca
trucidado sem nascer
com os pulsos abertos
e os olhos coagulados sobre o muro

serei eu sou eu pedra sem lamento
pedra sem amargura e sem ventre
cabeça sobre o céu deserto
e sem a sede e no vazio e no deserto