Escritas

Olhos de Terra Ou de Água Ou Mesmo de Árvore

António Ramos Rosa Ano: 5754
Olhos de terra ou de água ou mesmo de árvore
podem vencer a inércia e os próprios olhos nascem
para verem outros olhos (diferença-identidade),
a luta que se trava de olho a olho na água.

Raso, deixo-me erguer por esta imagem só.
Antes dos olhos terra (não imagem), antes da árvore
a água
e assim antes do poema a terra do poema.

Porque há um chão de terra no poema
e um cavalo que pasta a solidão real
e só real é o fim ou o princípio da água.