Escritas

Agora És Mesmo Tu… (Se Eu o Dissesse?)

António Ramos Rosa Ano: 5754
Agora és mesmo tu… (se eu o dissesse?)
Mas quanto mais real te invoco,
sei bem que te construo em vão.
Ó falha inexorável, tu, sim, és bem real.

E o banal clamor é frio, os outros todos,
no alheio de o serem, e a própria vida
de si ignorante, perdida, sem cavalo.

— Mas que força, de súbito, o proclama?
Só minha vontade te constrói. Se fosses tu,
ah, se fosses tu, cavalo, mulher ou sonho,
a terra mais real sob as estrelas frias!