Escritas

Desfigura-Se a Face, E o Coração do Pássaro

António Ramos Rosa Ano: 5754
Desfigura-se a face, e o coração do pássaro
cor de melancolia, a água atroz do lago.
Pela boca do chão, pela tensão do muro
procuro com paciência um nome e outro nome.

Torturado pelo álcool
da noite mais nocturna,
caminho para o fogo no alto da montanha.

Desfigurou-se o rosto. O meu cavalo perdeu-se.
Onde está o jardim de outono e primavera?
As formigas apossam-se de um corpo destroçado.
Perdeu-se a visão de um dos lados da face.