Não É Uma Imagem
António Ramos Rosa
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Ano: 5750
Não é uma imagem, mas o fogo.
O fogo inteiro, chama do ventre.
Não é uma imagem, eu respiro
com todo o peito desta árvore
e me detenho neste nó.
Eu sou mais cego nesta luz
do que a madeira silenciosa.
Não é uma imagem, é o ar
e a luz que inunda o corpo inteiro.
Não é uma imagem, eu respiro
pelo pulso e pelo ouvido,
e a minha língua lambe o surdo
metal seco desta tarde.
Não é uma imagem, é uma crespa
e nua ramagem sobre o rosto.
Sou trespassado e vulnerado
pelo ar da luz, pela luz do ar.
O fogo inteiro, chama do ventre.
Não é uma imagem, eu respiro
com todo o peito desta árvore
e me detenho neste nó.
Eu sou mais cego nesta luz
do que a madeira silenciosa.
Não é uma imagem, é o ar
e a luz que inunda o corpo inteiro.
Não é uma imagem, eu respiro
pelo pulso e pelo ouvido,
e a minha língua lambe o surdo
metal seco desta tarde.
Não é uma imagem, é uma crespa
e nua ramagem sobre o rosto.
Sou trespassado e vulnerado
pelo ar da luz, pela luz do ar.
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