Escritas

soneto XII - Em sereias e mares

Edmir Domingues
Quero hoje uma sereia, mas garanto
não é que já não possa com mulheres,
é que amo as aventuras impossíveis
e o mar de amplo sentido e riso claro.

Seguirei o seu canto, tão perdido
como os barcos antigos que o seguiam,
alga pegada à fronte para sempre,
noite, vermelho e sal nos olhos leves.

Porque o poema nasce de dois sonhos.
(Se os há fêmeas e machos não me consta
mas de dois sonhos tiro e após comparo.)

Que em sereias e mares se desmancham
velas inúteis, noites temporárias,
e a gestação dos mundos de aparência.