Escritas

soneto X - Olhar de Dom Quixote

Edmir Domingues
Não lembre o doce olhar sobre o segredo
que se esconde na luz dos céus de sono,
esqueça sobre o cinza do abandono
que a esperanças inúteis já concedo.

Não saiba que a fumaça de bruxedo
chora porque perdemos nosso trono.
Mas na hora nona então, à luz sem dono,
brincaremos em paz nosso brinquedo.

E até das catedrais virão sorrisos!
0 alegro de compassos imprecisos
virá, de contrabaixo e de fagote.

E os pobres anjos vão morrer de susto
quando virem, contendo a inveja a custo,
em nosso olhar o olhar de Dom Quixote.