Escritas

soneto III - É meu o mar

Edmir Domingues
E a ti, te trago agora o meu convite
de ver eus ilhas todas, no meu barco,
e esquecendo este sangue e este tormento
passar além dos vagos horizontes.

No teu cabelo a rosa branca e eterna
que nunca há de murchar, no teu cabelo
negro (mais negro até que a noite de antes)
como as flores do inferno assim são negras.

Falo tanto de mar, que até parece
que é meu o mar, que é meu e teu somente
com seus céus de sorriso e maresia.

Mas serão teus, ocasos, madrugadas,
e os meus olhos já leves, libertados,
esquecidos de dor, tristeza, e morte.