Escritas

soneto II - Nunca mais

Edmir Domingues
Nunca mais o ente amado em doce veste
de alvos panos sabendo a majestade,
nunca mais na existência e humanidade
o pássaro de prata e azul celeste.

Porque não mostra o espelho que me deste
o mesmo olhar da antiga ingenuidade,
porque o pássaro Lua, asas de jade
curvou, fendendo a rota imensa e agreste.

Nunca mais flores claras pela estrada,
visões leves de riso e madrugada
que ao deus desconhecido não comovem.

Jamais sorriso e amor de lábios francos
ou mãos a rebuscar cabelos brancos
buscando o coração contido e jovem.