Escritas

Soneto das inseguranças

Edmir Domingues
O que é mau e o que é bom, no dia a dia,
fica sempre difícil de entendermos.
Seja tudo julgado nos seus termos
sem qualquer preconceito ou fantasia.

Toda verdade é de sujeito, via
essa coisa tão simples de sabermos,
um mago, que escreveu para nós lermos,
que nada há de objetivo na valia.

Quando, à tarde, de súbito, aparece
um sátiro num bosque de ninfetas,
o que é bom e o que é mau não se conhece.

Cochonilhas são rubras nas provetas,
e quem mata lagartas não merece
o futuro esplendor das borboletas.