Escritas

De profundis II

Edmir Domingues
Aqui venho, Senhor, magoado e triste.
Nu e só, em penhor de vassalagem.
Nada sei. Nada sou. Nem rei nem pagem,
na pobreza total que sempre viste.

Mas fizeste-me assim. A leve aragem
é mais forte que sou. Teu dedo em riste,
as recriminações de Sumo Antiste,
o medo que desfaz qualquer coragem.

Onde o prêmio da Vida? Onde o afago
Daquele que criou? Porquanto trago
a fé da insegurança deste estado.

Que nunca me abandona, e sempre fica,
como o aço do castigo ensanguentado
de Quem dispõe. E impõe. E nada explica.
                                                            1992.