Escritas

Quando o êxtase é inoportuno

Lorine Niedecker
Finja uma grande calma;
todo enlevo logo termina.
Cante: quem sabe -
se fim ou início do vôo
para a gaivota em pouso?

Coração, aquiete-se.
Diga: dinheiro há, mas com ferrugem;
diga: luar não é propício para fugas.
É a cor no baixo firmamento
espargindo cores largas
ou, em minha gravata, o vento.

Saiba em espanto como
se toma a própria loucura
nas mãos
e a guarda.

(tradução de Ricardo Domeneck)

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When ecstasy is inconvenient
Lorine Niedecker

Feign a great calm;
all gay transport soon ends.
Chant: who knows—
flight's end or flight's beginning
for the resting gull?

Heart, be still.
Say there is money but it rusted;
say the time of moon is not right for escape.
It's the color in the lower sky
too broadly suffused,
or the wind in my tie.

Know amazedly how
often one takes his madness
into his own hands
and keeps it.


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