Escritas

E esse tempo de que

Marcel Proust
E esse tempo de que necessita um indivĂ­duo – como me aconteceu a mim com essa Sonata – para penetrar uma obra um tanto profunda Ă© como um resumo e sĂ­mbolo dos anos e Ă s vezes dos sĂ©culos que tĂȘm de transcorrer atĂ© que o pĂșblico possa amar uma obra-prima verdadeiramente nova. Talvez por isso considere o homem de gĂȘnio, para se poupar Ă s incompreensĂ”es da multidĂŁo, que, visto faltar aos contemporĂąneos a necessĂĄria distĂąncia, as obras escritas para a posteridade sĂł a posteridade as deveria ler, tal como sucede com certas pinturas, mal apreciadas quando vistas de muito perto.