Escritas

Era o último amor

Luís Filipe Castro Mendes
Era o Ășltimo amor. A casa fria,
os pés molhados no escuro chão.
Era o Ășltimo amor e nĂŁo sabia
esconder o rosto em tanta solidĂŁo.

Era o Ășltimo amor. Quem advinha
o sabor pela escuridĂŁo?
Quem oferece frutos nessa neve?
Quem rasga com ternura o que foi verĂŁo?

Era o Ășltimo amor, o mais perfeito
fulgor do que viveu sem as palavras.
Era o Ășltimo amor, perfil desfeito
entre lumes e vozes passadas.

Era o Ășltimo amor e nĂŁo sabia
que os pés à terra nua oferecia.