Ela canta, pobre ceifeira,
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!
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2023-09-26
Ela canta, pobre ceifeira,Julgando-se feliz talvez;Canta, e ceifa, e a sua voz, cheiaDe alegre e anónima viuvez,Ondula como um canto de aveNo ar limpo como um limiar,E há curvas no enredo suaveDo som que ela tem a cantar.Ouvi-la alegra e entristece,Na sua voz há o campo e a lida,E canta como se tivesseMais razões para cantar que a vida.Ah, canta, canta sem razão!O que em mim sente está pensando.Derrama no meu coraçãoA tua incerta voz ondeando!Ah, poder ser tu, sendo eu!Ter a tua alegre inconsciência,E a consciência disso! Ó céu!Ó campo! Ó canção! A ciênciaPesa tanto e a vida é tão breve!Entrai por mim dentro! TornaiMinha alma a vossa sombra leve!Depois, levando-me, passai!