Escritas

a criança em ruínas I

José Luís Peixoto
fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.
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Comentários (3)

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Sou herdeiro de todos os que morreram"
Sou herdeiro de todos os que morreram"
2026-02-08

Criancas

leprechaun
leprechaun
2021-10-23

Hmmm... estranha descrição do amor. Não será antes uma confissão da prisão-apego sentido por alguém que nos é muito querido?<br />Se essas palavras se referem a um filho, convém recordar o imortal poema de Gibran que é um hino à liberdade consciente... pai e filho são dois seres independentes e livres!<br /><br />https://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/3327093

J Luis Melo
J Luis Melo
2021-09-06

Não sei<br />ou não estou para pensar nisso<br />mas nada me habilita especialmente<br />a dizer do mar, do amor,<br />de sofrer, do brincar da criança<br />do sentir de um poeta.<br />O que eu vivi diz<br />da minha filha a beijar<br />o rosto do poeta<br />que teve de se vergar<br />à estatura dos 6 anitos<br />da Marta.<br />Nesse instante não pude<br />comparar o sorriso dos dois seres,<br />não pensei em que avesso de quê<br />acontecia aquela cena,<br />nem se nos espera uma ou duas<br />paletes de danos colaterais<br />ao gostarmos de gente,<br />nem se o amor está em que margem<br />da poesia<br />em sílaba do verso<br />nem pensei em ter<br />"medo e querer morrer".<br />Nada me habilita a dizer<br />que a morte é a noite<br />que pare cada dia... cada vida...<br />Nada me habilita<br />mas eu acredito e isso<br />dá-me tanto gozo.<br />Saravah J. Luis Peixoto<br />.<br />J. Luis Melo<br />um teu “devoto”