Lista de Poemas
fingir que está tudo bem
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.
o tempo, subitamente solto
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
A Metáfora
escrevi um poema
que começava assim:
"sinto a lâmina do teu ciúme no meu peito"
- era uma metáfora, claro.
E não suspeitei.
Agora,
que me espetaste a faca de descascar batatas entre as costelas,
único desfecho lógico para o nosso amor;
agora, que sinto a lâmina
e o sangue morno a alastrar-me na camisa,
sei, finalmente e tarde demais,
a fraca expressividade das metáforas.
Por isso,
se ainda gostares um bocado de mim,
pede para, na segunda edição,
alterarem o verso para:
"sinto o teu ciúme como uma lâmina no meu peito".
a criança em ruínas I
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.
Vivemos num individualismo muito cru.
A forma e o conteúdo
A sinceridade em si é
Não sei o que é
Podemos ter muitas palavras para
Há muitas coisas que percebo
Comentários (5)
Meu Caro Poeta... fingir que está tudo bem... é o maior de todos os obscuros mundo ; o de envelhecer e ter muito medo de morrer, ambos de amor e uma água apagando o imenso fogo.
Muito mau, diz o João. Aconselho-o a consultar a obra de José Luís Peixoto e os prémios atribúidos e depois se mesmp assim o considerar "muito mau", aceito a sua falta de sensibilidade perante uma nova forma de escrever. Sabe, ele é "comparado" a José Saramago ... daí que o "ache" muito mau. Nem todos os "olhos" e "mentes" foram feitas para gostar de um Prémio Nobel....
O autor se fosse jogador de futebol era o médium criativo da equipa tipo o número 10, é bom no jogo aéreo.
peixoto escreve com clareza de temas muito portugueses e profundos. gosto muito. cinco estrelas!
Fantástico escritor!
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