Escritas

Bucólico

Marcelo Gama
Para o Paulino de Azurenha

Zagala, guardadora de esquivanças,
que pascem noutros montes, noutros ares,
guia na direção destes lugares,
o teu rebanho de ovelhinhas mansas.

Brancas ovelhas, minhas esperanças,
— rebanho que a tanger por entre algares,
tenho feito com zelos e pesares,
o mais viçoso destas vizinhanças, —

ao som da agreste avena e dos sincerros,
alcantilados e frolidos serros
galgai, transpondo vales e barrancas,

e à zagala e a seu gado, em sítio estranho,
ajuntai-vos, formando um só rebanho,
ovelhas mansas, ovelhinhas brancas.


Poema integrante da série Sonetos de Amor.

In: GAMA, Marcelo. Via Sacra e outros poemas. Posfácio de Álvaro Moreyra. Rio de Janeiro: Ed. da Sociedade Felippe d'Oliveira, 1944. p.5
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