Escritas

II [Um coração boxeur que bate, bate

Tite de Lemos
Um coração boxeur que bate, bate
mas convenhamos gosta de apanhar
e bater pernas pelo bulevar:
assim é o meu, desgovernado iate

— não sou piloto para o tripular.
Onde céus ele vai? tatibitate
atrás de um outro coração que o mate
ou lhe acenda uma luz crepuscular

antes que a noite finalmente caia,
noite definitiva carta escrita
em braille, noite noiva predileta,

antes que o dia saia e torne maya
tudo isso que passa por estrita
realidade, dor, desejo, meta.


In: LEMOS, Tite de. Caderno de sonetos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988