Escritas

Soneto à Perfídia de Portugal

Evaristo da Veiga
Brasil da Natureza encanto, amores
Do Despotismo o jugo mal sofrendo
Viu que lhe estava os braços estendendo
Lisia livre dos ferros opressores.

Eu quero unir-me com prisões de flores
Ao meu querido Irmão; eu só pretendo
Mútua ventura: Lisia assim dizendo,
Cai o Brasil nos braços seus traidores.

Então depondo a pérfida brandura
Ela lhe lança os ferros desumanos
E só de escravizá-lo trata, e cura

Mas; conhecendo os cônditos enganos
Do sono da letárgica doçura
O Brasil acordou: tremei Tiranos.

22 de fevereiro de 1822.


In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.9
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